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Embrapa assegura que revitalizar cultura do algodão na Paraíba é viável

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 17:56 - Fotos: 

A revitalização da cultura do algodão é economicamente viável conforme estudos efetuados pela Embrapa Algodão, em Campina Grande, depois de analisar todos os fatores da cadeia produtiva (produção de sementes, manejo agrícola, mercado etc). Com base nesta conclusão, agora em janeiro o Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca (Sedap), vai disponibilizar 150 toneladas de sementes selecionadas da variedade BRS 8H para cerca de 10 mil pequenos produtores rurais que aderiram ao Programa do Seguro Safra.

A expectativa em 2010 é a de que a produção de algodão herbáceo cultivado em sequeiro tenha uma área plantada de 20 mil hectares, com rendimento médio oscilando entre 1.200 kg e 1.500 kg por hectare.

Zoneamento – O secretário Ruy Bezerra Cavalcanti Júnior explicou que o zoneamento agrícola, estabelecido pela Portaria Nº 270 (06/11/2009) do Ministério da Agricultura, será respeitado pois o órgão federal exerce grande controle sobre esta recomendação que também é seguido pelos agentes financeiros.

Na compra das sementes foram aplicados R$ 972.800,00, oriundos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza da Paraíba (Funcep-PB). O secretário informou que a Empresa Paraibana de Pesquisa Agropecuária (Emepa) conseguiu produzir 50 toneladas de sementes selecionadas de algodão herbáceo em 2009 e o agricultor que obtiver a semente deve restituir em dobro a quantidade recebida.

Qualidade melhor – A produtividade agrícola da Paraíba, em relação a outros estados produtores de algodão, é menor, mas o custo de produção é inferior, porque há menos aplicação de defensivos agrícolas, o que também resulta num cultivo agroecológico, pois o número de pulverizações contra o bicudo é menor. Além disso, a qualidade do algodão colhido é melhor, com menos impurezas e isso é importante para a indústria, pois para o maquinário atual está adaptado para fibras com 32 a 34 milímetros, mas não aceita bem os resíduos.

Outros derivados que devem ser obtidos com a produção maior é o grão para a elaboração de biodiesel e a torta de algodão usada na alimentação do gado. Atualmente, o mercado remunera a rama em R$ 1,10.

Causas do declínio – A Paraíba já chegou a produzir cerca de 700 mil toneladas de algodão, mas a partir dos anos 80 a cultura sofreu forte declínio, inicialmente em decorrência da praga do bicudo, e depois por conta do elevado endividamento dos produtores rurais, que perderam safras por questões climáticas.

Outro fator que levou o agricultor paraibano a se afastar da cultura algodoeira foi a concorrência internacional com o algodão vindo de países como o Kazaquistão e Paquistão, que subsidiam os preços dos produtos comercializados com prazo de um ano para pagamento, sem juros. Por fim, questões relativas à tecnologia de manejo agrícola prejudicaram a produção.

A Embrapa Algodão em Campina Grande estudou todos esses fatores e desenvolveu um sistema de produção para viabilizar economicamente a cultura, com pesquisas que levaram à obtenção de variedades precoces e melhor produtividade, superando a praga do bicudo mediante um acompanhamento rigoroso do manejo agrícola e o encurtamento do ciclo produtivo.

Disponibilização de sementes

Período                                            Região
25 de janeiro a 12 de fevereiro           Sertão
1º de fevereiro a 12 de fevereiro         Cariri e Seridó
1º de março a 12 de março                 Campina Grande e Brejo
15 de março a 26 de março                Agreste e Litoral

Naná Garcez, da Secom-PB