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Desafios do desenvolvimento: incluir sem agredir o meio ambiente

quinta-feira, 24 de março de 2011 - 15:24 - Fotos: 
Sóciobiodiversidade e Desenvolvimento Sustentável: Desafios e Perspectivas. Este foi o tema da segunda palestra na manhã desta quinta-feira (24), na I Conferência Estadual sobre Desenvolvimento Sustentável, evento promovido pelo Governo do Estado e que se estende até as 12 horas desta sexta-feira (25), no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa.

O tema foi exposto por Francisco Campello, engenheiro florestal do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Ele mostrou algumas alternativas dentro da lógica do desenvolvimento sustentável, citando ações em comunidades que promovem a inclusão social, mas que também asseguram a conservação da biodiversidade.  

Segundo ele, a taxa de desmatamento na Paraíba é de 0,1% ao ano, considerada relativamente pequena. O palestrante destacou que é preciso saber distinguir o que é desmatamento e o que é remanejamento florestal. A lenha é a fonte energética mais barata no Brasil. O desafio é transformar essa matriz energética renovável em sustentável. As políticas de governo devem criar mecanismos que valorizem o produtor que vive do recurso florestal com responsabilidade e combater os que desmatam sem planejamento.

O assessor técnico regional do Projeto Conservação e Uso Sustentável da Caatinga revelou que dentre os desafios do governo brasileiro, do Governo da Paraíba, bem como de todos os entes federados, estão os oito objetivos do milênio: erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental; e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Estes foram os compromissos aprovados entre líderes de 191 países membros das Nações Unidas.

Francisco Campello ressaltou em sua palestra a necessidade de que as ações governamentais sejam voltadas para dois grandes contextos: 1) estudos realizados na Paraíba apontam que 40% da matriz energética no estado é de lenha e carvão e isto pode ser trabalhado do ponto de vista positivo, desde que se qualifique esta atividade econômica, trabalhando os aspectos tecnológicos e a sustentabilidade ambiental. 2) o aproveitamento da produção de comunidades de agricultores familiares na alimentação escolar, em que a lei estabelece que 30% da merenda seja adquirida junto à agricultura familiar. Ele elogiou a iniciativa do governo paraibano em assinar essa lei.

Remanejamento florestal – O técnico do IBAMA citou uma experiência positiva da Paraíba na área ambiental que é a qualificação dos processos tecnológicos de uso da lenha nas indústrias cerâmicas, ação iniciada no Seridó. Esta técnica usa a lenha fazendo o remanejo florestal, (quando a natureza recompõe as matas) e Patos tem uma escola florestal de excelência.

Um ponto ainda negativo são as empresas que utilizam lenha mas não fazem planejamento, pelo contrário, promovem o desmatamento, contribuem com a desertificação. Junto a essas empresas as ações governamentais devem intervir com projetos de preservação ambiental.

Francisco Campello ressaltou a importância da conferência promovida pelo Governo da Paraíba, uma iniciativa necessária que certamente terá resultados significativos que contribuirão com o desenvolvimento sustentável da Paraíba, uma meta do Governo Ricardo Coutinho.