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Crescimento do consumo de mandioca anima agricultor paraibano

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 - 16:02 - Fotos: 

O mercado para os produtos derivados da mandioca está em expansão e os agricultores familiares do município de Mamanguape estão interessados em ampliar a áreas de plantio. A estiagem fez aumentar a procura da mandioca para ração animal, fazendo com que o quilo da farinha tivesse um aumento em mais de 50%, estando sendo comercializado a R$ 6,00 nas feiras livres e nas mercearias.

A Emater Paraíba, em um trabalho coordenado pelo Escritório Regional de João  Pessoa, está  orientando agricultores familiares da região do Litoral para o cultivo de mandioca. Na última quinta-feira (24), por exemplo, foi promovido um Dia Especial sobre Produção de Mandioca, no sítio Catolé, de Antônio Felipe dos Santos, no município de Mamanguape.

A cultura da mandioca tem elevada importância social e econômica para o agricultor familiar. É uma cultura que proporciona uma sustentabilidade familiar, com geração de emprego e renda para todos os membros da família, evitando o êxodo rural. A mandioca e seus derivados têm uma presença diária na mesa do consumidor, independente da classe social.

A Paraíba tem 130 municípios, com uma área de 25 mil hectares, onde a mandioca pode ser cultivada, afora os que trabalham com essa cultura em menor escala. O cultivo é predominante na agricultura familiar, representando 70% da produção paraibana da área plantada.

Mercado promissor – Cultivando mandioca e macaxeira em uma área de dois hectares, mais da metade de seu sítio, que mede 3,5 hectares, Antônio Felipe sempre trabalhou com essa cultura. Ele disse estar animado com o mercado promissor para sua produção, mas demonstra preocupação porque faltam trabalhadores para contratar, tendo em vista que está com 76 anos e, apesar de ser pai de 12 filhos, somente um mora na propriedade.

Antônio Felipe construiu a casa da farinha há 20 anos, inicialmente de forma manual. Depois passou a utilizar energia elétrica para a moagem da mandioca, mas o formo continua funcionando com o uso de lenha, de maneira tradicional. “A terra é muito boa para o plantio. Usamos irrigação por aspersão e aqui plantamos outras culturais, como feijão macassar, milho, batata-doce,banana, coco, e outros tipos de fruteiras que estão nos garantindo, todas as semanas, alguma renda”, comentou.

Feitos os descontos das despesas, Antônio Felipe tem uma renda mensal com a comercialização de mandioca e outros produtos de seu sítio variando entre R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00. “Já criamos vacas para produção de leite, mas estava muito dispendioso, não compensando mantê-las”, informou.

“Mandioca é um bom negócio”, disse ele, opinião partilhada com outros agricultores que estiveram em sua residência para ouvir as palestras sobre a produção de mandioca e o seu aproveitamento na fabricação de produtos como tapioca, tapiocas salgadas, macaxeira sofisticada doce e salgada, frituras, caldos e sopas de farinha e macaxeira, produtos in natura e iguarias da mandioca.

Para o corretor da produção de mandioca, João Batista Domingos da Silva, que há 21 anos trabalha nessa atividade, o momento é promissor para o cultivo da cultura. Ele compra a tonelada de mandioca ao produtor por R$ 800,00 e repassa para as indústrias de beneficiamento do produto. O que mais se produz é a farinha, toda comercializada em cidades da Paraíba e Rio Grande do Norte. “Já tivemos período em que saiam da região de Mamanguape dois caminhões cheios de mandioca, o que não ocorre agora”, afirmou. Ele disse que estava na expectativa de que a produção de mandioca voltasse a crescer.

Participaram do evento na última quinta-feira, os coordenadores do Núcleo de Comunicação e Metodologia da Emater, Severino Henrique de Lima e Jacileide Andrade Vieira, e do Escritório Regional de João Pessoa, Keyla Leal Deininger Evangelista, além de Paulo Antônio do Amaral, da Unidade Operadora da Emater em Mamanguape.