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Emater realiza seminário em parceria com a Sedap para desenvolver ações de artes

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 - 15:38 - Fotos: 
Serão encerradas nesta sexta-feira (11), no município do Conde, Litoral Sul paraibano, as ações do Programa de Assistência Técnica, Social e Ambiental (Ates), numa parceria da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater- PB), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer).

Durante o seminário, realizado na pousada Enseada do Sol, entre os dias 9 e 11 de dezembro, foram apresentadas as ações de Artes desenvolvidas pelos técnicos da Emater em favor das 1.315 famílias das 25 áreas de assentamento beneficiadas pelo Programa em dez regiões administrativas da empresa em vários pontos do Estado.

Em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap) foram realizados cursos/oficinas para 3.471 assentados nas áreas de agricultura, pecuária, meio ambiente, recursos naturais, bem estar-social, economia e organização rural, dando todo o suporte técnico e gerencial necessário a sustentabilidade das famílias assistidas pelo programa.

Para o presidente da Emater, Hermano Araújo, as ações de Ates na Paraíba têm melhorado sensivelmente a vidas das famílias assentadas. Os extensionistas priorizam atividades não agrícola, como artesanato, buscando descobrir e potencializar as vocações e aptidões dos assentados para gerar ocupação e renda.

Durante a vigência do convênio Emater/Incra/ Asbraer foram ministrados cursos de capacitação em pintura, bordado, crochê, bijouteria e indústria rural caseira para fabricação de doces, licores, cocadas, bolos, biscoitos, entre outros produtos.
             
Habilidades – Os municípios de Lucena e Mogeiro serviram de exemplo para as demais regiões do Estado. Lá, os jovens e mulheres rurais despertaram para o artesanato e, além de aperfeiçoarem suas habilidades, garantiram oportunidade de trabalho e renda em seus municípios.

Afora outras atividades difundidas pelo programa de Ates em Lucena e Mogeiro, grande parte dos assentados valorizaram o potencial para a confecção de redes de dormir e bordado em ponto cruz.  Em grupos de produção, eles comercializam seus produtos em seus municípios e cidades vizinhas.

Para a gerente de Ates na Paraíba, Keila Deininger Leal, além do ganho econômico, as mulheres participantes do programa descobriram o seu potencial criativo, o que melhorou sensivelmente a autoestima. Ela informou ainda que até o final deste mês ainda haverá cursos de capacitação para as famílias assentadas em agricultura orgânica, artesanato e associativismo.

Além da Paraíba, as ações do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental beneficiaram os estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Amazonas. Vale ressaltar que o nosso estado foi o único contemplado na região Nordeste.  Na Paraíba, os recursos aplicados foram da ordem de R$ 3. 889.200,00.

Experiências – No assentamento de Fazenda Campos, no município de Salgado de São Felix, região administrativa da Emater em Itabaiana, um grupo de 28 mulheres, de faixas etárias diversas, já está conseguindo lucrar com seu trabalho e complementar o rendimento de suas famílias.

A comunidade é beneficiada com assessoria social da Emater, por meio do convênio com o Incra e a Asbraer, e desde agosto a extensionista social da empresa, Ângela de Cássia Cavalcante, desenvolve a atividade do artesanato na área. Ela explica que o primeiro passo para a capacitação foi fazer uma reunião visando descobrir as possíveis potencialidades da região. Com esse diagnóstico, elas puderam verificar que o assentamento tinha potencial para o artesanato, pois algumas destas mulheres já trabalhavam com crochê, tricô e cerâmica.

As oficinas começaram a ser realizadas com o ensinamento de técnicas de fuxico, com aplicação em presilhas de cabelo, conjuntos de cozinhas, chaveiros, grinaldas, guirlandas, eco-bags, sandálias customizadas, dentre outras peças que já estão sendo vendidas no próprio assentamento e comunidades vizinhas.

“Com essas oficinas, as mulheres que já produziam algumas peças de artesanato mas não tinham facilidade de expandir, inovar e acrescentar outras técnicas a suas peças e as que não faziam nenhuma atividade extra, estão tendo a oportunidade de diversificar sua produção e lucrar com a atividade”, destacou Cássia.

A primeira etapa da produção foi confeccionada com os recursos recebidos do convênio, a partir da venda das peças elas estão dando continuidade ao trabalho, comprando o material por conta própria e comercializando tanto na zona rural quanto na cidade. “As peças produzida por elas estão tendo uma aceitação muito boa, pois são bem feitas”, afirmou.  

A extensionista Cássia acompanha a evolução das mulheres naquela comunidade e quatro meses depois do início do curso destaca a elevação da autoestima entre elas. “No começo a dificuldade maior era reuni-las, por causa da distância de suas casas e dos seus afazeres, mas no decorrer do curso descobriram que é importante valorizar uma atividade que gera uma segunda renda para elas”, disse, acrescentando que, com esses encontros que acontecem duas vezes por semana, essas mulheres redescobriram o potencial humano que existe nelas, devido à valorização que as pessoas dão ao seu trabalho.

Maria Emília Carneiro, 28 anos, conta que aprendeu várias técnicas artesanais e nas horas vagas chega a produzir cerca de 60 peças por mês, que varia entre presilhas de cabelo e chaveiros. Sua produção já esta ganhando outros mercados, como a feira de Alagamar e de Salgado de São Felix. “As pessoas admiram meu trabalho, daí pedem para eu fazer e faço ao gosto do cliente”, revelou Emília.

A artesã e também compositora, Maria Francisca da Silva, de 55 anos aprendeu com sua mãe a trabalhar com o barro e a cerâmica. Desde criança produz panelas, potes, jarros e tigela que são vendidos na própria comunidade. Depois do curso, ela aperfeiçoou seu trabalho e agora está produzindo peças de decoração como esculturas de pescadores e sertanejos.

A experiência de trabalho em grupo despertou nessas mulheres o interesse para o associativismo e mostraram empenho em organizar uma associação, para e vender seus produtos.  

Da Assessoria de Imprensa da Emater PB