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Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira inaugura Centro de Convivência

sexta-feira, 16 de outubro de 2015 - 19:29 - Fotos:  Ricardo Puppe

A Praça “Beija-Flor”, a sala “Espaço Luz” para produção de artes plásticas e a biblioteca “Arco-Íris” formam o Centro de Convivência Nise da Silveira, do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, inaugurado na manhã desta sexta-feira (16), na presença de servidores, usuários e familiares. O objetivo do Centro é tirar o paciente de dentro da estrutura de concreto para ficar em companhia da natureza e ter a oportunidade de participar de diversas atividades, que terão como consequência do processo de humanização, harmonização e a diminuição do tempo de internamento, uma das metas da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial.

“A criação do Centro de Convivência é um dos passos para a reforma que queremos dentro do Juliano Moreira, para que tenhamos, cada vez mais, a redução do tempo de internação e uma melhor qualidade da assistência prestada aos usuários. Esperamos que o Centro possa se fortalecer com diversas atividades terapêuticas, bem como o nosso ambulatório Gutemberg Botelho com práticas integrativas e complementares”, disse a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde, Shirlene Queiroz.

Segundo o diretor geral do Complexo, Walter Freire, com o trabalho humanizado que vem sendo implantado, o tempo de internamento vem diminuindo muito.  Atualmente, o tempo máximo de internamento é de até 24 dias. Antes, eram 35 dias”, disse. “Atribuo essa redução ao trabalho mais humanizado, com o envolvimento dos servidores e atividades constantes. Com a praça, por exemplo, eles saem para respirar ar puro, proporcionado pela natureza. Tudo isso funciona como atividade terapêutica, já que há uma estabilização emocional, tanto do ponto de vista psiquiátrico como psicológico”, falou.

A praça está instalada numa área de 800 m², localizada dentro do Complexo, sob a sombra de mangueiras, oliveiras, cajueiros e outras árvores. O local foi todo decorado com pneus pintados com cores vivas e alegres, que funcionam como vasos para plantas ornamentais. Mary D´arc, de 45 anos, que está no Juliano desde o dia 1º de outubro, definiu com uma frase o sentimento em relação à praça: “Me sinto como um pássaro”.

Graciele da Silva, de 22 anos, também falou no sentimento de liberdade que o local proporciona. “É um lugar que a gente se diverte, se acalma e fica mais aliviada”.

O “Espaço Luz” funcionará como um ateliê para trabalhos com papel machê, pinturas em papelão, colagem, etc. Será aberto três dias por semana e coordenado pelo artista plástico Neuri Mossmann, que trabalha com o tema saúde mental há cinco anos. “Este trabalho é uma forma de contribuir com a luta antimanicomial. Se vai sair alguma peça pronta ou não, isso não importa. O mais importante é o vínculo e o cuidado com o usuário”, falou.

A biblioteca “Espaço Arco-Íris”, que funcionará de 2ª a 6ª, pela manhã e à tarde, foi toda organizada com a ajuda dos usuários. Será um espaço para leituras, pinturas, contação de histórias e produção das próprias histórias. O nome dado ao local foi resultado de uma consulta com os usuários. A biblioteca aceita doações de livros paradidáticos; gibis e material pedagógico. Para fazer doação, o contato é 3218-7574.

Tiare Maia, de 31 anos, está se tratando por uso de drogas. O pai dele, Marcus Maia, participou do evento de inauguração. “Quando vim trazer meu filho fiquei surpreso com este espaço. Aqui ele tem um ótimo acolhimento e quando venho visitá-lo, volto para casa com a sensação de que o deixei no lugar certo para ficar bem”, falou. “Evita da gente ficar só comendo e dormindo, o tempo todo e também gosto deste local porque a gente pode colocar as ideias em ordem”, disse Tiare.

Nise da Silveira - O nome do Centro de Convivência é em homenagem à Nise da Silveira, uma renomada médica psiquiatra brasileira,  nordestina que dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoqueinsulinoterapia e lobotomia.