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17 de junho de 2009

Emater destaca projetos de sucesso com agricultura familiar na Paraíba



A aplicação eficiente de crédito do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) do Ministério do Desenvolvimento Agrário tem gerado uma série de experiências de sucesso entre agricultores familiares de vários municípios paraibanos, todos assistidos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), seguindo orientações da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca (Sedap), à qual o órgão é vinculado.

A história de Antônio Ambrósio Dantas, morador do entorno da cidade de Nova Floresta, localizada na região administrativa de Picuí, no Curimataú paraibano, é um bom exemplo. Beneficiado com investimentos do Pronaf C, o horticultor, que antes trabalhava em um lote urbano na periferia do município, hoje gerencia o seu próprio negócio e dele tira o sustento da família e mantém dois filhos numa universidade.
 
Em apenas um hectare, ‘seu’ Antônio cultiva 16 tipos de hortaliças como couve, cebolinha, pimentão, cenoura, beterraba, alface, brócolis, espinafre, cenoura e rúcula e vende diretamente aos consumidores de Nova Floresta, Cuité e Picuí. O excedente da produção é comercializado no vizinho Estado do Rio Grande do Norte, especialmente nos municípios de Jaçanã e Santa Cruz. Ele possui também uma pequena área, onde planta macaxeira para complementar a alimentação da família e o restante é vendido no próprio município.

Além de ocupar toda a mão-de-obra familiar no canteiro ‘Cheiro Verde’, como é denominado o plantio de hortaliças, ‘seu’ Antônio conta com a ajuda de quatro jovens rurais, que trabalham pela manhã e estudam à tarde. Ele declarou que a assistência técnica prestada pela Emater faz toda diferença. “Sem as orientações dos extensionistas da Emater eu não teria alcançado todo esse progresso”, afirmou.

Renda garantida – Outro agricultor familiar de sucesso, também de Nova Floresta, é Francinaldo Santos Cruz, do Sítio Flores de Cima. Beneficiário do Pronaf grupo C, ele começou com plantio de um hectare de maracujá e hoje já conta com três, ou seja, sua área foi aumentada em 200%, o que lhe assegura renda anual constante, pois sempre há uma área em produção no primeiro, segundo e terceiro anos. Além disso, cultiva 1,5 hectares de feijão ‘carioquinha’ (como é conhecido popularmente o tipo phaseolus).

Entusiasmada com o progresso do marido, dona Maria das Dores resolveu investir também e aderiu ao Pronaf C Mulher para financiar aquisição de ovelhas. Desistiu e migrou para criação de suínos. Hoje, conta com 12 animais, entre eles, duas matrizes. Tanto vende os filhotes, como destina os adultos para o abate. Enquanto ‘seu’ Francinaldo cuida da agricultura, ela trata do rebanho suíno e assim garante oportunidade de trabalho, renda e, consequentemente, melhoria na qualidade de vida da família.

Esses projetos foram elaborados pelo extensionista Audivan Azevedo e são assistidos pelo técnico Rui Medeiros, ambos da equipe da Emater de Nova Floresta, e essas iniciativas contribuem de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida dos agricultores de base familiar do município.

Outros depoimentos – No município de Parari, região administrativa de Serra Branca, no Cariri Paraibano, há vários agricultores de base familiar bem sucedidos. Quatro deles confirmaram a elevação do padrão de vida, a partir da nova experiência: Lúcio Flávio, Roberto Carlos, Joseildo Queiroz e José Costa. Todos eles estão satisfeitos com a mudança que está ocorrendo em seu cotidiano.

Desestimulado e sem recursos para tocar seu negócio com avicultura alternativa, Lúcio Flávio, que reside no sítio Campo Grande, suspendeu a atividade por um bom tempo. Com a adesão ao Pronaf C, hoje trabalha com bovinocultura de leite e caprinocultura. Toda a produção de leite de cabra vai para o tanque de resfriamento da cidade, onde é comercializada para o Programa Leite da Paraíba do Governo do Estado. Já o leite de vaca é transformado em queijo e doce de leite, vendidos diretamente ao consumidor do município e de cidades vizinhas.

Com recursos do Pronaf, Lúcio conseguiu também reativar a atividade avícola e conta atualmente com dois galpões povoados. Em parceria com um primo, que também mantém dois galpões de aves, garante uma produção continuada, abastecendo o abatedouro do município. Além dos vários bens materiais conquistados, ele se diz muito feliz por oferecer uma vida melhor para a sua família e ainda poder reestruturar a sua propriedade que hoje conta com poço tubular, garantindo água de boa qualidade ao consumo humano e animal; depósito de forrageira, currais de bovino e caprino com plataforma de ordenha e armazenamento de forragem em silo-trincheira.

Beneficiário do Pronaf C, o agricultor Roberto Carlos, residente no Sítio Ramada, trabalha com apicultura e caprinocultura, atividades que lhe permitem sustentar a família com dignidade. Com orientações da Emater, ele e outros produtores trabalham na divulgação do feno de maniçoba, planta abundante na região e que não era aproveitada na alimentação animal por falta de conhecimento dos próprios criadores.

Ele declarou que a sua vida melhorou bastante. Com a venda de mel de abelha e de leite de cabra já conseguiu reformar a casa, trocar de carro e, o mais importante, seu irmão que trabalhava em são Paulo como porteiro de edifício voltou para casa e hoje sobrevive como todos na propriedade da família.

Morador do sítio Campo Grande, o pronafiano Josildo Queiroz também sustenta a família com a criação de cabra, fornecendo leite para o Programa Leite da Paraíba. Seu rebanho atual é de 25 cabeças.

A exemplo de Josildo, o produtor José Costa, do Sítio Jaramataia, fornece leite de cabra para o Programa Leite da Paraíba e uma cooperativa. Em parceria com outro agricultor, ele trabalha com apicultura e é beneficiário do Programa Territórios da Cidadania do Cariri. Satisfeitos com as suas atividades, eles afirmam que o segredo do sucesso alcançado “foi aplicar o dinheiro do Pronaf corretamente, seguindo as orientações da Emater”.

Em Lagoa Seca – Outra história de sucesso promovida pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar acontece desde 2005, no município de Lagoa Seca, região administrativa de Campina Grande, onde reside a família do agricultor Ednaldo Araújo. Cansado de trabalhar na roça, ele decidiu que queria melhorar de vida e com sua esposa, dona Mônica, resolveu fabricar polpa de fruta, influenciado pela abundância de frutíferas da região.

Apesar do intenso trabalho, que começava às l4h da tarde e entrava pela madrugada, conseguiam fabricar em torno de 10 quilos de polpa, ou seja, apesar de toda a luta o rendimento era pequeno. Foi aí que ‘seu’ Ednaldo teve a idéia de procurar a Emater e fez uma proposta para adquirir um liquidificador industrial e um freezer. Só que logo em seguida ele desistiu do projeto.

Como não conseguia meios para tocar o seu negócio, voltou à Emater e aderiu ao Pronaf B, que já acessou por duas vezes e agora migrou para o grupo C. Para incrementar o empreendimento, incluiu a sua esposa no Pronaf C Mulher. Desde então, a sua fabricação de polpa não parou mais de crescer. Hoje, em menos de uma hora, produz mais de 100 kg de polpa para abastecer restaurantes populares e a merenda escolar do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal.

Além de adquirir diversos bens materiais, dentre eles casa e carro, ‘seu’ Ednaldo construiu um galpão de fábrica e ampliou a sua infraestrutura com aquisição de dez freezers e uma câmara fria para o armazenamento de frutas e polpas.

Lourdinha Araújo, da Assessoria de Imprensa da Emater-PB