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Emepa promove melhoramento genético de caprinos

quinta-feira, 17 de maio de 2012 - 09:28 - Fotos:  Emepa

Pesquisa para melhoramento genético de caprinos (foto: Emepa)

Continuando com o investimento no melhoramento genético da caprinovinocultura do Estado, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) traz no dia 23 de junho, o professor Dr. Antonio López Sebastián, titular do Departamento de Reproducción Animal do Instituto Nacional de Investigación y Tecnología Agraria y Alimentaria (INIA), da Espanha, para treinamento com técnicos e pesquisadores.

A Emepa finalizou, em fevereiro, um processo de transferência de 638 embriões importados da África do Sul a matrizes receptoras de ovinos e caprinos. Ao todo, 288 ovelhas e 350 cabras de corte (das raças Boer e Savana) e leiteiras (Saanen e Alpina Britânica) estão como “barrigas de aluguel” de animais de alta qualidade genética. A gestação leva em torno de cinco meses. O novo rebanho deve nascer em meados de julho.

A compra dos mais de 900 embriões aconteceu no ano passado, com recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza da Paraíba (Funcep-PB) e investimentos de mais de R$ 1 milhão. Neste ano de 2012, mais 900 embriões serão importados, também da África do Sul, com recursos federais (em torno de R$ 1 milhão) advindos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com contrapartida do Governo do Estado.

Agricultura familiar – A ideia é repassar toda tecnologia genética para os produtores rurais que praticam a agricultura familiar na Paraíba. A orientação partiu do governador Ricardo Coutinho. Com a inovação tecnológica oferecida pela Emepa, será multiplicado o apoio aos produtores do Estado ao reproduzir animais de alta carga genética. A meta é fazer com que as famílias aumentem a renda a partir de animais que tenham maior produtividade de carne e leite. O projeto visa o beneficiamento do Programa do Leite na Paraíba.

A transferência de embriões e outros tipos de pesquisa e experimentações acontecem no laboratório denominado Estação Experimental de Pendência, localizado no município paraibano de Soledade. Como explica o diretor técnico e pesquisador da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, “Na Estação, existe o laboratório de reprodução, de transferência de embrião, que vai servir também para outro trabalho: de instrumento de apoio. Nós vamos dar continuidade à coleta de sêmen e à transferência de embrião, e então repassar os resultados para os produtores e parceiros. Estamos equipando esse laboratório para fazer esse trabalho com todos nossos rebanhos: transformar a inseminação e transferência de embrião em algo rotineiro e que irá servir de instrumento para melhoramento, multiplicação e crescimento”, esclarece o pesquisador.

O diretor explica que a escolha por essas linhagens sul-africanas se deu pela adaptação ao ambiente local das raças e que a Paraíba já tem uma experiência de mais de 15 anos na reprodução desses animais. Para Wandrick Hauss, é preciso investimento de base – em genética e produção – para que a Paraíba ganhe investimentos no futuro. Desse modo, todos irão ganhar: desde o pequeno produtor até o consumidor final.

Ele conta que o Estado da Paraíba já foi considerado o maior produtor de leite de cabra do país, chegando a produzir 18 mil litros por dia. “Visualizamos um projeto de retomar a genética e disponibilizar mais animais reprodutores para pequenos criadores, além de oferecer-lhes o Programa Estadual de Alimentação Animal”, afirma Wandrick. O Programa, desenvolvido por meio da Secretaria do Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap) tem o objetivo principal de tratar da manutenção dos rebanhos de bovinos, caprinos e ovinos, favorecendo uma alimentação adequada para a sustentabilidade da produção animal.

Núcleos multiplicadores – A Emepa está com inscrições abertas para o Processo de Seleção e Credenciamento dos Produtores Individuais e das Associações de Produtores Rurais, edital advindo do Programa de Fortalecimento da Caprinovinocultura. O edital (que pode ser acessado em http://www.emepa.org.br) prevê a cessão de uso de aproximadamente 50 animais reprodutores. “O produtor se inscreve e se habilita a receber um animal reprodutor durante dois anos, sem custo algum. Esse projeto vai possibilitar a geração de vários outros animais a partir desses reprodutores. O edital vai beneficiar cerca de 450 famílias diretamente e, indiretamente, milhares de cidadãos paraibanos”, estima Wandrick Hauss.

O diretor reforça que a Emepa não empresta animais a não ser dessa forma, via cessão de uso. A ideia é democratizar o uso dos animais e, com isso, o desenvolvimento das pesquisas. Assim, a Emepa está criando núcleos multiplicadores juntamente com os produtores. Parte desses produtores faz parte dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) que são, em sua maioria, pequenos produtores ou agricultores familiares. Agora que os novos recursos advêm do PAC, o programa terá uma maior abrangência para médios produtores, que também podem ser favorecidos adquirindo, nos leilões anuais promovidos pela Emepa, os animais geneticamente melhorados.

“O objetivo final dessas ações é melhorar as condições de produção e agregar valor aos produtos. Não é só o programa de melhoramento genético que estamos fazendo, isso inclui investimento na alimentação (Programa Estadual de Alimentação Animal), programa de capacitação e difusão de tecnologia, investimento em pesquisa. Estamos investindo mais R$ 2 milhões na Estação de Pendência, com recursos do PAC, promovendo a recuperação da estação e novos laboratórios”, enumera Wandrick.

Produtos diversificados – Na estação de pendência, não são realizadas apenas as transferências e pesquisa em genética. Há também os laboratórios para produtos. A melhoria vai possibilitar o aprimoramento tecnológico de produtos já desenvolvidos pela Emepa: linguiça, hambúrguer, carne de charque. A Estação também produz vários derivados do leite. Um novo laboratório irá possibilitar a realização de treinamentos na parte de frigoríficos, na área industrial ou artesanal. “Nossa função não é vender, é fazer demonstração, curso de capacitação, degustações. Desenvolvemos a tecnologia e a apresentamos em feiras e eventos. Com as carnes, por exemplo, nós avaliamos a genética do animal e os cruzamentos, mirando o produto”, explica Wandrick.

Buchada sem linha – As pesquisas da Emepa são inúmeras. Os conhecimentos obtidos na área da caprinovinocultura dariam excelentes resultados até para a indústria. As descobertas adquiridas nas pesquisas são transferidas, sem custos, para empresas e a população em feiras e exposições. Uma experiência exitosa foi o preparo da buchada sem linha. “No lugar do fio, que muitos não gostam e atrapalha a degustação, utilizamos a própria tripa do animal”, explica Wandrick.

Entre os estudos e oficinas já apresentados estão “Cortes comerciais da carcaça de ovinos e caprinos”; “Pertences caprinos para feijoada”; “Buchada caprina”, e “Queijo caprino tipo coalho condimentado com cumaru”.