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13 de julho de 2009

Empresário transplantado: “O gesto dessa mãe me fez nascer duas vezes”



“O gesto dessa mãe me fez nascer duas vezes. Ela não salvou apenas a minha vida, mas também me devolveu à minha família”. O desabafo é do empresário Paulo César Rohr, 52 anos, que no dia 23 de junho deste ano ganhou um coração novo, depois de esperar um ano e meio na fila da Central de Transplantes da Paraíba.

A mulher a quem ele se refere é a mãe do doador Alderlan de Lima Leite, 23, que teve morte encefálica, após sofrer um acidente de moto. Os 433 paraibanos que estão aguardando um transplante no Estado sabem exatamente a importância de atitudes como a da família de Alderlan.
 
A falta de doadores de órgãos e tecidos é uma angústia para pacientes e familiares, que enfrentam diariamente uma corrida contra o tempo. “Sempre fui atleta e me dediquei ao esporte e, de repente, não conseguia mais subir um lance de escada. À noite, acordava sem conseguir respirar e entrei em depressão. No dia em que recebi a notícia de que tinha aparecido um doador, não acreditei. Eu achava que esse dia nunca ia chegar. Se todo mundo tivesse consciência da importância da doação não haveria filas”, disse Paulo César. Ele recebeu alta na quarta-feira (8), do Hospital da Unimed, onde fez a cirurgia.
 
“Não me deixe morrer” - O cirurgião cardíaco Maurílio Onofre, que operou o empresário, disse que a falta de doação ainda é uma das maiores dificuldades na realização de transplantes no Estado. “Este ano, acompanhei um paciente de 32 anos, que morreu esperando um coração. Nunca vou esquecer quando ele pegou no meu braço e disse: ‘Doutor não me deixe morrer, pelo amor de Deus. Tenho crianças pequenas para criar’. Infelizmente, não pude operá-lo”, disse.

Maurílio lembrou que a doação de órgãos ocorre em um momento muito trágico para os familiares do doador, que geralmente é vítima de mortes violentas. “Por outro lado, um único doador pode salvar a vida de até sete pessoas e a doação é um ato muito nobre de uma família, que está perdendo um parente seu, mas salvando outras vidas que nem conhece. Com esse gesto, pessoas moribundas podem voltar a ter uma vida normal, com restrições ainda, mas normal”, destacou.

Engrenagem funcionando – Maurílio ressaltou que o Estado passou um período de dificuldades na realização de transplantes que está sendo superado, nos últimos meses. “Para fazer transplantes a engrenagem precisa estar em perfeito funcionamento. Se faltar uma peça não funciona e o apoio do gestor é essencial nisso. Basta vermos que logo nos primeiros meses da gestão do secretário José Maria de França, depois de três anos sem fazer transplantes de coração, conseguimos fazer o sétimo e depois disso foram feitas cirurgias de fígado, rim, córneas. A engrenagem voltou a funcionar”, disse.

O secretário estadual da Saúde, José Maria de França, disse que este governo assumiu o Estado com três grandes preocupações: a realização de transplantes, de cirurgias cardíacas e a dispensação de medicamentos excepcionais. “São podemos continuar aceitando que pessoas continuem morrendo por falta de transplante ou de medicamentos. A determinação do governador José Maranhão é para que todas as condições sejam dadas para que os problemas sejam superados”, disse.

Mais vidas salvas – Na semana passada, outra família ajudou a salvar a vida de cinco pessoas doando os órgãos de um adolescente de 14 anos, que também foi vítima de acidente de moto. Um morador de Pombal de 53 anos, que esperava desde maio do ano passado, recebeu o fígado. Duas mulheres de 25 e 69 anos, moradoras de Sousa, receberam as córneas. Um rim foi doado a uma jovem pernambucana de 21 anos e o outro para um homem de 36, morador de João Pessoa, que estava na fila desde julho de 2001. Os pacientes estão se recuperando das cirurgias.

“Entramos em contato com a família desse adolescente que não mostrou nenhuma resistência. Mas nem sempre é assim. A maioria acha que o corpo da pessoa vai ficar deformado com a retirada dos órgãos, mas isso não é verdade. Ele é devolvido aos familiares totalmente reconstituído. É uma cirurgia como outra qualquer”, explicou Gyanna Lys Montenegro, diretora da Central de Transplantes da Paraíba.

A fila - Para evitar dúvidas da família na hora de decidir sobre a doação, Gyanna recomenda que as pessoas manifestem o desejo de serem doadoras ainda em vida. A Central de Transplantes da Paraíba possui 379 pessoas cadastradas para receber um rim; nove esperaram por um fígado; três aguardam um coração e 41 uma córnea. Nos últimos dez anos, foram realizados no Estado, 1.268 transplantes de córnea, 71 de rim, 35 de fígado, quatro de válvula cardíaca e sete do coração.
 
 

Assessoria de Comunicação da SES/PB