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Crimes Homofóbicos: Segurança programa entrega de prédio da Delegacia

sexta-feira, 12 de março de 2010 - 09:27 - Fotos: 
A informação é do secretário de Segurança e Defesa Social, Gustavo Gominho. Ele determinou agilidade nas obras e acredita que a conclusão dos trabalhos possa ocorrer até mesmo antes do prazo.

Segundo a relações públicas da Associação das Travestis da Paraíba (Astrapa), Fernanda Benvenuti, a intenção do governo é entregar as novas instalações para a população durante os festejos alusivos ao Dia de Combate a Homofobia, comemorado em 17 de maio. Nesse período, a Astrapa também irá divulgar um relatório da Polícia Civil com as ações de combate à violência contra homossexuais realizada pela Delegacia de Homofobia.  

Além do distrito especializado em crimes contra homossexuais, o novo prédio vai abrigar as delegacias da Mulher e do Idoso. Atualmente, as três funcionam num casa situada na Avenida Pedro I, no Centro de João Pessoa. Mas o local será desocupado para ser reformado.      
 
De acordo com o delegado, Marcelo Falcone, titular da Delegacia Especializada em Crimes Homofóbicos, as novas instalações irão proporcionar melhores condições de trabalho. “É um espaço mais amplo, reformado, que terá condições de receber as pessoas de forma mais confortável”, conclui.
 
Ele e Fernanda Benvenutti  participaram de uma reunião com o secretário Gustavo Gominho na quarta-feira (10) para discutir o assunto. Fernanda, que é membro de uma comissão que luta pelos direitos do homossexual, disse que saiu da audiência bastante satisfeita. “Esse novo prédio será alugado, mas o secretário nos garantiu que o governo já está fazendo estudos para construir um prédio próprio e abrigar as delegacias do Idoso, da Mulher e dos Crimes Homofóbicos”, afirmou.

“As novas instalações são importantes para evitar que os homossexuais sofram nova violência quando forem buscar ajuda na polícia. Assim como as mulheres, era comum as vítimas de crimes homofóbicos serem consideradas culpadas das próprias agressões que sofreram. Na delegacia especializada, eles recebem o atendimento com respeito que merecem”, destaca a representante da categoria.  

Inquéritos

Dezesseis homossexuais foram assassinados em 2009. Nos primeiros meses deste ano, já ocorreram outros três homicídios de pessoas com essa opção sexual. Alguns casos já foram resolvidos, mas a maioria deles permanece sendo apurada. O delegado Marcone Falcone está investigando 11 mortes. As queixas mais comuns são ameaça de morte e agressões física e verbal.
 
Mas o delegado explica que não há números verídicos sobre a violência contra homossexuais, porque as ocorrências são subnotificadas. “Nem sempre as vítimas querem fazer a denúncia. Permanecem em silêncio para não se expor”, justifica Marcelo.      
Outro fator que prejudica o trabalho da polícia é a ausência de informações. “Os crimes homofóbicos, geralmente, ocorrem em locais em que não há testemunhas ou provas. Por isso, são difíceis de serem resolvidos”, completa Fernanda Benvenutti.

Apesar da quantidade de inquéritos em aberto, a relações públicas da Astrapa omemora avanços. “A Paraíba saiu na frente de outros Estados no combate ao preconceito sexual. Aqui, ela criou uma delagacia especializada em homofobia e formou um delegado especial no assunto. Isso mostra que as políticas e o empenho de diminuir os casos não são passageiros, mas permanentes e sólidas”, acrescenta.

Nathielle Ferreira, da Secom