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Cordéis e xilogravuras mostram cotidiano nordestino no Salão de Artesanato da Paraíba

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 - 10:02 - Fotos:  Vanivaldo Ferreira/Secom-PB

Os amantes da arte, colecionadores e turistas que visitarem a 21ª edição do Salão de Artesanato da Paraíba podem adquirir peças exclusivas de xilogravuras e uma série de cordéis – folheto escrito de forma rimada – confeccionadas pelos habilidosos e criativos artesãos do Estado.

A xilogravura é uma técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou tecido. A artista Ana Lima, natural de João Pessoa, participa do Salão pela primeira vez. Ela recebeu toda a instrução artística da qual tem conhecimento através do Centro Estadual de Arte (Cearte). “Nunca imaginei estar aqui, ter meus trabalhos visto pelos amigos e ganhar clientes de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e até para fora do país. Sem dúvida, o Salão tem sido uma vitrine que me abriu muitas portas”, comentou a artesã.

Ana produz bolsas, camisas e quadros em xilogravura com imagens de animais típicos do Sertão, utensílios domésticos que caíram em desuso, brincadeiras infantis, atividades da agricultura e até mesmo a personagem “Rosinha” famosa nas letras da música de Luiz Gonzaga.


Cordel -
Conhecidos no Brasil como folhetos, tradicionalmente expostos para venda, pendurados em cordas, os famosos cordéis também têm sido outro atrativo do Salão. Descrevendo personagens fictícios e reais, o cordelista Vicente Campos, natural de Patos, arranca o riso de muitos leitores. “O bom é saber que as escolas têm incentivado a leitura dos cordéis e isso é bom para manter nossa cultura viva entre a criançada. Levo para a linha do humor, o que tem despertado ainda mais o interesse deles”, disse.

O cordelista tem títulos conhecidos que caíram no gosto popular como “O Amor Cangaceiro de Lampião e Maria Bonita”, “A História da Paraíba”, “Dicionário Paraibês”, “Pérolas da Política no Interior”, “Gonzagão, o Rei do Baião”, “Seu Lunga” e “Chulé do Jornalista Fez o Bush Passar Mal”.

José Pedro Lima, conhecido popularmente por “Índio”, em Barra de Gramame, resolveu virar cordelista aos 60 anos. Tudo começou com pequenas anotações sobre o cotidiano do lugar onde morava até que foi descoberto por uma equipe de reportagem que, ao ler suas anotações, resolveu incentivá-lo a publicar. “Tinha medo porque não sabia ler, nem escrever direito, mas a cabeça sempre foi boa. Agora basta eu ler um jornal do dia, assistir algo diferente que tudo faço rima para contar o que muita gente não diz”, revelou Índio.

A servidora Irene Cristina, natural de Campina Grande, disse que visitar o estande do Índio é parada obrigatória em todas as edições. “Gosto de valorizar o que é nosso, da terra e ele tem o dom de passar para as linhas, histórias da vida real, do mundo político e dos factóides do interior de maneira direta e sem arrodeios. Ele diz o que muita gente não tem coragem”, parabenizou Irene.

Entre os cordelistas e xilógrafos que também expõem trabalhos no Salão de Artesanato estão José Costa Leite, Edilberto Cipriano, Mariano Ferreira, Irmão Assis, Clébio Martins e Francisco Sales.

Serviço - O Salão funciona de segunda a sábado, no horário das 15h às 22h, e aos domingos das 15h às 21h. A visitação é gratuita. Outras informações através dos telefones (83) 3218-4060 / 8815-5009. Nas redes sociais facebook.com/artesanato.pb , artesanato.pb.gov.br ou através do email artesanato_pb@yahoo.com.br.