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26 de julho de 2012

Cultura criativa é tema da abertura do Colóquio Celso Furtado



festival de inverno em campina grande foto claudio goes 13 Foto: Claudio Goes/Secom-PB

O Ministério da Cultura vai lançar, em novembro deste ano, um edital para financiar projetos de cultura criativa de cidades de pequeno e médio portes com até 500 mil habitantes. O anúncio foi feito pelo diretor de Desenvolvimento e Monitoramento da Secretaria da Economia Criativa do MinC, Luiz Antônio Gouveia, que participou da abertura do 1º Colóquio Celso Furtado, nesta quinta-feira (26), no Teatro do Sesc-Centro, em Campina Grande.

O evento é uma parceira entre o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Economia Criativa (SEC), com o Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura da Paraíba, Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e o Instituto Itaú Cultural.

Luiz Antônio explicou que os projetos passarão por uma seleção e os que forem escolhidos começarão a ser executados em junho do próximo ano. Ele destacou a importância do evento por retomar a discussão sobre o projeto nacional de desenvolvimento, baseado na centralidade da cultura, nos termos propostos por Celso Furtado, explícitos no conjunto da sua obra.

O secretário de Cultura da Paraíba, Chico César, também ressaltou a relevância do debate sobre cultura criativa, a partir das reflexões de Celso Furtado. Ele também revelou que o Estado está realizando um mapeamento em conjunto com o Instituto de Desenvolvimento Estadual e Municipal da Paraíba (Ideme) com o objetivo de captar empreendimentos que utilizem como matéria-prima o talento de seus gestores. “Por meio desse mapeamento, vamos ter a oportunidade de realizar um diálogo com o Ministério da Cultura com o objetivo de captar recursos para investir na economia criativa”, explicou Chico César.

Por sua vez, o curador do primeiro colóquio e professor da Universidade Federal de Sergipe, Cesar Bolãno, destacou a retomada do debate a partir dos estudos do ex-ministro da Cultura. Para ele, o principal fator é a visão da Secretaria da Economia Criativa, de termos a cultura como eixo estruturante das políticas públicas de desenvolvimento. Ele mediou ainda as palestras de Ricardo Emmanuel Ismael de Carvalho, Doutor em Ciência Política, e Elizabeth Regina Loiola, Doutora em Administração pela Universidade Federal da Bahia. Representantes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e da Prefeitura Municipal também participaram da abertura do evento.

Além do Nordeste, os encontros serão levados às demais regiões: Centro-Oeste, Sul, Norte e Sudeste. O colóquio estará em Brasília ainda este ano, no dia 26 de setembro. Nas demais regiões, o debate chegará em 2013. Curitiba, no dia 21 de março; Belém, 23 de maio; e São Paulo, 21 de agosto.

Diálogos – No evento, são realizados diálogos criativos com o encontro de profissionais que atuam nos setores criativos e alguns gestores públicos da área cultural. O objetivo é refinar as demandas da região e levantar sugestões dos participantes que possam subsidiar a formulação e implementação de ações/estratégias da SEC/MinC nas áreas de formação/fomento e possam contribuir no alcance das metas do PNC.

Ensaios de Celso Furtado sobre cultura – Durante o colóquio, foi lançado o volume 5 da coleção Arquivos de Celso Furtado, sob o título “Ensaios sobre cultura e o Ministério da Cultura”. Na obra, Rosa Freire d’Aguiar Furtado, diretora da coleção, reuniu textos de Celso Furtado, quase todos inéditos, escritos principalmente nos anos em que ele esteve à frente do Ministério da Cultura (1986-88) e desde que tomou posse na Academia Brasileira de Letras, em 1997. Há também as contribuições de Celso Furtado para a Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento (1993-95), iniciativa da ONU e da Unesco, e da qual ele foi o único representante brasileiro.

Além da introdução de Rosa, há dois artigos de colaboradores de Furtado — Angelo Oswaldo de Araújo Santos e Fábio Magalhães — e duas longas entrevistas do autor sobre temas culturais.

Cultura – “Para Celso Furtado, qualquer projeto de desenvolvimento tem que partir da cultura”. Esta frase da viúva Rosa Freire Furtado, diretora do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, norteou os debates na abertura do 1º Colóquio Celso Furtado.

Rosa Freire enfatizou que Celso Furtado nunca separou a economia das outras disciplinas e por conta disso foi o descobridor da dimensão cultural do desenvolvimento econômico e do subdesenvolvimento. Para ela, Celso chegou à teoria econômica por meio de suas reflexões sobre cultura e história. Ela ainda agradeceu ao MinC e ao Governo do Estado em realizar o primeiro colóquio, na Paraíba, para marcar os 92 anos de nascimento de Celso Furtado.