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Conhecer o perfil do hospital facilita a busca pelo médico na hora da necessidade

sexta-feira, 18 de outubro de 2013 - 16:07 - Fotos:  Ricardo Puppe

A dona de casa Sheyla Andrade, 38 anos, procurou o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa porque sentia muita dor de cabeça. Lá ela foi informada que esse tipo de sintoma não é tratado na unidade hospitalar. “Queria resolver logo esse problema, já que há anos sinto dores de cabeça, mas sei que não posso ocupar uma vaga de quem leva um tiro na cabeça, ou sofre um acidente grave de moto, por exemplo. O jeito é tentar um médico no PSF perto de casa”, reconhece.

Sheyla passou a entender a verdadeira função do Trauma depois que conversou com a equipe de acolhimento, formada por enfermeiros, técnicos em enfermagem, médicos, assistentes sociais e psicólogos.

Os problemas de saúde mais comuns que chegam aqui e não fazem parte do perfil de assistência do hospital são diarreia, dor de ouvido, dor de cabeça, hemorroida, dor no ombro, dor de dente e até unha encravada”, disse a enfermeira Thayse Gomes que faz parte da equipe de acolhimento. “E a nossa equipe tem que conversar e convencer os usuários para procurarem outros locais”, completa.

O Hospital de Emergência e Trauma atende, exclusivamente, emergência ou urgência, vítimas de trauma (acidentes e desastres), de violência (física e sexual), de queimadura e de doenças clínicas em suas fases agudas (AVC e hemorragias digestivas). “Neste último caso, os pacientes são diagnosticados e após estabilizado seu quadro clínico, são transferidos para hospitais que possam dar continuidade ao tratamento”, explicou o diretor técnico, Edvan Benevides.

O hospital tem centro de imagem, pediatria, centro cirúrgico, Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), Unidades de Terapia Intensiva Adulto e Infantil, unidade de pacientes graves, laboratório e farmácias. A equipe é multiprofissional e altamente qualificada, formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos e profissionais da área administrativa.

A equipe hospitalar é formada por anestesiologista, bioquímico, biomédico, biólogo, cirurgião bucomaxilo-facial, broncoscopista, cardiologista, cirurgião geral, cirurgião plástico, cirurgião vascular, cirurgião torácico, cirurgião pediátrico, cirurgião de cabeça e pescoço, cirurgião de mão, clínico geral, endoscopista, farmacêutico, hemodinamicista, hematologista, infectologista, intensivista pediátrica, intensivista, médico do trabalho, neurocirurgião, nefrologista, neurologista, nutricionista, odontólogo, oftalmologista, otorronolaringologista, pediatra, psicólogo, psiquiatra, radiologista, traumatologista, ortopedista e urologista.

O Hospital de Trauma funciona ininterruptamente e os telefones são 3216.5771/5734.

Mesma situação – O Hospital General Edson Ramalho, onde são feitos cerca de 6 mil atendimentos mensais somente na urgência, também enfrenta a mesma situação do Trauma. Diariamente são procuradas especialidades médicas que a unidade não oferece, a exemplo de neurologia, urologia, pediatria, oftalmologia, otorrinolaringologia, atendimento vascular e nefrologia.

Quando o caso é muito grave, mas não é atendido no hospital, nós entramos em contato com o serviço referência naquele tipo de doença e fazemos o transporte do paciente”, explicou o tenente João Bosco, coordenador da urgência clínica: “A falta de informação leva a uma verdadeira peregrinação pelas unidades de saúde. Quando, na verdade, o usuário poderia ir direto ao local certo, economizando tempo”, disse o tenente.

Na urgência do Hospital Edson Ramalho é feita a classificação de risco por uma equipe de enfermeiros. Eles distribuem pulseiras que indicaram a prioridade de atendimento pela cor: as vermelhas permitem atendimento imediato; amarelas para atendimento em cerca de meia hora e as verdes para casos que permitem uma espera maior.

O atendimento só pode ser feito a pacientes da faixa etária acima de 18 anos, já que, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, só pode atender criança unidades onde haja pediatra de plantão.

Assistência infantil – O serviço mantido pela Secretaria de Estado da Saúde especializado na área infantil é o Complexo de Pediatria Arlinda Marques (CPAM), que atende crianças de 0 a 15 anos, 11 meses e 29 dias. “O atendimento é para ser de média e alta complexidade, mas aparecem muitos casos de diarreia leve, infecção respiratória, dor de cabeça, vômitos e síndromes pós-gripais”, disse Gilsandra de Lira Fernandes, chefe do Núcleo de Ações Estratégicas do Arlinda Marques.

Gilsandra explicou que as crianças vêm de todos os municípios e até de estados vizinhos, chegando a cerca de 200 atendimentos por dia. “São muitos casos que poderiam ser atendidos na atenção básica, mas que vêm para cá e acabam superlotando o hospital”, falou.

Foi o que aconteceu com a estudante Níthia Santos, do Bairro dos Novaes, na capital. Ela foi ao ambulatório do Arlinda Marques, onde acontecem 400 atendimentos/dia, porque a filha estava com gripe. “Toda vez que minha filha adoece venho para cá porque no PSF do meu bairro não tem médico e aqui sou sempre atendida”, declarou.

O CPAM vem oferecendo diagnóstico, tratamento e reabilitação em diversas especialidades, tais como realização de cirurgia cardíaca, neurológica, ortopédica e cirurgias em geral. E ainda possui algumas funções como ser local de ensino, sítio de pesquisa e diversos serviços integrados. Os hospital dispõe de corpo clínico, equipe de enfermagem, serviço de nutrição e dietética, laboratório, diagnóstico por imagem e outros serviços.

O ambulatório do hospital atende crianças de todos os municípios da Paraíba. O horário de funcionamento é de 07h às 19h, de segunda a sexta-feira, com as seguintes especialidades: neuropediatria, neurocirurgia, cardiologia, psiquiatria, ginecologia, dermatologia, hematologia, otorrinoralingologia, gastroenterologia, reumatologia pneumologia, ortopedia endocrinologia, homeopatia, hepatologia, cirurgia geral infantil fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem, serviço social, odontologia, ecocardiogramas e eletrocardiograma.

Assistência psiquiátrica – Outro serviço de saúde mantido pelo Governo do Estado, cuja função também é confundida pela população, é o Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira. O chefe do Núcleo de Ações Estratégicas, Madson Medeiros, esclarece que no ambulatório não há distribuição de remédio, mas é um serviço muito bastante procurado.

A unidade preta um serviço de consulta especializada agendada, pessoalmente, com apresentação da carteira de identidade, o cartão do SUS e um telefone para contato. Também emite o atestado mental.

O serviço dispõe de psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos e assistentes sociais, e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. “O perfil do usuário do ambulatório é aquele que não se encaixa no CAPS, ou são os pacientes que recebem alta destes serviços. O cuidado desse usuário pode ser compartilhado entre ambulatório e PSF”, Explica Madson Medeiros.

Dentro do Complexo Juliano Moreira existe o Clifford – Pronto Atendimento de Saúde Mental que oferece o serviço de urgência para pessoas que chegam do interior. Elas têm à disposição psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos.

O Clifford tem espaço de atenção à crise, onde o paciente passa 72 horas em observação. Dependendo da avaliação da equipe, pode ficar por mais sete dias no mesmo espaço ou é encaminhado para o Hospital Juliano Moreira. Neste espaço adolescente, idoso e indígena têm direito a acompanhante.

No mesmo complexo de saúde há o Espaço Inocêncio Poggi, que atende o usuário de drogas. São 16 leitos para homens e 16 para as mulheres, maiores de18 anos. A média de internação é de 30 dias. “Existem pessoas que procuram o serviço achando que vai ser interno. A internação é uma das etapas do tratamento e o fato de um usuário já ter sido internado não quer dizer que tem a vaga garantida”, disse Madson.

Para ter acesso ao Poggi, se for morador da região metropolitana de João Pessoa, paciente precisa passar primeiro pelo Pronto-Atendimento em Saúde Mental (PASM), no Ortotrauma de Mangabeira. Depois passa pela triagem no Clifford, onde será avaliado seu histórico de saúde (hipertensão, diabetes) e constatação de usuário de substâncias psicoativas (álcool, maconha, crack, cocaína, solvente ou remédio opioide).

A equipe é formada por enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, educadores físicos, médicos clínicos e psiquiatras. “É bom esclarecer que o Poggi é um serviço de desintoxicação e após isso todos os usuários são encaminhados para serviços substitutivos, como os CAPS”, explica a enfermeira Rayanne Alves.

Infectologia – Com 156 leitos, o Complexo Hospitalar Clementino Fraga (CHCF) presta atendimento nas áreas de infectologia (DST/HIV/Aids), pneumologia sanitária, dermatologia sanitária, pediatria, cardiologia, endocrinologia, psiquiatria, neurologia, neurocirurgia, cirurgia plástica, cirurgia torácica, cirurgia vascular, gastroenterologia, angiologia, hepatologia, odontologia, nefrologia, urologia, proctologia, otorrinolaringologia, clínica geral, ginecologia e homeopatia.

Para atender a demanda, o hospital conta com uma estrutura física e uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e outros profissionais. “A missão do hospital é prestar um serviço especializado, com qualidade e humanizado, em benefício de todas as pessoas que são acometidas de doenças infectocontagiosas”, destaca a diretora geral, Adriana Melo Teixeira.

Na área ambulatorial, o complexo conta com o Hospital Dia (HD), que tem como objetivo promover a melhoria da qualidade de vida dos portadores de HIV/Aids. O HD atende pacientes que necessitam de intervenções em ambientes hospitalares, por um período de tempo limitado (2 a 8 horas).

Outro serviço importante é a Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT), que consiste em um serviço de assistência hospitalar aos portadores de HIV/Aids focado na ‘desospitalização’ do paciente, onde uma equipe multidisciplinar acompanha o tratamento do paciente em sua residência.

Odontologia – Em saúde bucal a referência é o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), antigo Coca, que integra a rede de serviços do Governo do Estado, no Bairro de Cruz das Armas, na Capital. 

O CEO oferece serviço de urgência 24 horas (dor intensa latejante, hemorragia, traumatismo provocado por queda, pancada, briga, corpo estranho e drenagem de abcesso, etc.).

Com dor de dentre, na primeira vez que procurou a urgência odontológica, o militar Paulo Giovani se surpreendeu: “Fui atendido dentro de cinco minutos e fiquei bem”, falou.

Para a dentista da urgência Fátima Oliveira Lima o segredo do bom atendimento é o trabalho em equipe: “Todos os colegas são empenhados e o resultado é que as pessoas sempre saem satisfeitas com o resultado do atendimento”, disse.

A dentista protesista Francisca Andrade de Sousa Ramalho trabalha desde 1982 no CEO. “Só tenho elogios a fazer a este lugar onde já fiz também a parte clínica (extração, obturação e remoção de tártaro)”.

O filho de 16 anos da dona de casa Maria Eliane da Silva estava fazendo tratamento numa Unidade de Saúde da Família, mas pediu a transferência: “Eu não estava gostando do tratamento de lá, aí pedi que me encaminhassem para cá onde o atendimento é 100%”, disse o jovem.

Para atender à demanda, o CEO conta com 60 cirurgiões dentistas que atendem em várias especialidades (radiologia, clínica, endodontia, prótese, cirurgia, ortodontia, periodontia e odontopediatria). Maiores informações podem ser obtidas pelos telefones 3215-6023 e 3215-6042.

Maternidade – Dois serviços oferecidos pela Maternidade Frei Damião merecem destaque: o Programa de Assistência a Mulheres Vítimas de Violência Sexual, que existe desde 98, e o planejamento familiar.

A assistência a vítima de violência sexual atende mulheres e homens, a partir dos 12 anos, encaminhados do PSF, do Hospital de Emergência e Trauma ou do Conselho Tutelar, e levados por familiares.

O serviço deve ser procurado até 72 horas após a agressão, período em que ainda é válida a administração da medicação para evitar gravidez, Aids, DST e sífilis. O serviço funciona 24 horas por dia e dispõe de médico, enfermeiro, assistente social e psicólogo.

A mulher sai daqui bem porque encontra apoio na hora que mais precisa de acolhimento e de atendimento humanizado”, diz a enfermeira Ednalva de Azevedo. “O programa não é aborto é prevenção”, explica a também enfermeira Cristine Fiqueme.

Já no planejamento familiar, os profissionais da maternidade trabalham com métodos contraceptivos injetáveis, orais, dispositivo intrauterino (DIU) e a laqueadura tubária em mulheres de 25 anos ou mais, que tenham dois filhos vivos ou mais.

O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h, e é feito por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e assistentes sociais. Para se cadastrar são necessários os seguintes documentos: RG; Cartão do SUS e cópias dos registros dos filhos vivos.

Na própria Maternidade Frei Damião são oferecidos os seguintes exames: hemograma, fator RH, coagulograma, taxa de glicose, identificação de grupo sanguíneo, beta HCG, citológico, risco cirúrgico (com laudo) e sumário de urina, VDRL, HIV e Hepatite B e C.

Para inserção do DIU são necessários a carteira de identidade e cartão do SUS (cópia) e os exames citológico, colposcopia e transvaginal (feitos na maternidade).

Para os dois serviços que funcionam no mesmo prédio, por trás da Maternidade Frei Damião, no bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, os telefones são 3215-6040/6066.