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Emepa acerta a importação de 2 mil embriões da África do Sul, em 2010

terça-feira, 22 de dezembro de 2009 - 17:40 - Fotos: 

O Governo da Paraíba começa a concretizar a meta de recuperar o plantel estadual de caprinos e ovinos e ampliar o banco genético com quatro raças específicas para a produção de leite e de carne. Essa conquista agora está bem mais próxima com o regresso da comissão de pesquisadores que o Estado enviou à África do Sul, e que visitou 10 fazendas e percorreu nove mil quilômetros.

A Paraíba deve importar dois mil embriões em duas remessas no primeiro semestre do próximo ano, para que no final de 2010 os criadores venham a ser contemplados com os produtos das pesquisas.

Resgate da atividade – O pesquisador Wandrick Hauss de Souza, que esteve no país africano, lembrou que o governador José Maranhão, ao assumir o Governo em fevereiro deste ano, determinou ao secretário do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Ruy Bezerra Cavalcanti, que planejasse a retomada do programa de fortalecimento da caprinocultura na Paraíba, à época sem nenhum investimento. Coube ao presidente da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (Emepa), José Costa, definir imediatamente o projeto com essa finalidade.

O cronograma de aquisição desses embriões, conforme Hauss, vencidas as exigências operacionais e sanitárias, prevê para junho próximo a chegada do primeiro lote e o restante entre setembro ou outubro. Os trabalhos de inseminação serão realizados na Estação Experimental de Pendência, no município interiorano de Pendência.

Recursos – Como parte do processo de retomada do crescimento da cadeia produtiva da caprinocultura, já existem dois projetos de repasses de recursos aprovados, sendo um do Governo Federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e outro do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), que garantem a importação de dois mil embriões, que devem gerar animais destinados à produção de carne e ao aumento da bacia leiteira.

“A importação dos embriões vai fortalecer a genética de caprinos e ovinos da Paraíba, retomando o programa que foi encerrado ao final do segundo mandado do governador José Maranhão”, afirmou Wandrick Hauss. Ele explicou que dois técnicos da Emepa foram até a África selecionar e cadastrar as matrizes e reprodutores dos quais serão doados dos embriões que o Governo da Paraíba vai adquirir.

Qualidade – Ao contrário das duas importações anteriores, os embriões de agora servirão especificamente para melhorar a qualidade do rebanho leiteiro, especificamente das raças caprinas de corte boer, savana e de leite alpina britânica e saanen, além de ovinos das linhagens dorper e damara. “Fora inspecionados mais de dois mil e 500 animais, e a partir daí selecionados o banco de dados com 780 doadoras e 32 reprodutores de alto valor genético, animais jamais disponibilizados para o Brasil”, explicou.

O pesquisador destacou que o acesso a esses animais está sendo possível graças ao bom relacionamento que a Emepa tem com criadores sul-africanos, todos firmando compromissos de disponibilizar os melhores animais deles para produzir os embriões. “Foi uma viagem bastante proveitosa, porque além desses contatos permitiu a visitação a frigoríficos, dando oportunidade de conhecer a gestão desses estabelecimentos”, informou.

Frigoríficos – Como parte do programa de recuperação da caprinocultura, o Governo do Estado vai estimular a instalação de dois frigoríficos, com a participação do Sebrae-PB, mas ainda está precisando de uma definição de seus dirigentes. “Com o incremento desse programa, será possível ter suporte para atender a demanda dos frigoríficos e ao fornecimento de leite, pois existe uma proposta de que o Estado adquira 30 mil litros de leite de cabra diários”, comentou.

O olhar se volta assim para a consolidar a implantação e funcionamento desses dois frigoríficos na Paraíba, sendo um do setor privado e outro construído com recursos públicos, que devem ser inaugurados em 2020, e o seu perfeito funcionamento depende de produtos para que sejam abastecidos.

Distribuição – O pesquisador explicou que a segunda importação de embriões será destinada mais a associações de criadores que, em forma de comodato, vão receber os animais com acompanhamento da Emepa, de modo que essa genética chegue a todos os recantos da Paraíba. “E que todos tenham um bom proveito desse material. Será uma gestão compartilhada. Todos estarão envolvidos para que essa genética não saia de imediato da Paraíba, mas contemple os produtores paraibanos”, comentou.

O primeiro lote de embriões, que deve chegar no final do primeiro semestre de 2010, será implantado em matrizes previamente selecionadas e depois na época apropriada chegará aos criadores. Uma parte também vai ser duplicada em laboratório de reprodução para uma ação continuada desse programa.

José Nunes, da Secom-PB