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Delegada diz que 30% das mulheres já denunciam no primeiro ato de agressão

quarta-feira, 7 de agosto de 2013 - 12:13 - Fotos:  Kleide Teixeira/Secom-PB

As mulheres vítimas de violência estão buscando a Delegacia da Mulher de João Pessoa já após o primeiro ato de agressão sofrido nos relacionamentos. A delegada Maysa Félix informou que dos 1.040 inquéritos abertos neste ano, 30% são de mulheres agredidas pela primeira vez.

Elas estão buscando a delegacia em qualquer situação, desde um empurrão, passando por xingamentos até ameaças de morte”, afirma a delegada. Em 2012, 1.600 inquéritos foram abertos, desse total o percentual de denúncias após a primeira agressão foi de 20%. A Paraíba tem nove delegacias especializadas funcionando no atendimento à mulher vítima de violência.

A delegada afirma que a denúncia tardia é uma das consequências do próprio ciclo de violência, que muitas vezes, leva anos para romper. “Depois de 10, 15, 20 anos de agressão, a mulher tem pouca autoestima e se sente culpada. O agressor consegue minar a autoestima e faz até a mulher acreditar que é a culpada pelas agressões. É necessário chegar a uma agressão mais grave até a vítima cansar e buscar ajuda”, explica a delegada adjunta, Renata Matias, que atua desde 2009 na área.

Ela explica que a relação entre Secretaria da Mulher e Diversidade Humana e a Delegacia Mulher é de parceria constante no encaminhamento das mulheres para a rede de atendimento, como a Casa Abrigo Aryane Thays e os Centros de Referência. “Atuamos em conjunto porque nós encaminhamos as mulheres por meio da Secretaria da Mulher para Casa Abrigo e também recebemos as mulheres que procuram o serviço sem passar pela delegacia”, explica.

Segundo Renata Matias já foram expedidas este ano cerca de 450 medidas protetivas para mulheres vítimas de violência. “Este é um excelente dispositivo que a Lei Maria da Penha dispõe. É considerado um grande avanço nestes sete anos de criação da Lei. Normalmente pedimos que o agressor se afaste do lar, corte o contato e mantenha distância da área onde a vítima mora. Se o agressor for agente de segurança ou tiver porte de arma, haverá suspensão do porte de arma”, explica.

O perfil da mulher que chega nas delegacias é múltiplo e de várias classes sociais. “Recebemos mulheres intelectuais, mas dependentes emocionalmente. Isso significa que a violência extrapola a questão da classe social e afeta todas as mulheres. Elas estão mais fortalecidas, algumas mais decididas a viverem fora da violência. Elas querem retomar a vida”, afirma Renata Matias.

As delegacias especializadas integram políticas públicas de governo e funcionam 24 horas em regime de plantão nos finais de semana. Em João Pessoa, o telefone da delegacia é 3218-5317.