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21 de setembro de 2012

Clementino Fraga capacita profissionais do Centro de Referência de Imunodeficiência a ser inaugurado



Cerca de 50 profissionais da saúde, entre médicos e enfermeiros, do Complexo Hospitalar Clementino Fraga participaram, nesta quinta-feira (20), do treinamento para atuar no Centro de Referência de Imunodeficiência Primária que será inaugurado nesta sexta-feira (21) na unidade hospitalar. O curso que acontece no auditório Jackson Araruna, até às 16h de hoje, e está sendo ministrado por profissionais especializados que atuam no Hospital das Clínicas e na Unifesp, de São Paulo.

De acordo com médica imunologista Tatiana Lawrence, presidente da Associação Brasileira de Imunodeficiência (Abri) e representante da Unifesp, a capacitação tem o objetivo de sensibilizar os profissionais de saúde para o diagnóstico da imunodeficiência. “Muitas vezes, o médico se preocupa apenas com o agente infeccioso, ou seja, com o agente que provoca as infecções, mas não atenta para uma possível deficiência de imunidade do paciente. Precisamos mudar esta mentalidade, até porque a imunodeficiência não é uma doença rara, o que ocorre é que ela é pouco diagnosticada”.

Os profissionais capacitados atuarão no Centro de Referência de Imunodeficiência Primária que será inaugurado nesta sexta-feria (21), às 11h, no Hospital Clementino Fraga. Segundo a diretora da unidade hospitalar, Adriana Teixeira, o novo serviço vai permitir que os casos suspeitos da doença sejam diagnosticados e recebam tratamento adequado sem ter que deixar o Estado. “A imunodeficiência é difícil de ser diagnosticada e exige uma série de exames específicos que até então só eram realizados em São Paulo, assim como todo acompanhamento e tratamento do paciente. Por meio de convênio com o Hospital das Clínicas, o Instituto de Ciências Biológicas e a Unifesp, os pacientes paraibanos, até então eram encaminhados, por meio do programa federal “Tratamento Fora de Domicílio”, para confirmação do diagnóstico e tratamento da doença. A partir da inauguração do centro, pelo menos todo fluxo inicial, do diagnóstico, acompanhamento, dispensação e aplicação do medicamento serão realizadas aqui na Paraíba”.

O Centro de Referência de Imunodeficiência Primária será o primeiro da rede pública de saúde na Paraíba e o terceiro do Nordeste e contará com uma equipe multidisciplinar com mais de 30 profissionais, entre imunologistas, enfermeiros, assistente sociais, psicólogos, nutricionistas, reumatologistas, entre outros.

Segundo Lindalva Lima, Gerente de Imunodeficiência Primária, o centro facilitará o encaminhamento de pacientes de todo Estado, permitindo a real avaliação do cenário na Paraíba. “A deficiência de imunidade é mais comum em crianças, mas pode se manifestar em adultos. O problema é que pela dificuldade de diagnóstico, muitas vezes o paciente vai a óbito sem saber, inclusive que a morte pode ter sido provocada pela incapacidade do paciente de produzir anticorpos que necessita para combater infecções e outras doenças”.

A gerente enfatiza a importância dos profissionais de saúde serem sensibilizados por sinais de alerta como a ocorrência de infecções repetidas ou até mesmo uma infecção muito grave, que seja muito difícil de ser combatida. “É imprescindível essa atualização dos médicos, até porque o paciente diagnosticado imunodeficiente tem um custo muito menor para a saúde pública, visto que pode ser acompanhado e as possíveis infecções podem ser prevenidas. Isso faz com que o número de internações caia, assim como o número de intervenções de emergência”.

Além de diminuir o custo do paciente para a rede pública de saúde, a inauguração do Centro de Referência de Imunodeficiência Primária trará comodidade e um acompanhamento mais humanizado aos pacientes e seus familiares.

Dispensação de medicamentos – A dispensação de imunoglobulina é realizada na Paraíba pelo Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcionais (Cedmex). A aplicação do medicamento, no caso dos pacientes com imunodeficiência, não acontece na Paraíba, porque até então não havia profissionais capacitados para este atendimento específico. A inauguração do Centro de Referência de Imunodeficiência Primária vai suprir esta lacuna.