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Clementino Fraga realiza campanha de prevenção da hanseníase

terça-feira, 21 de janeiro de 2014 - 09:41 - Fotos:  Secom-PB

Divulgar os sintomas da hanseníase e os locais de referência para tratamento da doença. Esses são os objetivos da campanha realizada pelo Complexo Clementino Fraga, que integra a rede hospitalar do Estado, em João Pessoa. A ação acontece nesta quinta-feira (23) e sexta-feira (24) e faz parte da programação alusiva à campanha nacional de prevenção.

Na quinta-feira, será oferecido um café da manhã no ambulatório do hospital para pacientes e funcionários. Em seguida, será realizada uma palestra sobre a doença, além da apresentação do grupo de teatro da unidade de saúde, a Cia do Sorriso. No horário da tarde, a dermatologista Luciana Trindade realizará uma palestra. Já na sexta-feira, 24, uma equipe de profissionais do Clementino Fraga estará no Parque Solon de Lucena (Lagoa) onde serão disponibilizados testes de hanseníase, além de verificação de pressão e glicemia, das 8h às 14h.

No ano de 2013, 127 pessoas foram notificadas com hanseníase. Foram registrados 104 novos casos da doença. De acordo com a diretora geral do hospital, Adriana Teixeira, é importante que as pessoas façam o teste, pois quanto antes a doença for diagnosticada, mais eficaz o tratamento “Muitas vezes, as pessoas não sabem os sintomas da doença, então queremos explicar a população o que é a hanseníase, como identificar. Um profissional vai explicar os sintomas e vamos fazer os testes. O nosso objetivo é mostrar que a hanseníase está aí, que ela não desapareceu, e que caso apareçam os sintomas, deve-se procurar o PSF ou diretamente o Clementino Fraga para o diagnóstico e tratamento”, explicou Adriana.

Oficina de Calçados– Hospital Clementino Fraga conta com uma oficina onde são produzidas sandálias adaptadas, férulas e outros equipamentos necessários para ajudar o paciente. O processo de confecção das peças é 100% artesanal, como afirma o sapateiro José Augusto da Silva. “Aqui nós produzimos todas as adaptações necessárias para ajudar o paciente de hanseníase”, explicou.

No ano passado, foram produzidos 220 pares de sandálias adaptadas, além de 138 demais tipos de adaptações. Ainda segundo José Augusto, essas peças são de grande ajuda para os pacientes. “Com calçado adequado, adaptação correta, e os curativos, o paciente pode ter mais qualidade de vida. Muitas vezes, os pacientes chegavam aqui com metade de uma sandália no pé porque não conseguiam calçar, então esse tipo de adaptação que fornecemos aqui é de extrema importância e utilidade para eles”, afirma.

Ex-portador da doença, o sapateiro passou pelo tratamento da doença. “Por causa do diagnóstico tardio, muitas vezes o paciente precisa do tratamento das sequelas depois do tratamento da doença, e foi o que aconteceu comigo. Ao final do tratamento, começaram a aparecer as sequelas, meu dedo atrofiou e eu sentia muita dor. Através da fisioterapia e cirurgia, e com ajuda do auto-cuidado, hoje eu tenho uma vida praticamente normal”, disse.

Grupo de auto-cuidado –O Hospital Clementino Fraga ainda conta com encontros do grupo de auto-cuidado. As reuniões são realizadas na primeira quarta-feira do mês. Nos grupos, os pacientes convivem com outras experiências e aprendem a perceber as características de suas lesões, o que possibilita uma tomada de decisão de tratamento mais acertada. Os encontros do grupo são abertos.

Doença- A hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos. É importante que, ao perceber algum sinal, a pessoa com suspeita de hanseníase não se automedique e procure imediatamente um serviço de saúde.

É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele que não coçam, mas que causam a sensação de formigamento e ficam dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Tratamento- Todos os casos de hanseníase têm tratamento e cura. A doença pode causar incapacidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, gratuito e eficaz, pode durar de seis a doze meses. Os medicamentos devem ser tomados todos os dias, em casa, e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento, exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde.