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Coral da Penitenciária Feminina faz primeira apresentação

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 - 10:13 - Fotos: 

O ‘Coral Luz’, formado por internas da Penitenciária Feminina Júlia Maranhão, em João Pessoa, emocionou o publicou e demonstrou parte do resultado alcançado com a política de ressocialização de detentos no sistema prisional da Paraíba. A primeira apresentação do grupo ocorreu na noite da quarta-feira (19), no auditório da Escola de Serviço Público do Estado da Paraíba (Espep), durante o encerramento da Oficina de Saúde Mental no Sistema Prisional promovida pelas secretarias de Estado da Saúde (SES) e Administração Penitenciária (Seap).

O “Coral Luz” surgiu a partir do incentivo da diretora da penitenciária, Cinthya Almeida, que, acompanhando o culto religioso que acontece diariamente na unidade se encantou com as vozes de algumas mulheres, e passou a dar o apoio para a formação do coral. “Quando eu escutei aquelas músicas nas vozes das garotas não tive o que pensar, logo propus o coral e o resultado está aí nessa belíssima apresentação”, disse Cinthya Almeida.

Inicialmente o grupo contava com seis integrantes, mas duas já conseguiram a liberdade, das quatro remanescentes Márcia Felix foi a pioneira. “Eu costumava cantar nos nossos cultos e também durante a noite dentro da cela. Quando solto a voz, todo o presídio fica em silêncio, as colegas e agentes do plantão gostam de me ouvir e a música me faz sentir livre, mesmo ainda estando presa”.

Márcia está na unidade há um ano e três meses e cumpre pena por tráfico de drogas, seu grande sonho é poder viver de música. “Quero sair da cadeia e cantar, quero que as pessoas me escutem, me admirem, hoje eu me sinto feliz mesmo estando nesta situação porque vejo o reconhecimento de todos no presídio. Lá somos bem tratadas e nada nos falta, mas estaria realizada de verdade se pudesse ter uma plateia em um show lotado. Sonho ouvir os aplausos”.

“Eu nunca vi uma coisa tão linda, estou realmente emocionada, estas garotas merecem todo o apoio. A direção está de parabéns por nos mostrar outra realidade do sistema prisional que pouca gente conhece, a ressocialização acontece na Paraíba e essa é a prova”, disse a coordenadora de saúde mental da SES, Sílvia Di Angelis.

Foram apresentadas ao público cinco canções, todas religiosas. Além do coral da Penitenciária Feminina da Capital, mais dois existem no Estado e recebem o apoio da Seap: um na Penitenciária Regional de Sapé e outro na Penitenciária Feminina da cidade de Patos. “O que as pessoas tiveram o privilégio de ouvir hoje nós da Seap ajudamos a construir. Para mim é uma alegria imensa poder fazer parte deste trabalho. Esse é o verdadeiro sistema penitenciário da Paraíba, que dá chance, que educa. Mais de 600 reeducandos já têm um diploma de curso profissionalizante e têm a oportunidade de mudar de vida”, disse Ziza Maia, gerente de ressocialização da Seap.

Bonecas de pano – A Penitenciária de Recuperação Feminina Maria Júlia Maranhão tem se destacado nas atividades artísticas incentivadas pela direção junto às internas, a exemplo da confecção de bonecas de pano. “Desde maio que estas bonecas são produzidas. Se tem talento damos oportunidade. Já tem ex-presidiária fazendo boneca fora da penitenciária. Estamos formando cantoras, temos cada dia mais artesãs trabalhando e assim vamos criando a segunda chance que todas merecem”, disse a diretora Cinthya Almeida.

Cada boneca custa entre R$ 5 e R$ 30, e todo o dinheiro conseguido com as vendas é revertido para a compra de material para confecção de mais peças. A Seap vem desenvolvendo o programa “Cidadania é Liberdade” do Governo do Estado, que desde o ano passado oferece ações nas áreas de saúde, educação, trabalho, cultura e família para detentos e familiares em todo o Estado.