João Pessoa
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Dirigente da Sociedade Yurobana Teológica é recebido pelo governador no Palácio

terça-feira, 17 de novembro de 2009 - 21:20 - Fotos: 

O governador José Maranhão recebeu, no final da tarde desta terça-feira (17), o presidente Nacional da Sociedade Yurobana Teológica de Cultura Afro-Brasileira (sediada no Rio de Janeiro), Eduardo Fonseca Júnior, e comitiva formada pelo presidente da Federação Cultura Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema, Pai Beto, além de outras representações do umbandismo do Estado, no Palácio da Redenção, em João Pessoa. Ele agradeceu a iniciativa do governador, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), em realizar o tombamento do Sítio de Acais, no município de Alhandra.

Ao sair da audiência com o governador, Eduardo Fonseca ressaltou o tombamento era esperado há 35 anos. “O governador disse que vai abraçar a causa do povo, da defesa do princípio ativo das ervas fitoterápicas, que são roubadas pelos laboratórios e são do conhecimento exclusivo dos indígenas e dos umbandistas de jurema, que vivem na terra”, comemorou.

O tombamento foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Iphaep e é o primeiro em solo paraibano sob a guarda das religiões de matriz afro-indígena-brasileira e que há muito tempo era solicitado por essas religiões. Na sexta-feira (13), o presidente do Iphaep, professor Damião Ramos recebeu a comitiva e fez questão de destacar a repercussão do ato do governador na comunidade afro-brasileira. “Quando o governador me nomeou para o órgão percebi que alguns processos estavam com um certo retardo e, dentre eles, o tombamento do sítio o qual os umbandistas de jurema lutavam há mais de 35 anos para que tivesse esse destaque”, observou.

Já o Pai Beto destacou que o tombamento é fundamental para todo os juremeiros. “A jurema é uma religião que avançou a fronteira de todo Brasil e o Acais é um solo sagrado onde viveram mestres e mestres que curavam e prestavam um serviço social, através da força espiritual e, ao morrerem, o solo foi considerando sagrado”, explicou Beto, que este ano recebeu o título de ‘Guardião da Jurema Sagrada’. Ele disse ainda que a inciativa do governador é muito importante. “Nossa religião vive um momento único, estamos sendo assistidos pelos poderes e o apoio do Governo do Estado é de extema importância para nós”.

O lugar – O Sítio Acais, nos últimos 30 anos, foi habitado por antigos benzedores e juremeiros como Maria do Acais, Zezinho do Acais e Mestre Flósculo, que eram visitados e solicitados por pessoas de todas as partes do mundo para realizarem trabalhos de cura.

O tombamento desse sítio é considerado histórico em função da luta travada por umbandistas, juremeiros e juremaeiras de todo Brasil, desde a década de 70, e por ser também o primeiro tombamento em solo paraibano sob a guarda das religiões de matriz afro-indígena-brasileira. As terras passaram de geração em geração, até que foram vendidas. Desde então, o sítio tem sido alvo de destruição da memória dos juremeiros e da cultura paraibana em sua essência.

Gledjane Maciel e Mônica Nóbrega, com fotos de Ernane Gomes, da Secom-PB