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Debate sobre diagnóstico precoce e tratamento adequado marca o Dia Nacional da Asma

terça-feira, 21 de junho de 2016 - 18:25 - Fotos:  Secom PB

 A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Ndants), participou, no auditório do Conselho Regional de Medicina (CRM), de evento alusivo ao Dia Nacional da Asma, promovido pela Associação Médica da Paraíba (AMPB), para os profissionais de saúde da Atenção Básica.

“A SES é parceira destas instituições em várias ações que beneficiam pessoas com doença crônica, ou seja, que não tem cura, a exemplo da asma. O nosso maior objetivo é estimular a população e os profissionais de saúde para que haja o diagnóstico precoce e, dessa forma, o tratamento seja iniciado, e o paciente tenha a melhor qualidade de vida possível”, afirmou a chefe do Ndants, Gerlane Carvalho.

A presidente da AMPB, a mastologista Débora Cavalcanti, disse que tem asma. O diagnóstico correto só foi dado após os 30 anos. Se tivesse sido antes teria evitado muitos problemas. “É uma verdadeira tortura. Eu tossia tanto que vomitava e minha família ficava desesperada. Toda vez que eu ia ao médico o diagnóstico era alergia. Quando eu tinha mais de 30 anos um pneumologista deu o diagnóstico de asma e passei a fazer o tratamento. Hoje me sinto ótima, mas estou sempre atenta. Além do tratamento, faço atividade física o que me ajuda muito”, disse.

O endocrinologista e conselheiro do CRM, João Modesto, também tem asma. No caso dele, o diagnóstico veio quando era criança. “Eu tinha entre dois e três anos e confesso que a asma é uma doença da família. Todos sofriam quando eu estava em crise”, falou.

A jornalista Joelma Medeiros sabe bem o que é isso. O diagnóstico do filho, Davi, veio recentemente. Apesar dele estar apenas com dois anos, a luta da família tem sido grande. “Desde que nasceu sempre teve cansaço, febre alta, tosse e foi diagnosticado com pneumonia. Fazia o tratamento e, quando acabava, as crises voltavam. Fomos a um pneumologista que diagnosticou asma e agora meu filho faz o tratamento adequado e está bem melhor”, contou.

Segundo o pneumologista e diretor de ações da saúde pública, da AMPB, Sebastião Costa, diariamente, morrem oito pessoas com asma no Brasil e 200 mil leitos da rede SUS, em todo país, por ano, são ocupados com pessoas com asma. “Se houvesse um diagnóstico precoce tudo isso seria evitado. E, vale salientar que todo o tratamento é disponibilizado pelo SUS. Na Paraíba, apenas 19% da população tem asma. Desse total, 66% não sabem que tem. Daí a importância de estarmos capacitando os profissionais da Atenção Básica, que é a porta de entrada do SUS”, disse.

Ainda de acordo com o pneumologista, de cada 10 pessoas com asma a metade não cumpre a determinação médica.

O pneumologista Alexandre Araruna, que tem doutorado em asma, disse que o maior problema é quando a doença “adormece”.

“O paciente acha que já ficou bom e interrompe o tratamento. Mas uma coisa que a pessoa com asma nunca pode esquecer é que é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento e quem segue as orientações tem uma vida igual a de quem não tem a doença”, explicou.

Durante o evento, os profissionais receberam informações sobre a asma na criança, no adolescente e no adulto e foram realizadas oficinas sobre a utilização correta dos dispositivos inalatórios como forma de medicação; além de explicações sobre a tosse na asma.

Asma ou bronquite asmática – É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, muito comum, afetando aproximadamente 10% da população. De acordo com a intensidade e frequência dos sintomas, ela pode ser leve, moderada e grave, e é possível ser controlada com o uso adequado dos medicamentos, alguns deles distribuídos gratuitamente pelo SUS. 

Asma é uma das condições crônicas mais comuns, acometendo cerca de 235 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Estima-se que, no Brasil, 15% da população sofram com o problema.

 

O ABCD da asma

Abordar os fatores desencadeantes e agravantes e orientar como evitá-los (fumaça de cigarro, ácaro, mofo e poeira doméstica, exercício intenso e fatores emocionais);

Buscar medicamentos apropriados e com técnica adequada (uso correto dos medicamentos e dos dispositivos inalatórios);

Colocar em prática um plano de ação para monitorar o controle da asma;

Descrever a diferença entre medicação controladora e de resgate (conhecer os efeitos colaterais dos medicamentos usados e saber como minimizá-los).

Tratamento da Asma – O objetivo do tratamento da asma é o controle dos sintomas e a melhora na qualidade de vida. Existem fatores que, frequentemente, são difíceis de identificar e podem influir no desaparecimento dos sintomas, definitivamente ou por longos períodos. Por exemplo: o crescimento do indivíduo, afastamento de fatores desencadeantes pessoais (parar de fumar, por exemplo), ou no ambiente doméstico (evitar mofos e umidade) ou profissional (evitar contato com substâncias irritantes como tintas, vernizes, etc.). Existem fatores genéticos que ainda não são bem conhecidos e que também podem influenciar na evolução da asma.

O tratamento baseia-se em dois tipos de ações: as preventivas, que visam evitar que as crises ocorram – e por isso são as mais importantes – e o tratamento das crises, que visam controlar os sintomas quando eles ocorrem. As ações preventivas envolvem quase sempre o uso de medicamentos, medidas pessoais e ambientais (evitar mofos, poeira doméstica, poluição, substâncias irritantes, umidade, fumo), combater fatores agravantes (como refluxo gastroesofágico e rinossinusites) e, às vezes, vacinas dessensibilizantes.

No tratamento de crises, quanto mais precoce o uso de medicamentos, melhor será a resposta. Algumas vezes é necessário que o paciente procure um atendimento de urgência.