João Pessoa
Feed de Notícias

Conferência Estadual de Saúde escolhe delegados para a etapa Nacional

sexta-feira, 21 de outubro de 2011 - 10:37 - Fotos:  João Francisco/Secom-PB

A 7ª Conferência Estadual de Saúde, promovida no Espaço Cultural, em João Pessoa, só terminou por volta das 2h desta sexta (21). Foram eleitos os 72 delegados (36 representantes de usuários; 18 trabalhadores e 18 gestores do SUS), que vão representar a Paraíba na Conferência Nacional, no período de 30 de novembro a 4 de dezembro deste ano.

A plenária final do evento aprovou 63 propostas que serão consolidadas em 35 a serem levadas para a etapa nacional em Brasília. Esse trabalho de consolidação será feito pelos delegados eleitos em parceria com a comissão da relatoria.

A Conferência Estadual aconteceu durante três dias, com a participação de 900 pessoas, entre usuários, trabalhadores e gestores do SUS nos 223 municípios paraibanos, além de representantes do Ministério da Saúde, Governo do Estado e Ministério Público.

Momentos de cultura – Em meio às discussões acaloradas, os participantes da 7ª Conferência da Saúde deram uma pausa para a cultura. Na tarde da sexta-feira (20), o médico imunologista, ator e diretor de teatro, Vítor Pordeus, apresentou a palestra “Saúde, Arte e Prevenção”.  Aos 31 anos, o jovem médico carioca, neto de paraibanos da cidade de Sousa, tem um currículo invejável, com especializações, mestrados, doutorados, descobertas científicas e estudos fora do país, mas ele faz questão de dizer que não tem vaidade com nada disso, porque não foi aí onde se encontrou como ser humano, mas nos trabalhos de arte que desenvolve levando saúde para as ruas, através da alegria, da descontração e do improviso.

Com a ajuda das atrizes Clara Soria e Gabriela Haviaras, ele fez no Teatro Paulo Pontes uma demonstração do trabalho que desenvolve no Rio de Janeiro, onde trabalha no Núcleo de Cultura, Ciências e Saúde, da Secretaria de Saúde do Município. “A idéia é de uma ação improvisada que estimula a participação, a criatividade, a surpresa e a imprevisibilidade, para que as pessoas se liberem e se libertem. E, no final, tudo leva ao exercício criativo que é um mecanismo gerador de saúde”, disse Vítor que ainda parafraseou Paulo Freire: “Criar e recriar o mundo a nossa volta”.

O resultado do trabalho que desenvolve no Rio com moradores de rua, com pessoas em situação de risco, com sofrimento psíquico, deixando que cada um seja ator se expressando da melhor forma que lhe convenha, é comprovado na prática com a instalação de 14 escolas populares de saúde, no Rio de Janeiro, e mais de 600 pessoas envolvidas nesse trabalho no país, culminando com a criação de uma Universidade Popular de Artes e Ciências.

À tarde, Vítor Pordeus foi convidado a dar uma oficina no Centro Formador de Recursos Humanos (Cefor), da Secretaria de Estado da Saúde, para enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, professores e agentes comunitários de saúde que trabalham em dois projetos desenvolvidos na capital.

Um desses projetos é o “Consultório de Rua”, do Ministério da Saúde, vinculado com a Prefeitura Municipal, onde os profissionais, chamados de “redutores de danos”, abordam moradores de rua e pessoas em vulnerabilidade social e oferecem atendimento na hora, além de encaminhá-los para os serviços de saúde ou para abrigos, e agilizam para que tirem seus documentos e outros serviços que vão surgindo de acordo com as demandas.

O enfermeiro e músico Tiago Sotero, que trabalha no projeto, ficou encantado com a oficina. “Em trabalhos como este, onde a saúde é tratada de uma forma mais leve, e, portanto, com muito respeito, há uma sensação de gratidão, onde ajudamos o próximo, enxergando o ser humano como ele é e respeitando a liberdade de escolha de cada um”, disse.

Já Soraya Fidelis é auxiliar de saúde bucal e trabalha na Unidade de Saúde da Família José Américo I. Ela faz parte de uma ação, junto de uma equipe multiprofissional, da Secretaria Municipal de Saúde da capital, onde a proposta é levar prevenção e saúde através do teatro de rua, trabalhando temas como o racismo, a violência contra a mulher, o alcoolismo, a homofobia e outros. Ela também gostou da oficina: “Foi uma tarde bastante proveitosa onde vi muita coisa que pode ser colocada em prática no nosso trabalho diário, humanizando e fortalecendo, cada vez mais, o SUS”, falou.

Para Márcia Rique, diretora do Cefor, e coordenadora executiva da Conferência, a atividade foi muito importante para agrupar os diversos trabalhos de arte e cultura que existem nas USF e em outros serviços de saúde de João Pessoa. “Com isso, fortalecemos essa ferramenta potente em produzir prevenção, a partir do estímulo da felicidade das pessoas. É uma semente plantada para, quem sabe, criarmos o Núcleo de Ciências, Arte, Cultura, Educação e Saúde no nosso Estado”, concluiu.