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7 de fevereiro de 2012

Documentário encerra programação alusiva ao Dia da Visibilidade Trans



A programação educativa e cultural alusiva ao Dia da Visibilidade Trans, organizada pela Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (Semdh), foi encerrada nesta terça-feira (7), com a exibição do documentário “Diário de Márcia”, sobre a trajetória de vida de Márcia Gadelha, servidora pública transexual. A atividade foi acompanhada de um debate sobre “A transexualidade e o serviço público: o uso do nome social”.

O evento, realizado em parceria com a Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), reuniu, na sede do órgão servidores e usuários do órgão, representantes das secretarias e entidades estaduais e municipais, além de travestis, transexuais, representantes do movimento LGBT e usuários do Centro de Referência dos Direitos de LGBT e Combate à Homofobia da Paraíba (Espaço LGBT).

Apos a apresentação do curta-metragem, dirigido pelo cineasta paraibano Bertrand Lira, a protagonista, que hoje atua como pedagoga da Funad e é cerimonialista na Câmara Municipal de João Pessoa, falou sobre a luta para superar preconceitos. “O filme mostra as dificuldades que enfrentei durante toda a minha vida para ser aceita pela família, na escola e, posteriormente, no trabalho. Hoje acredito que uma das principais dificuldades dos transexuais e travestis é conseguir inserção no mercado de trabalho, porque a categoria ainda é muito relacionada à prostituição”, relatou.

Para a presidente da Funad, Simone Jordão de Almeida, a parceria com a Semdh foi muito pertinente. “Também fazemos parte da luta pelos direitos humanos,contra a discriminação e peça inclusão social. Acredito que Márcia seja a única servidora pública transexual no poder público, em atividade, mas já percebemos que o Estado começa a avançar diante de um quadro de exclusão histórica”, disse.

A gerente executiva de Direitos Sexuais e LGBT da Semdh, Roberta Schultz, destacou que o governo avança na promoção de políticas públicas para a população LGBT quando dá visibilidade ao debate na instituição pública e nos espaços sociais. “Há um número alto de travestis e transexuais que deixam de utilizar um serviço de saúde por medo de constrangimento”, afirmou.

 

De acordo com Roberta, a secretaria conseguiu divulgar, com êxito, a portaria do Governo do Estado que assegura o direito ao tratamento nominal e à inclusão do nome social de travestis e transexuais em todos os procedimentos, atos e registros estaduais relativos a serviços públicos prestados em âmbito estadual. “No entanto, para que a implementação desse direito ocorra de fato, contamos com o apoio de todos os gestores e gestoras do poder executivo estadual”, enfatizou.

Carnaval consciente – Durante o evento desta terça, foi divulgada a Campanha do Carnaval 2012, criada pelo Ministério da Saúde com foco nos jovens gays, de15 a 24 anos.  Sob o tema “Na empolgação pode rolar tudo. Só não rola sem camisinha. Tenha sempre a sua”, a campanha inclui a distribuição de preservativos e a veiculação de propagandas segmentadas, voltadas também para o público homossexual.

Este ano, pela primeira vez o ministério preparou um material específico para travestis. “Distribuiremos, em toda a Paraíba, cinco milhões de preservativos e 150 mil sachês de lubrificante nos serviços de saúde dos municípios e na passagem dos principais blocos carnavalescos. Qualquer cidadão pode ir aos postos de saúde e pegar a quantidade do material de prevenção que precisa, sem nenhum tipo de burocracia”, disse a gerente operacional DST/Aids e Hepatites Virais da Secretária de Saúde do Estado (SES), Ivoneide Lucena Pereira.

Segundo ela, a campanha será veiculada a partir de agora, para conscientizar sobre a importância do uso do preservativo; depois, será retomada no período pós-Carnaval, para informar sobre os procedimentos para teste e diagnóstico da Aids. “Essa última etapa recebeu o nome de ‘Fique Sabendo’”, informou.