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Com apoio do Governo, avicultura alternativa gera emprego e renda na zona rural

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 - 10:30 - Fotos:  José Marques/Secom-PB

A agricultora Elaine Cristina da Silva fez o caminho inverso para buscar oportunidade de emprego e renda. Após morar 24 anos em João Pessoa, migrou para o campo, na zona rural de Guarabira, onde vive há dez anos. Ela vendia doces, que lhe dava um lucro de até R$ 500,00 por mês, mas decidiu criar galinha caipira e planeja incrementar a renda com o dobro dos rendimentos mensais, graças ao incentivo do Governo do Estado através do Cooperar e Banco Mundial que liberaram R$ 325 mi para um grupo de 20 pessoas das comunidades Caboclo e Pedra Grande, no município.

Com os recursos, a Associação dos Produtores Rurais das Comunidades Caboclo e Pedra Grande investiu na construção de dois galpões centrais e 21 pequenos galpões para cada uma das famílias criar aproximadamente 100 aves, que hoje já estão prontas para a comercialização. Até o mês de março, os novos empreendedores vão receber o 2º lote com 2 mil aves para a produção de ovos.

Segundo o coordenador do Cooperar, Roberto Vital, a associação vai fornecer galinha e ovos ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) do município, que representa uma garantia para as 21 famílias continuarem a produzir, com uma renda líquida superior a R$ 1 mil por mês.

Ele ainda afirmou que a produção da galinha caipira tem uma grande aceitação no mercado por não receber hormônios de crescimento, que causam danos à saúde. “Enquanto um pinto comum chega a 2,5 kg (apto ao abate) em 38 dias, em experiências de produção de galinhas caipiras como estas chegam a esse peso em 90 a 120 dias. Aviários como estes são um exemplo de como o Governo do Estado fez uma opção certa ao investir mais de R$ 43 milhões em projetos de fortalecimento da cadeia produtiva do mel, piscicultura, caprinocultura e avicultura caipira”, destacou Roberto.

Elaine Cristina Lira, que também é presidente da associação, disse que o apoio do Cooperar e Banco Mundial tem sido fundamental para aumentar a produção e, consequentemente, a renda das famílias envolvidas. Ela explicou que a produção de hoje é de 2 mil galinhas e a meta da associação é chegar a 5 mil fêmeas e 2 mil frangos de engorda. “Com esse apoio, vamos continuar superando as adversidades e agora com a produção necessária para entrar no mercado distribuindo para o Pnae e supermercados da região”, completou.

Quase 300 famílias na Paraíba já foram beneficiadas em projetos de avicultura alternativa apoiados pelo Governo do Estado através do Cooperar em parceria com o Banco Mundial, que já investiram um aporte de recursos estimado em quase R$ 2 milhões nos municípios de Areia, Baía da Traição, Barra de Santa Rosa, Desterro, Guarabira, Monteiro e São Sebastião de Lagoa de Roça, destinados à construção de abatedouros, galpões, aquisição de equipamentos, entre outros.

De acordo com o zootecnista do Cooperar, Bruno Belmont de Lacerda, os negócios com frango caipira são rentáveis e proporcionam um lucro líquido de até 66,67% por cabeça. “Para produzir, o investidor gasta em média R$ 15,00 e consegue vender por R$ 25,00 um frango que chega a atingir entre 2 a 2,5 kg”, explicou.

De acordo com o especialista em avicultura da Empresa de Assistência e Extensão Rural da Paraíba (Emater), Vicente de Assis Ferreira, a avicultura alternativa tem grandes chances de se projetar internamente no Estado e ganhar as fronteiras. “É uma oportunidade de mercado, principalmente, para o público que vive da agricultura familiar. Hoje temos um cenário favorável, com investimentos reais através de programas de incentivos governamentais, consultoria especializada e disponível para os interessados, além de condições naturais que favorecem a implantação e expansão da atividade”, destacou.

Segundo Assis, a Paraíba atualmente conta com 1.347 avicultores alternativos organizados em 47 associações em 104 municípios que dispõem de um plantel efetivo de 200 mil cabeças de frango caipira. “O mercado interno ainda conta com duas cooperativas e dois abatedouros que estão em fase de construção, e isso vai agregar qualidade ao produto que deverá contar com certificação estadual para ganhar as gôndolas do comércio e facilitar às vendas”, acrescentou.