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Debates marcam comemoração do Dia da Visibilidade Trans

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 - 17:44 - Fotos:  Francisco França / Secom-PB

No Dia da Visibilidade Trans (travestis e transexuais), comemorado nessa terça-feira (29), o Governo do Estado promoveu no auditório do Sesc, em João Pessoa, uma tarde de debates com a mesa temática “Acompanhamento Multidisciplinar no processo Transexualizador”. O evento reuniu homens e mulheres trans que também participaram da sessão de fotografias para a campanha de combate à homofobia “Tire o Respeito do Armário”, da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (Semdh).

A mesa temática contou com a participação de médicos e psicólogos que debateram a luta pelos direitos humanos, homofobia e atendimento adequado para quem deseja fazer a cirurgia de redesignação sexual (mudança de sexo).

Para a secretária executiva da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares, uma das grandes demandas da população tans é sobre o processo transexualizador. “A mudança de sexo é uma grande conquista e o processo transexualizador deve ter todo o acompanhamento específico com médicos e psicólogos, por isso o tema desta atividade”, disse.

Gilberta comentou que desenvolver políticas públicas para a população LGBT é um grande desafio, mas que o Governo tem cumprido seu papel. “A população LGBT, e em especial os transexuais e travestis, estão entre os mais discriminados. O Governo vem trabalhando para a mudança de mentalidade e investindo em ações e serviços como o Espaço LGBT”, informou.

Para o psicólogo do Centro de Referência dos Direitos de LGBT e de Combate à Homofobia (Espaço LGBT), Gleidson Marques, a vivência transexual no atendimento do serviço é muito presente. “Percebe-se muito que os transexuais não são aceitos pela família, são discriminados e até expulsos do convívio familiar. Isso é muito grave”, comentou.

Na visão médica, tratada no debate, o processo transexualizador requer uma atenção especial. Para o ginecologista Eduardo Sérgio é preciso debater mais sobre o assunto para que a sociedade conheça a realidade. “Quando um bebê nasce com o órgão sexual indefinido é preciso se ter atenção especial para o diagnóstico. É preciso também que se estude mais e haja maiores publicações científicas a respeito”.

Para o médico psiquiatra Ricardo Henrique, uma das maiores preocupações é com o psíquico das pessoas trans. “Muitas se sentem aprisionadas ao sentimento de rejeição do próprio corpo, daí vem a luta pela adequação da identidade de gênero, sentem medo, angústia, insegurança, sofrem violência familiar e quase todas apresentam baixa autoestima”, comentou. 

Depoimento – “Eu fui obrigada a me masculinizar quando criança. Depois sofri preconceito na escola por ser afeminada. A minha preocupação é que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo, com o que vemos no espelho e a discriminação social é aterrorizante. Isso faz com que cada vez mais tenhamos que passar por cirurgias plásticas, nos automedicando, fazendo inclusive aplicações de silicone industrial, uma situação muito grave para a saúde. É preciso que haja mais investimentos em políticas públicas de saúde para que nós não continuemos buscando atendimento e orientações nas páginas da internet. É preciso também que a sociedade acabe com o preconceito”, disse Carolina Almeida (mulher trans), integrante do Fórum Estadual de LGBT´s.

Núcleo de Homens Trans de João Pessoa – Durante o evento, também foi anunciada a criação do Núcleo de Homens Trans de João Pessoa. Segundo o coordenador, Diego Rodrigues, o Núcleo está em fase de implantação e deve tratar das questões da população trans masculina da cidade. Quem tiver interesse em participar deve entrar em contato através do email dih_butch@hotmail.com

Programação – Nesta quinta-feira (31), a partir das 14h, haverá exibição de vídeos sobre transexualidades, mesa temática sobre “Processo Transexualizador no Brasil – as lutas por direitos e cidadania”, e esquete teatral com a participação da Cia da Saúde do Sorriso do Complexo Hospitalar Clementino Fraga.

Parceria – A programação pelo Dia da Visibilidade Trans é realizada em parceria com o Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos (NCDH) e o Grupo de Pesquisa em Etnografias Urbanas (Guetu), ambos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além do Correios, Sesc e Conselho Regional de Psicologia (CRP13/PB).