João Pessoa
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Comissão da Verdade colhe depoimentos de três militantes que viveram na clandestinidade

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 - 18:11 - Fotos:  José Lins / Secom-PB

A vida na clandestinidade foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira (19) pela Comissão Estadual da Verdade da Paraíba com os depoimentos dos comunistas Simão Almeida, Lourdes Meira e Ana Rita. A 11ª audiência ocorreu no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil na Paraíba (OAB-PB), centro de João Pessoa.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade, Paulo Giovanni Nunes, destacou que até agora já foram ouvidas 32 pessoas que estão dando contribuição importante para a geração de documentos que servirão também para a Comissão Nacional e para pesquisadores. Até o momento também ocorreram dez oitivas, ou seja, coleta de depoimentos de pessoas sem ser em audiência pública. Na tarde desta quinta-feira (19), os integrantes da comissão ouviram na sede do órgão o depoimento de Rômulo Araújo. Em janeiro, haverá uma audiência pública em Catolé do Rocha, onde a comissão vai ouvir pessoas que participaram do movimento “Guerrilha de Catolé” e chegaram a ser presas.

O ex-deputado estadual pelo PC do B, Simão Almeida, revelou no seu depoimento à comissão como viveu na clandestinidade desde o início de 1969 até a anistia no ano de 1979, quando foi promulgada para reverter punições aos cidadãos brasileiros que entre os anos de 1961 e 1979 foram considerados criminosos políticos pelo regime militar. Ele também atuou na Guerrilha do Araguaia.

Simão Almeida revelou que “o mais importante a discutir são as lições, a força da luta pela liberdade; nosso papel foi esse de ser a resistência da democracia, a não rendição ao regime militar e sobretudo a contribuição que a geração a que eu pertenço deu nessa luta e as lições que ficam para as novas gerações”. Ele ingressou no PC do B em 1972 e sua militância no movimento estudantil teve início por volta de 1962.

A professora Lourdes Meira contou que foi presa em João Pessoa por agentes do regime militar por ser militante da Ação Popular, movimento que deu origem ao PC do B. Depois de três meses aguardando julgamento no presídio feminino Bom Pastor, foi condenada a seis meses de prisão. Anos depois, viveu na clandestinidade no Maranhão. Lourdes destacou que na ditadura militar João Pessoa foi palco de muita repressão e tortura. Ela mesma foi vítima de violência física e presenciou ataques violentos por parte da polícia a muitos jovens contrários ao regime militar.

Ana Rita, por sua vez, disse que foi presa em plena gravidez de sua filha Emília. Depois do nascimento da filha conseguiu ir para prisão domiciliar. Sofreu forte pressão psicológica para que passasse informações sobre o paradeiro de outros militantes.