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Encontro reúne participantes de 18 estados para discutir autocuidado em hanseníase

quinta-feira, 7 de novembro de 2013 - 16:43 - Fotos: 

Nesta quinta-feira (7), pela manhã, foi realizada a abertura solene do I  Encontro Nacional  de Grupos de Autocuidado em Hanseníase, que acontece até esta sexta-feira (8) no Hotel Porta do Sol\Bristol, no bairro do Bessa, em João Pessoa  e reúne cerca de 50 profissionais de saúde  e  usuários  indicados pelos Estados com  grupos de autocuidados  em atuação.

Estão participando os Estados do Amazonas, Amapá, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia, Piauí, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo, Tocantins, Pará, Paraíba e o Distrito Federal.

Durante a abertura do evento, a gerente operacional da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, Bernadete Moreira de Moura, afirmou que esta ação é fruto de parcerias entre os níveis federal, estadual e municipais. “Além disso, temos a ONG holandesa NHR que colabora e viabiliza para que estas ações aconteçam”, afirmou.

Geísa Campos, da área técnica da Hanseníase da SES, explicou que o encontro tem como objetivo compartilhar as experiências exitosas dos grupos de autocuidado, tendo em vista o importante papel exercido por estes grupos na superação das limitações causadas pela hanseníase e nas ações de prevenção de incapacidades e deformidades geradas pela doença”.

Simone Sampaio, 33 anos, de Manaus, sabe bem o que é superação. Descobriu que tinha hanseníase aos 14 anos. Segundo ela, nunca tinha nem ouvido falar na doença. Foi um choque para toda família. O Grupo de Autocuidado de Manaus tem três anos, foi fundado com base no da Paraíba e há dois ela começou a frequentá-lo. “Depois que entrei no grupo mudei toda minha vida. Acima de tudo, passei a me amar mais e faço questão de repassar isso para todos e o resultado é que, no momento, dou palestras no interior de Manaus, onde também estão sendo abertos grupos de autocuidado”, desabafou.

Já para Cícero Alves de Oliveira, de 49 anos, que faz parte do grupo de autocuidado de Cajazeiras e descobriu que tinha hanseníase em 2009, o grupo é sinônimo de conhecimento. “No grupo de autocuidado você toma conhecimento com relação a tudo sobre a doença; o que deve e o que não deve comer; a respeito de medicamentos, entre outros temas referentes à hanseníase”, declarou.

Alexandre Oliveira da Silva, de Natal, tem 32 anos. Descobriu a doença na adolescência. Tem os dedos das mãos e dos pés atrofiados como consequência da hanseníase. Há quatro anos está no grupo de autocuidado de Natal. “No grupo aprendi bastante sobre a maneira de viver, mesmo com as sequelas que a doença me deixou. Agora uma coisa ninguém pode negar: o preconceito é bem maior que a doença”, disse.

Na Paraíba são cinco grupos de autocuidado implantados nos municípios de João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras, Cabedelo e Patos. Eles têm uma reunião mensal, com duração de 2 horas em média, e contam com um número variável de pacientes (10 a 12  em média).

Doença – A hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos. É importante que, ao perceber algum sinal, a pessoa com suspeita de hanseníase não se automedique e procure imediatamente um serviço de saúde mais próximo.

É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele, que não coçam, mas causam a sensação de formigamento e ficam dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Tratamento – Todos os casos de hanseníase têm tratamento e cura. A doença pode causar incapacidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, gratuito e eficaz, pode durar de seis a 12 meses. Os medicamentos devem ser tomados todos os dias em casa e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento, exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde.