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Emepa investe em pesquisa com ovinos Santa Inês para desenvolver a ovinocultura de corte

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 - 14:01 - Fotos: 

Os ovinos da raça Santa Inês no Brasil apresentam importante papel no contexto da diversidade genética dos pequenos ruminantes no semiárido. Com esse entendimento, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) está desenvolvendo uma pesquisa, financiada em 99 mil reais pelo CNPq, com o objetivo de recuperar as características de origem da raça, estabelecer um padrão de produção que agregue maior valor comercial e estimular a demanda.

A raça Santa Inês foi formada no Nordeste brasileiro na década de 50 e 60, através do cruzamento de animais que vieram da África e Europa. O rebanho, nascido desses cruzamentos, não tinha pelagem e apresentava maior adaptabilidade produtiva e reprodutiva ao clima seco do semiárido. Mas, a partir da década de 1990, o uso indiscriminado de cruzamento com raças de grande porte, especializadas para lã e carne, ocasionou uma redução drástica na população de ovinos Santa Inês tradicional, ameaçando a variabilidade e a base genética inicialmente formada.

Segundo Wandrick Hauss de Sousa, diretor técnico da Emepa e coordenador do projeto, foi feita uma análise genética dos rebanhos na primeira etapa da pesquisa, quando foi possível identificar pelo pedigree e por uma análise fenotípica características do Santa Inês tradicional existente na década de 1980.

“Queremos manter essas particularidades da raça para manter um grau de eficiência produtiva e reprodutiva. Esperamos que em quatro anos possamos fixar uma característica diferenciada da outra linhagem. Entretanto, as características de carcaça já começam a se diferenciar, apresentando menos gordura e um sabor mais refinado. Com essa pesquisa, a pele também será mais valorizada. Pois é um produto bastante disputado no mercado internacional, sendo importante na fabricação de roupas, casacos, luvas, películas, sapatos, etc. Já os animais nascidos através de cruzamento com animais lanados, apresentam uma pele de menor qualidade”, comenta Wandrick Hauss.

A importância de recuperar e resguardar esse material genético está centrada no potencial econômico dos seus produtos e sua utilização para fins científicos. Os ovinos Santa Inês servem de base para produção de carne no Brasil. O alto valor adaptativo dos ovinos deslanados (sem lã) nesta região, representado por sua taxa reprodutiva e sobrevivência das crias, coloca esses animais em posição estratégica, que pode ser utilizada em futuros programas de melhoramento genético.

Para Manoel Duré, presidente da Emepa, o CNPq tem sido um grande parceiro em pesquisa e, por meio do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), através do edital que tinha como objetivo identificar alternativas de genótipos adaptado de animais e plantas para o semiárido, foi possível realizar esse trabalho, que terá continuidade nos próximos anos.