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Equipe da Sedap faz visita técnica a plantações de milho no agreste

sábado, 2 de junho de 2012 - 23:21 - Fotos:  Antônio David/Secom-PB

Foto: Antônio David/Secom-PB

Uma equipe da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap) fez uma visita técnica, nesta sexta-feira (1º), a plantações de milho em fazendas localizadas no município de Mulungu, no agreste paraibano. O objetivo foi conhecer de perto as experiências exitosas que produtores têm realizado na região, resultados provenientes de pesquisas e do uso de tecnologia de ponta, desde a escolha da semente até o procedimento de colheita. A produção local deve se expandir ainda mais com a chegada do Canal das Vertentes Litorâneas, obra prevista para ser concluída em cerca de quatro anos.

A visita foi coordenada pelo secretário executivo da Agropecuária e da Pesca, Rômulo Araújo Montenegro. Acompanhado por técnicos da secretaria, ele foi a campo para observar o plantio do milho, a topografia da região e as especificidades do solo, bem como conversar com produtores sobre os trabalhos desenvolvidos. “Trata-se de uma região que tradicionalmente, praticava a pecuária extensiva de pouca rentabilidade e, essencialmente, de subsistência”, explicou.

No entanto, o uso de inovações tecnológicas no campo tem transformado este cenário, fazendo com que a Paraíba comece a abrir novas fronteiras agrícolas, potencializando econômica e socialmente a região. A Fazenda Cruzeiro, uma das visitadas pela equipe da Sedap, em Mulungu, é um grande exemplo disso. O produtor Maurício Reami, aproveitando os bons resultados que obteve em experiências realizadas no oeste da Bahia, há dois anos trouxe para a Paraíba novas técnicas que têm permitido que as sementes de milho germinem num solo seco.

“Realizamos diversas pesquisas, ainda seguimos fazendo testagens com sementes, aplicamos novas técnicas de plantio, potencializando ao máximo o que podemos aproveitar do solo”, disse. O empenho tem rendido resultados positivos. “Já chegamos a passar três meses sem um pingo de chuva, mesmo assim, o milho resistiu. Boa parte do que foi plantado nasceu no seco, no pó. Agora, já sabemos que pode passar 30 dias sem chover, que o milho irá resistir”, acrescentou.

O êxito tem feito com que a plantação aumente gradativamente na fazenda. Há dois anos, Maurício trabalhou com cerca de 200 hectares plantados, enquanto este ano ele deve passar de 600 hectares. “Agora, seguimos fazendo adaptações para aumentar ainda mais a produtividade por hectare”.

Foto: Antônio David/Secom-PB

Irrigação – Para o secretário Rômulo Montenegro, as experiências no agreste paraibano têm representado um passo importante para o Estado, em solos secos. O fato ganha maior importância, por acontecer antes mesmo da chegada do Canal das Vertentes Litorâneas, considerada a maior obra de sustentabilidade hídrica da Paraíba, que irá beneficiar diretamente a região do agreste, onde está Mulungu. “Com esses avanços, hoje temos produção em sequeira, sem o uso da irrigação. Com a chegada do Canal das Vertentes, isso vai melhorar ainda mais”, destacou o secretário.

O Canal está orçado em quase R$ 1 bilhão, sendo 90% deste total oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), via Ministério da Integração Nacional, e 10% de contrapartida do governo estadual. A obra envolve a construção de 112 km de canal a céu aberto dentro de um perímetro irrigado de 15,7 mil hectares, que vai possibilitar investimentos no setor de agronegócios e beneficiar mais de 200 mil habitantes.

Foto: Antônio David/Secom-PB

Transformação social – Enquanto o canal não chega, a população da região já começa a perceber transformações sociais, devido ao bom desempenho dos produtores com suas plantações. O agricultor José Humberto Rodrigues da Silva é um dos integrantes da equipe de trabalhadores da Fazenda Cruzeiro. Morador antigo na região, ele diz que nunca viu o campo germinando tão bem quanto agora. “A situação era muito ruim. O pessoal não plantava, pois a seca não rendia. Agora, tudo está mudando. Nunca imaginamos ver essa produção tão grande acontecendo aqui”, vibrou.

Com a produção em alta, os empregos também aparecem. Humberto foi contratado há duas semanas e já se vê entusiasmado com o futuro. “Era quase impossível conseguir emprego no campo, aqui na região. Hoje muita gente está sendo chamada e, caminhando assim, tenho certeza que várias outras oportunidades vão surgir”.