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Comissões da Verdade da Paraíba e Pernambuco realizarão audiência pública sobre morte de paraibano

terça-feira, 27 de agosto de 2013 - 18:35 - Fotos:  João Francisco / Secom-PB

A Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória realizou um encontro, nesta terça-feira (27), com membros da Comissão da Verdade Dom Helder Câmara, de Pernambuco, para discutir os preparativos da primeira audiência pública conjunta, no próximo dia 3 de setembro, no auditório do Ministério Público da Paraíba. O caso analisado será de um paraibano que morreu de maneira misteriosa em uma acidente de trânsito.

Bancário, estudante e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Luiz Alberto de Sá Benevides atuava principalmente no estado de Pernambuco e tinha bastante destaque em nível nacional. No Dossiê de Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, o paraibano consta como morto ou desaparecido no dia 8 de março de 1972, de maneira clandestina, próximo ao município de Caruaru (PE).

Para o integrante da Comissão da Verdade de Pernambuco e diretor do Instituto Dom Helder Câmara, Roberto Franca, o caso precisa ser reaberto, pois há indícios de que o acidente tenha ocorrido após perseguição pela força de segurança da época. “Estávamos analisando este caso e por se tratar de um paraibano resolvemos cruzar as informações para, juntos, realizarmos uma audiência pública. Dispomos de várias informações já observadas pela Comissão da Anistia, mas que não foram conclusivas para indícios de perseguição policial. Temos muitas informações que vamos cruzá-las porque é preocupante e nos leva a supor que a morte não foi um mero acidente de trânsito”, explicou.

Além deste caso, os membros de Pernambuco, em conjunto com seus respectivos Grupos de Trabalho, estão trocando outras informações para colaborar com a Paraíba sobre os altos índices de violência e perseguição aos trabalhadores da zona rural.

Em Pernambuco, estão sendo analisados 51 casos de mortos e desaparecidos de pernambucanos que morreram em diversos lugares do Brasil, bem como de brasileiros que morreram naquele solo. Com arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), textos em livros publicados, inquéritos policiais, publicações na imprensa, materiais do Arquivo Nacional e audiências públicas com depoimentos de familiares, contemporâneos e vítimas da Ditadura Militar, as comissões estão podendo avançar nos trabalhos de investigações.

O caso do paraibano é muito difícil, pois não temos muitas provas materiais, perícia e muitas informações vagas. Por isso, pela manhã, iremos ouvir às 9h30 o companheiro do PCBR, Antônio Soares Lima, que era cunhado da vítima. No período da tarde, ouviremos a irmã do paraibano, Sônia Sá Benevides, hoje residente no Rio de Janeiro. No entanto, ainda vamos localizar documentos do CNI, Exército e visitar o local onde ocorreu o acidente no interior de Pernambuco. De maneira empenhada também estamos trabalhando em Pernambuco, analisando violações que envolve trabalhadores urbanos, sindicatos, igrejas e cassações de deputados”, completou a integrante da Comissão da Verdade de Pernambuco, professora Nadja Brayner.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade, professor Paulo Giovani Nunes, deu continuidade aos trabalhos da reunião quinzenal que, a partir de agora, passará a ocorrer na Fundação Casa José Américo, no bairro do Cabo Branco, em João Pessoa. O local pretende reunir um acervo de documentos imprbuir com nossas investigações. E, também, estamos planejando para o mês de setembro uma audiência pública na Assembleia Legislativa para ouvir ex-deputados, vereadores e prefeitos cassados na época, a exemplo de Agassiz de Almeida”, informou o presidente Paulo Giovani.

Além dos preparativos para a audiência pública, recebemos uma novidade hoje que o coronel Euller Chaves, da Polícia Militar, disponibilizou documentos da P2 do período que compreende os anos de 64 a 85, que irão contribuir com as investigações”, concluiu o professor Paulo Giovani Nunes.

Parceria com TRE – Uma iniciativa do Memorial da Justiça Eleitoral da Paraíba, com a curadoria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a exposição “Direito à memória e à verdade – a ditadura militar no Brasil de 1964 a 1985” está acontecendo na sede do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.

Além da exposição, o Memorial elaborou uma programação especial com palestras, debates, apresentações culturais e homenagens. Por este motivo, a Comissão Estadual da Verdade recebeu um convite para participar, na tarde desta quarta-feira (28), de uma mesa temática, onde os membros irão apresentar o papel da comissão, metodologia de trabalho e prestação de contas dos casos apurados até o momento.