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Emoção e alegria no culto que abriu a Campanha de Doação de Órgãos

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 - 07:13 - Fotos: 

“Eu estava morto e ressuscitei depois desse transplante. Primeiramente agradeço a Deus e depois a família desse rapaz que me deu esse fígado, pois, segundo os médicos, só tinha seis meses de vida e apenas 13% do meu fígado estavam funcionando”. A declaração é do funcionário público federal José Batista Fialho, 59 anos, transplantado. Ele participou nesta quinta-feira (24) do culto ecumênico, no auditório da  PBPrev, em João Pessoa, que marcou a abertura da IX Campanha Estadual Para Doação de Órgãos e Tecidos, promovida pela Central de Transplante da Paraíba, órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
 
Este ano, a campanha tem o slogan ‘Deixe mais que saudade… Deixe vida! Doe Órgãos!’ e conta com uma série de atividades em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e Patos, municípios que mantêm núcleos de captação de órgãos e tecidos. O culto desta quinta-feira foi marcado pela alegria e emoção de familiares de doadores e receptores de órgãos e tecidos.
 
A secretária-executiva de Saúde, Lourdinha Aragão, agradeceu a presença de todos ao evento e disse que a determinação do secretário José Maria de França e do governador José Maranhão é para não deixar faltar pessoal, recursos financeiros e equipamentos na Central de Transplante, “para que o órgão possa desempenhar o papel tão importante de salvar vidas”.
 
A celebração religiosa contou com a participação do pastor da Igreja Evangélica Pentecostal Cristo é Poder, Wanderlei Brant; do padre da Igreja Católica, Leôncio da Silva Júnior, e do bispo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, João Cordeiro Guedes.
 
Histórias de vida – O transplantado José Batista explicou que sofreu durante cinco anos depois que os médicos descobriram que ele teve uma gastrite, que evoluiu para uma úlcera chegando a uma cirrose hepática, tudo isso decorrente do uso exagerado da bebida alcoólica.  Ele disse que fez o transplante em 2004 e não conhece a família do doador. “Sei apenas que era um rapaz de 21 anos, que morava em Mari e morreu vítima de um acidente de moto”, lembrou.
 
O comerciário Cláudio Goes recebeu um coração em 2005. Ele disse que em 1996 descobriu que o seu coração estava crescido e a médica Mércia Bichara o orientou a fazer um transplante. Ele disse procurou o médico Maurílio Onofre que colocou o seu nome na fila de espera. Três meses depois, ele fez o transplante. “Eu já me encontrei umas três vezes com os familiares do doador e em todas elas agradeci por terem me devolvido a vida”, comentou.
 
O comerciante Ronaldo Alves de Sousa, que mora no Bairro de Tambiá, se emocionou ao lembrar que realizou o último desejo da sua filha, a estudante Rafaella Morais de Souza Bezerra, que morreu aos 16 anos de idade. “Quando ela estava viva, sempre dizia que queria doar todos os seus órgãos e que nós da família fizéssemos a mesma coisa e o desejo dela foi atendido”, disse o comerciante. A jovem foi vítima de um atropelamento no dia 8 de agosto deste ano e faleceu no dia 15, no Hospital de Trauma. Foram doados as córneas, os rins, o coração e o fígado da estudante. “Eu queria muito conhecer as pessoas que receberam os órgãos da minha filha caçula”, disse emocionado o comerciante.
 
Segundo a Central de Transplante da Paraíba, 384 pessoas esperam um rim, três por um coração, 30 por córneas e oito por fígado. Este ano, foram realizados 113 transplantes de córneas, 7 de rim, 1 de fígado e 1 de coração. A campanha visa conscientizar as pessoas para que revelem o desejo de doar ainda em vida seus órgãos para facilitar a decisão de seus familiares, caso venham a falecer.

Da Assessoria de Imprensa da SES/PB