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4 de abril de 2013

Cerest inicia programação especial em memória das vítimas de doenças e acidentes de trabalho



O Centro de Referência Estadual de Saúde do Trabalhador  na Paraíba (Cerest-PB), no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde, (SES),  iniciou, na manhã desta quinta-feira (4), a programação em memória das vítimas de doenças e  acidentes de trabalho, cuja data será lembrada no próximo dia 28 de abril.

As atividades foram iniciadas com  apresentação do filme  A Árvore da Marcação, que conta  a história  dos trabalhadores vitimados no meio rural e em especial os que trabalham no corte da cana de açúcar, uma das atividades agrícolas  que registra o maior número de acidentes de trabalho. A exibição do filme contou com a participação dos atores Janeide Pereira da Silva que hoje é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marcação e de  sua mãe,   Cândida Maria da Silva. Com 67 anos de idade, “Dona Candinha”, como é mais conhecida, disse que tem orgulho de falar que criou os seus sete filhos trabalhando no corte da cana-de-açúcar.

Logo em seguida, houve uma mesa redonda com representantes de várias instituições e órgãos ligados ao trabalhador e uma exposição de fotos do ambiente e do processo de trabalho canavieiro da I Macrorregional de Saúde.

Outras atividades – Dentre outras atividades que serão realizadas nos dias 10 e 26 constam debates, relatos dos trabalhadores rurais, exposição de fotos e um ato público.  O público alvo do evento são representantes de sindicatos, associações e entidades ligadas ao trabalhador.

A diretora geral do Cerest-PB, Celeida Maria de Barros França Soares, que representou o secretário de Estado da Saúde, Waldson Dias de Souza, disse que o dia 28 não será de comemoração, mas de reflexão sobre as condições desumanas em que vivem os trabalhadores em quase todos os segmentos, sejam eles  no meio rural ou industrial.

De acordo com ela, a cada duas horas uma pessoa morre vítima de acidente de trabalho no Brasil e a cada minuto três pessoas são vítimas de acidentes de trabalho e muitas não voltam mais às atividades por causa de morte ou sequelas irreparáveis. De acordo com dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no período de 2007 a 2011, foram registrados 3,6  milhões de acidentes de trabalho em todo o Brasil.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (13ª Região) Maria Edilene Lins Felizardo explicou que o órgão tem várias coordenadorias para fiscalizar todos os segmentos produtivos e que as ações são realizadas em parceria com Sindicatos e Associações de Trabalhadores rurais e outras entidades ligadas ao tema. “É um problema complexo de saúde pública e que precisa do engajamento de todos para que juntos possamos coibir as irregularidades com o trabalho escravo, a falta de segurança e as condições desumanas  em que vivem e são tratados esses trabalhadores”, destacou.

No dia10, a partir das 8h, acontece a reunião da Comissão  Permanente Regional Rural (CPRR) e apresentação dos resultados da análise da  água para consumo humano  dos trabalhadores nas frentes de trabalho do setor canavieiro, uma ação intersetorial da Superintendência do Trabalho e Emprego, Vigilância Ambiental em Saúde do Estado, Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PB), Federação dos Trabalhadores Agricultores (Fetag-PB), Cerest regional João Pessoa e CPRR/PB. O principal objetivo deste trabalho foi realizar vigilância da água para consumo humano, através da coleta e análise da água consumida pelos trabalhadores das usinas Tabu, Miriri, Japungu, Monte Alegre, D´Pádua, BioSev (Giasa) e São João.

A programação tem continuidade no dia 26, com ato público no Ponto de Cem Réis, onde, das 8h às 13h, será montado um stand com oficinas, filmes, palestras e serviços de saúde, além da participação de vários órgãos e entidades voltadas para a saúde do trabalhador.

Celeida Maria de Barros França Soares explicou que o principal objetivo do Centro é fortalecer a política de saúde do trabalhador no Estado, capacitando a Rede SUS para  identificar, notificar e reabilitar o trabalhador  adoecido na sua atividade produtiva ou que sofreu acidente de trabalho, como também disseminando as ações  em saúde do trabalhador em todos os níveis de atenção à saúde do SUS, além de promover o ambiente e o processo de trabalho saudável. “O serviço é um aliado para melhorar as notificações do SUS. Na Paraíba, são quatro Cerests:  o Estadual e Regional em João Pessoa e mais dois regionais,  em Campina Grande e Patos”.

Dados – Segundo informações obtidas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, o número de notificações dos agravos relacionados à saúde do trabalhador de notificação compulsória na Paraíba foi de  3.710 casos, no período de 2007 a 2012. No mesmo período, dados obtidos  pelo Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS)  apontam que o número de acidentes de trabalho registrados no Brasil foi de 3.569.506.