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5 de dezembro de 2012

Detentas participam do segundo dia de provas e acreditam em boa pontuação no Enem



Nesta quarta-feira (5), 260 detentos se submeteram ao segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 16 unidades prisionais da Paraíba. A atividade foi possível devido à parceria entre as Secretarias de Estado da Educação (SEE) e da Administração Penitenciária (Seap), Governo Federal e Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A Fundação Cesgranrio foi a responsável pela aplicação das provas que abordaram hoje questões de matemática, línguas e códigos, além da redação, com duração de cinco horas e meia. O resultado individual do Enem específico para as pessoas privadas de liverdade deverá ser divulgado no dia 28 de dezembro.

Para a diretora do Centro de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, Cinthya Almeida, a oportunidade estimulou as detentas voltarem à sala de aula. “Oferecemos diariamente aulas de ensino fundamental e médio, além da nossa sala de leitura que possibilitam as detentas a estudarem mais. Tudo isso contribuiu com seus respectivos planos para o futuro e realização dos sonhos. Isso é animador, tanto para elas quanto para nós”, destacou.

P.L.F, 28 anos, está presa por tráfico de drogas e fez o Enem pela primeira vez. “A prova não estava num nível fácil, mas consegui fazer bem a de matemática, química e inglês. Na cela tenho um livro de inglês que eu gosto muito e me ajudou bastante. Agora é esperar por uma boa pontuação”, afirmou, contando que pretende cursar Letras quando conseguir a liberdade.

A gerente de Ressocialização da Seap, Ziza Maia, destacou o aumento da participação dos detentos na prova do Enem neste ano. “Durante todo o ano trabalhamos desenvolvendo a educação e hoje temos mais de 1.400 alunos estudando, o que incentivou para que realizassem as provas”, disse.

Outro estímulo aos detentos é o aproveitamento da nota do Enem para conclusão do Ensino Médio e a progressão da pena. “O Enem prisional foi aplicado separado do convencional para que aqueles detentos que atingirem mais de 400 pontos possam ter direito ao certificado de ensino médio, pois a maioria não possui. Além disso, valerá para a progressão do regime de cumprimento de pena para os presos que apresentarem bom comportamento e participação. As 4 horas de prova irão contabilizar como se estivessem em aula”, explicou, lembrando que a cada 12h de estudo equivale a um dia a menos na pena.

A jovem E.C.L, 20 anos, também participou das provas e está otimista para atingir a média necessária e assim poder concluir o ensino médio, que abandonou quando estava no 9º ano.  “Tive oportunidade de ler alguns livros aqui e os professores nos ajudaram bastante durante as aulas. Estou confiante para passar, pois quero cursar Psicologia quando sair. É um sonho desde a rua que não tive oportunidade de fazer por questões financeiras e por ter me envolvido com coisas erradas”, disse a jovem otimista, lembrando que seu último emprego, antes da detenção, foi como doméstica.

As provas foram aplicadas nas seguintes unidades prisionais: Penitenciária de Segurança Máxima Criminalista Geraldo Beltrão, Colônia Penal Agrícola de Sousa, Centro de Reeducação Feminina Maria Julia Maranhão, Penitenciária Regional de Patos, Penitenciária João Bosco Carneiro, Penitenciária Desembargador Silvio Porto, Penitenciária Padrão de Santa Rita, Penitenciária de Psiquiatria Forense, Penitenciária Padrão Regional de Cazajeiras, Presídio Regional de Sapé, Penitenciária de Segurança Média Juiz Hitler Cantalice, Penitenciária Jurista Agnello Amorim, Penitenciária Vicente Claudino Pontes (Guarabira), e em Campina Grande na Penitenciária Regional, Padrão e a Feminina.