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Empasa desenvolve projeto ambiental para transformar lixo orgânico em fertilizante

segunda-feira, 24 de outubro de 2011 - 08:09 - Fotos:  João Francisco/Secom-PB

De acordo com estudos feitos por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), o Brasil produz 241.614 toneladas de lixo por dia, em que 76% são depositados a céu aberto (lixões), 13% em aterros controlados, 10% para usinas de reciclagem e 0,1% incinerados. Do total do lixo urbano, 60% são formados por resíduos orgânicos que podem se transformar em excelentes fontes de nutrientes para as plantas.

No caso da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), o fluxo de mercadoria é constante e de grandes dimensões, o que leva a se caracterizar como uma boa fonte desses resíduos orgânicos.

Por isso, com o lema “o que é da terra volta para a terra”, a Empasa está desenvolvendo um projeto de compostagem, intitulado “O nosso lixo tem futuro”. Trata-se de uma técnica que faz o lixo orgânico do mercado na central de abastecimento, em João Pessoa, ser transformado em fertilizante pela decomposição da matéria orgânica.  Antes, o lixo era enviado ao Aterro Sanitário da Região Metropolitana.

O projeto começou em setembro e foi idealizado pelo fato de haver uma grande demanda de resíduos produzidos dentro da empresa. Como não havia planejamento para o gerenciamento do volume de resíduos sólidos, para diminuir e amenizar o impacto ambiental, a compostagem de frutas, legumes e hortaliças agora está sendo utilizada como alternativa limpa. Um estudo foi feito em um período de sete dias na pesagem dos resíduos, e o resultado obtido alcançou a marca de 19.069 quilos de orgânicos e 2.632 quilos de sólidos, o que levou a tal iniciativa por parte da Empasa.

Para a gestora ambiental e técnica de segurança no trabalho da Empasa, Silvana Alves, que coordena o projeto, a gestão dos resíduos, essencialmente de componentes orgânicos, começa a ser uma questão mais preocupante devido às implicações que decorrem da ineficiência, quer pelas implicações associadas à sua disposição em aterros, como pela falta de aproveitamento do seu potencial para valorização.

Metodologia aplicada – Os resíduos são coletados dentro do mercado e levados até a plataforma na própria Empasa, onde ficam as caixas estacionárias para ser feita a separação dos sólidos e dos orgânicos. Então é feita a relação de carbono (difícil decomposição) e nitrogênio (fácil decomposição), utilizando palhas, folhagens, verduras, frutas e hortaliças. A duração desse processo é cerca de 60 dias para a leira ficar pronta ao uso, e posterior atendimento aos pequenos produtores da agricultura familiar, além da parceria com outros órgãos governamentais.

O presidente da Empasa, engenheiro José Tavares, informa que as metas do projeto não têm limites. “Vamos ter um espaço mais reservado, com controle de entrada e saída de resíduos,  um banco de classificação do que pode ser reaproveitado, além do aumento da equipe. Aqui na Paraíba, estamos no pioneirismo entre os órgãos governamentais”, explica Tavares.

A compostagem do lixo orgânico – Segundo a Embrapa, a compostagem pode ser utilizada para transformar diferentes tipos de resíduos orgânicos em adubo que, quando adicionado ao solo, melhora as suas características físicas, físico-químicas e biológicas.

Consequentemente se observa maior eficiência dos adubos minerais aplicados às plantas, proporcionando mais vida ao solo, que apresenta produção por mais tempo e com mais qualidade. Portanto, a redução do uso de fertilizantes químicos na agricultura, a proteção que a matéria orgânica proporciona ao solo contra a degradação e a redução do lixo depositado em aterros sanitários pelo uso dos resíduos orgânicos para compostagem contribuem para melhoria das condições ambientais e da saúde da população – na qual, como na frase épica do pensador Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.