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Doadores de medula com receptores de outros países fazem nova coleta de sangue no Hemocentro de Campina

segunda-feira, 13 de abril de 2015 - 16:29 - Fotos: 

O Hemocentro Regional de Campina Grande possui atualmente quase 25 mil doadores de medula óssea cadastrados. Neste ano, já foram registrados dois casos em que os doadores compatíveis eram da própria família dos receptores e três casos com receptores residentes em outros países. Nesta segunda-feira (13), mais dois doadores compareceram ao Hemocentro para fazer uma nova coleta de amostras de sangue, que serão encaminhadas para exames de alta resolução nos países aonde residem os receptores e somente quando a transportadora vier buscar as amostras será possível saber quais são os países.

O primeiro caso de doador internacional de medula óssea deste ano foi registrado em fevereiro, quando o professor José de Arimatéia de Oliveira, de 33 anos, que mora no município de Lagoa Seca, foi informado pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) de que é compatível com uma pessoa que reside na Grécia.

Quando compareceram ao Hemocentro nesta segunda-feira (13), o odontólogo Rainier Almeida de Medeiros, de 32 anos, que reside em Campina Grande, e a professora Marcela Silva Santos, de 33, que mora em Barra de Santa Rosa, se disseram surpresos pelo fato de terem sido informados da compatibilidade, principalmente por se tratarem de receptores de outros países.

Rainier e Marcela fizeram o cadastro como doadores de medula óssea em 2011, por conta de campanhas realizadas para identificar doadores compatíveis com pessoas conhecidas deles. À época, a compatibilidade não foi detectada, mas eles passaram a fazer parte do Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que é controlado pelo Inca. A probabilidade de encontrar um doador dentro do país é de um a cada cem mil casos e em casos fora do país a chance aumenta de uma para cada 1,1 milhão de pessoas.

Para aumentar o número de cadastrados, os profissionais do setor de Medula Óssea do Hemocentro realizam permanentes campanhas e palestras para esclarecer dúvidas que as pessoas ainda possuem em relação à doação de medula óssea. O cadastramento é feito através do preenchimento de um formulário com dados pessoais e a coleta de aproximadamente 5 ml de sangue.

O doador de medula óssea pode ter entre 18 a 55 anos de idade e a única contraindicação é que a pessoa seja portadora ou já tenha tido câncer, conforme informou a assistente social Marilana Abrantes. O sangue será tipado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas, e passa então a constar no Redome, onde as informações dos doadores e pacientes são cruzadas.

O transplante de medula óssea é o tratamento utilizado para doenças que afetam as células do sangue, como a anemia aplástica grave, mielodisplasias e em alguns tipos de leucemias, como a leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica e leucemia linfoide aguda. O cadastro do doador de medula óssea é feito durante a doação de sangue, quando após autorização são colhidos 5 ml do sangue, além de informados os dados pessoais.

Quando há um paciente compatível, são realizados outros exames e, caso a compatibilidade seja confirmada, o doador será consultado para confirmar se deseja fazer a doação da medula óssea, que pode ser feita de duas formas, conforme a avaliação do médico. No primeiro caso, o doador é anestesiado em centro cirúrgico e a medula é retirada do interior dos ossos da bacia por meio de punções de agulhas. O doador retorna às suas atividades uma semana depois.

O segundo procedimento chama-se aférese, quando o doador toma um medicamento que faz com que as células da medula óssea sejam levadas para a corrente sanguínea. As células são liberadas pelas veias do braço do doador, com o uso de uma máquina de aférese. Em ambos os casos, a medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias.