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Com isso, a Secretaria pretende melhorar a cobertura e os indicadores da doença no Estado

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 - 17:33 - Fotos: 
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) vai intensificar, a partir do início do próximo ano, as ações de vigilância epidemiológica da tuberculose para melhorar a cobertura e, consequentemente, os indicadores da doença no Estado. Esse trabalho será feito com supervisões e capacitações de técnicos da atenção básica e vigilância epidemiológica das Gerências Regionais de Saúde e dos 223 municípios paraibanos.

Nesta quarta-feira (2), a SES, em parceria com o Ministério da Saúde, iniciou o treinamento para atualização do novo esquema de tratamento da tuberculose (4 em 1).  O evento ocorre no Atlântico Praia Hotel, em João Pessoa, e reúne técnicos que trabalham com a tuberculose em todo o Estado.

A gerente de Vigilância em Saúde da SES, Cleane Toscano, afirmou que grande parte dos municípios paraibanos está com deficiência na operacionalização e execução das ações do programa de combate e controle da tuberculose e, por isso, o trabalho de notificação, investigação, diagnóstico da doença e o acompanhamento dos pacientes não está sendo feito de maneira correta, o que reflete de forma negativa no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que fica com os dados defasados e isso dificulta a construção de políticas públicas e outras ações preventivas e educativas com relação à enfermidade.

“Precisamos melhorar nossos indicadores, através da notificação, investigação, diagnóstico e acompanhamento do paciente” afirmou Cleane Toscano. Ela disse, ainda, que esse treinamento para atualização do novo esquema de tratamento da tuberculose vai de ser grande importância para que a SES aproveite o momento e realize essas supervisões e capacitações que deverão acontecer já a partir do início do próximo ano.

Problema de saúde pública – O médico pneumologista Jorge Luiz da Rocha, do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, no Rio de Janeiro, que ministra o treinamento, alertou que hoje a tuberculose é um grande problema de saúde pública. “Essa história de dizer que a tuberculose é uma doença do passado, não existe, ela está presente e bem viva em nosso país e precisa urgentemente que os municípios executem ações de vigilância para o seu controle”, alertou.

Jorge Luiz disse que a tuberculose é uma doença urbana e não é fácil de controlar, pois a sua transmissão pelas vias aéreas é fácil. Outra questão de dificulta o controle da enfermidade é que a doença é um problema social e estar presente em grandes aglomerações de pessoas e isso é que mais se vê no país.

 “Devido à pobreza, as pessoas não têm onde morar e passam a viver amontoadas, como é o caso das favelas e isso contribuiu para a proliferação da doença”, avaliou. Apesar da tuberculose está relacionada diretamente à pobreza, o pneumologista assegurou que isso não impede de pessoas da classe alta de serem contaminadas.

Outro grande problema enfrentado em todo o país e que foi apontado pelo pneumologista é com relação ao abandono e cura da doença. De acordo com ele, o índice de abandono preconizado pelo Ministério da Saúde é de 5% e hoje no Brasil isso chega a 8%. Com relação à cura, seria necessário 85% dos casos e hoje chega a 70%.  Na Paraíba, o índice de cura em 2008 foi de 59% e o de abandono foi de 10%. Em 2007, esses índices foram 77% e 8,57%, respectivamente.

Para melhorar esses indicadores, segundo Jorge Luiz, é preciso vontade política dos gestores municipais, que são responsáveis pela operacionalização dos serviços e das ações de vigilância epidemiológica, na aplicação correta dos recursos financeiros destinados à doença, mais investimentos em capacitação, qualificação e atualização dos profissionais da área de atenção básica, melhoria dos laboratórios e reavaliação das estratégias utilizadas no Tratamento Diretamente Observado (DOTs), que consiste basicamente no profissional de saúde em acompanhar e ver o paciente tomando a medicação.

Sobre o novo tratamento – O novo esquema de tratamento da tuberculose, também conhecido por (4 em 1) e que será utilizado na rede pública do País a partir do  início do próximo ano, consiste na apresentação de um novo fármaco, o Etambutol que será associado à Rifampicina+Izoniazida e Pirazinamida formando um só comprimido.

Esse novo medicamento será usado nos primeiros meses do tratamento e depois volta o tratamento convencional com o uso dos outros três remédios. A nova medicação será utilizada em pacientes com dez anos ou mais. As vantagens da mudança da apresentação dos quatro fármacos são, entre outras coisas, o maior conforto do paciente pela redução do número de comprimidos a serem ingeridos.

Da Assessoria de Imprensa da SES