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Dia do Livro Infantil é celebrado durante lançamento na Casa de José Américo

sexta-feira, 29 de abril de 2011 - 17:20 - Fotos:  Secom-PB

Professor Simão Farias lança livro sobre uma obra de Monteiro Lobato. Foto: Secom-PB

O lançamento sobre uma obra de Monteiro Lobato, nesta quinta-feira (27), na Fundação Casa de José Américo, serviu também para homenagear o “Dia Nacional do Livro Infantil”, que aconteceu no último dia 18 de abril, coincidindo com o natalício do escritor.

O livro ‘Monteiro Lobato e a problemática da nação: um projeto dialógico e negociado’, de autoria do pesquisador e professor universitário Simão Farias Almeida, é fruto de uma dissertação de mestrado, concluída na UFPB, que trata da novela de aventuras ‘A Chave do Tamanho’, considerada polêmica e publicada durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante o seu discurso, fazendo um paralelo com o cenário político nacional, Simão ressaltou que Monteiro Lobato continua muito atual pela crítica que ele fez ao atraso brasileiro, pela campanha do petróleo e por apontar as relações político-econômico do capitalismo internacional.

Também para marcar o evento, o autor convidou a professora Neide Medeiros Santos, professora da UFPB e especialista em literatura infantil, para apresentar a obra. Representando o secretário de Cultura, Chico César, o professor José Octávio Arruda Melo ressaltou a importância de se divulgar esta obra nas escolas.

O autor considera que o livro é uma boa pedida para professores,  bibliotecários, amantes da literatura, filhos e netos de Lobato. Segundo ele, ‘A Chave do Tamanho’ trata do universo fantástico e realista criado por Monteiro Lobato. Nesta obra de 1942, os personagens do Sítio ficam divididos em torno de um projeto para um mundo sem guerras. Emília tenta acabar com o conflito armado abaixando a chave da guerra, porém, ela escolhe a chave errada, reduzindo o tamanho da humanidade em 40 vezes, provocando novos problemas como a falta de perspectiva de vida diante do ataque dos insetos. Os personagens então votam num plebiscito pela permanência da situação tão trágica quanto a guerra ou pela volta do tamanho da humanidade.

“Trata-se de uma alegoria literária tão fantástica quanto trágica e realista, uma alegoria da nação brasileira durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. Emília e Dona Benta aparentam ser democráticas para não se revelarem implicantes e autoritárias na disputa dos votos de outros personagens no plebiscito. Visconde, como o intelectual do grupo, muda de opinião para não ser pau-mandado de Emília, representando o livre exercício do pensamento”, afirma Simão Farias.

Ele chama atenção para a mudança sofrida pela personagem boneca na obra. “Ela já foi panfletária do progresso, mas em ‘A Chave do Tamanho’ defende as aventuras sem pensar na tragédia do fim do tamanho, que está muito distante do progresso. Na verdade, ela quer defender uma ordem mundial que ela criou. Neste ponto, ela continua vaidosa e geniosa”.