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Comissão da Verdade ouve ex-sindicalistas presos pela ditadura

terça-feira, 26 de novembro de 2013 - 15:46 - Fotos:  José Lins/Secom-PB

A Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória realizou na manhã desta terça-feira (26), na sede do Sindicato dos Bancários da Paraíba, em João Pessoa, audiência pública com três ex-sindicalistas presos durante os anos da ditadura militar. A missão da Comissão é recuperar a memória histórica e denunciar violações dos direitos humanos cometidas durante os ‘anos de chumbo’ no Brasil.

O aposentado João Ribeiro Filho, 85 anos, foi um dos primeiros presos políticos na Paraíba, em 1964. Quando foi levado para o Batalhão de Engenharia, no Bairro dos Estados, em João Pessoa, havia apenas outros cinco presos, quatro estudantes e outro militante social. “Fiquei 48 dias preso, mas não sofri violência física, só psicológica. Vivíamos a base de ameaça. Em compensação, vi muitos companheiros sendo torturados e mortos, pessoas que saiam lá de dentro loucas, e que morriam pouco tempo depois”, conta o ex-sindicalista, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Industria Calçadista e depois da Federação de Trabalhadores da Paraíba.

Já o empresário aposentado João da Cruz Fragoso, 80, foi preso em três oportunidades, a primeira delas em 1969. “Fiz um pronunciamento em um jornal, estabelecendo a posição da direção do sindicato contra o AI-5, e fui preso em seguida. Passei 23 dias preso, perdi o emprego e fui banido do sindicato. Ainda fui preso mais duas vezes, ambas por denúncias feitas contra mim, mas nenhuma era verdade”, relembra. Ele revela que nunca foi torturado, mas que sofria pressão psicológica intensa, como quando foi levado para depor a 0h, no subsolo de uma delegacia, cercado por instrumentos de tortura.

O advogado e ex-sindicalista Derly Pereira, 74, foi preso em 1964 durante três meses, em Fortaleza (CE), durante a primeira onda de repressão aos movimentos sindicais. Cearense de nascimento, mas morando na Paraíba desde a adolescência, foi demitido do Banco do Nordeste após a prisão e destituído do Sindicato dos Bancários. “Depois de 1970 voltei à atividade política, mas fui preso pouco depois durante dois meses, em 1972, em São Paulo. Este período desorganizou a minha vida, a gente nunca mais é o mesmo”, explica.

A Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória foi criada pelo governador Ricardo Coutinho pelo Decreto 33.426 , de 31 de outubro de 2012. A finalidade da Comissão é a de buscar, por todos os meios de provas, o esclarecimento às graves violações de direitos humanos praticadas por agentes públicos contra qualquer pessoa no território da Paraíba, ou aos paraibanos que se encontravam em outros estados ou países, durante o período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica na edificação do Estado Democrático de Direito.