João Pessoa
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Complexo vai completar assistência, atendendo crianças por período mínimo de até seis meses

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 - 17:21 - Fotos: 

O Complexo de Pediatria Arlinda Marques, em João Pessoa, vai se integrar à Rede Estadual de Atenção à Mulher, Criança e Adolescente em Situação de Violência. Atualmente, seis hospitais fazem parte desta rede, mas nenhum é específico para o atendimento de crianças. “O Hospital de Trauma, em João Pessoa, recebe os casos de urgência e emergência. O Arlinda Marques vai completar essa assistência, acompanhando as vítimas por um período mínimo de seis meses”, disse a diretora técnica do Complexo, Maria das Neves Chianca.

A ampliação da rede foi discutida durante o III Encontro Interinstitucional em Atenção à Mulher, Criança e Adolescente em Situação de Violência, que aconteceu nesta quarta-feira (14), no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na Capital. O evento envolveu representantes de órgãos que atuam na rede assistência, como delegacias, organizações não-governamentais, secretarias estaduais e municipais de Saúde e de Educação, entre outros.

Atendimento – De acordo com Neves Chianca, o Hospital Arlinda Marques vai iniciar, oficialmente e de forma organizada, o atendimento a crianças vítimas de violência, até o final deste mês. O Complexo de Pediatria vai disponibilizar sua estrutura de ambulatório para fazer o acompanhamento das crianças, com pediatras, ginecologistas, psicólogos e assistentes sociais. “Serão oferecidos consultas, exames, profilaxia e tratamento contra as doenças sexualmente transmissíveis”, disse.

A pediatra Maria das Neves Chianca informou, ainda, que a ficha de notificação compulsória que hoje vem sendo preenchida por alguns hospitais da rede de assistência às vítimas de violência precisa é pouco utilizada pelo desconhecimento dos profissionais em notificar os casos. “As pessoas que se deparam com as vítimas de violência, ainda resistem em notificar os casos, pois temem o envolvimento. À medida que você deixa de notificar, também está cometendo um crime”, destacou.

Serviços – Ela orientou que a notificação deve ser feita não apenas nos casos confirmados, mas também naqueles considerados apenas suspeitos. O serviço de assistência à saúde de crianças, mulheres e adolescentes, vítimas de violência doméstica e sexual funciona atualmente nas maternidades Cândida Vargas e Frei Damião, em João Pessoa; no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, na Capital; no Instituto Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande; na Maternidade Peregrino Filho, em Patos, e no Hospital Regional de Guarabira.

Até o final do próximo ano, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde, pretende ampliar inicialmente a rede para mais sete municípios, inicialmente para Cajazeiras, Monteiro e Picuí, que servirão como projetos-pilotos.

Abordagem – Melhorar a forma de abordagem às vítimas da violência doméstica e sexual pelos profissionais da rede de atenção à Saúde, hoje presentes em quatro municípios da Paraíba, foi uma das recomendações dos técnicos do Ministério da Saúde durante o encontro desta quarta-feira. Segundo a assessora técnica da área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Cláudia Araújo, a maioria das pessoas agredidas que procuram o serviço público de saúde omite informações da principal causa do seu problema, e neste momento, os profissionais precisam ter uma maior habilidade para descobrir a violência.

“Para isso, o ministério, através destes encontros, tem procurado orientar os Estados para fazer uma abordagem diferenciada, com estrutura adequada para o diálogo entre usuários e sistema. Além de uma abordagem diferenciada, os profissionais da rede precisam fazer um melhor acompanhamento destas pessoas, desde o início do atendimento até a prestação de serviços finais, repassando as informações de cada caso, a todos os órgãos envolvidos”, disse Cláudia Araújo.

Impunidade – O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Gustavo Gominho, informou que para coibir a violência contra crianças e adolescentes é preciso colocar em prática o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). “A impunidade precisa acabar, através da aplicação do Código Civil, do ECA e da Lei Maria da Penha”, destacou.

Participaram da mesa de abertura do III Encontro Interinstitucional em Atenção à Mulher, Criança e Adolescente em Situação de Violência, a gerente-executiva de Ações Programáticas e Estratégicas da SES-PB, Juliana Soares; a secretária-executiva de Acompanhamento Governamental Roberta Paulino; o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Gustavo Gominho; a diretora do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, Margareth Diniz, e a representante da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), Josefa Rosemar.

Da Assessoria de Imprensa da SES-PB