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20 de maio de 2013

Cearte recebe aula-espetáculo da caravana Rabequeiros de Pernambuco



O Centro Estadual de Arte (Cearte), localizado no bairro do Varadouro em João Pessoa, recebeu nesse sábado (18), a caravana Rabequeiros de Pernambuco para a aula-espetáculo: “A Rabeca Pernambucana: Do Forró ao Cavalo Marinho”. Formada pelos principais solistas da rabeca no Brasil (Mestre Luiz Paixão, Cláudio Rabeca, Maciel Salu e Renata Rosa), a caravana encerrou a turnê nacional que passou por Fortaleza, Natal, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Recife.

Para o idealizador do projeto, Cláudio Rabeca, o objetivo de popularizar o instrumento foi alcançado em cada cidade visitada pela caravana. “O grupo está muito feliz por ter encontrado todas as casas cheias por onde passamos e aqui na Paraíba não foi diferente. É muito bom poder despertar, principalmente nos jovens dos centros urbanos, o interesse pelo instrumento e a vontade depois de tocá-lo, pois apesar de ser um instrumento da cultura popular nordestina, ainda estava bastante distante da grande massa, ao contrário da sanfona que ganhou mais adeptos na região”, destacou o rabequeiro.

Durante a aula, os solistas mostraram um pouco de suas respectivas trajetórias musicais, explanaram sobre a origem do instrumento, os principais mestres da rabeca, o preconceito que enfrentaram para popularizá-la, fabricação artesanal, venda, esclareceram as dúvidas dos alunos de música, estudiosos de arte e dos visitantes em geral, que, por curiosidade prestigiaram o evento, além de abordarem um panorama geral da utilização da rabeca nos dias atuais nos folguedos populares espalhados pelo Brasil, como por exemplo, o Cavalo Marinho na Zona da Mata pernambucana.

Formado em direito, mas percussionista por profissão e paixão, o músico Gabriel Moura foi conferir a aula e os grandes solistas de rabeca no Brasil. “Esse formato de aula é muito bom. Principalmente para mim, que sempre desejei tocar a rabeca e hoje tive a oportunidade de chegar mais perto e tirar minhas dúvidas”, explicou o percussionista.

O doutorando em Etnomusicologia, o professor Agostinho Lima, também foi prestigiar o evento e aproveitou para entregar aos rabequeiros o CD de Bois de Reis da Paraíba, resultado do seu projeto de doutorado. “Em 2005, fiz outro CD da tese de mestrado onde reuni rabequeiros do Brasil inteiro como forma de poder proporcionar melhor visibilidade aos músicos. Por isso, a ideia dessa caravana é muito importante para as pessoas conhecerem melhor este instrumento da região. Na Paraíba, por exemplo, temos cerca de nove rabequeiros renomados, dentre eles o mestre José Hermínio Caieira, conhecido como Zé Hermínio da rabeca”, enfatizou o pesquisador.

Lei Canhoto da Paraíba – No mês de abril, o Conselho Estadual de Cultura recebeu a visita de vários mestres contemplados pela Lei Registro de Mestres das Artes Canhoto da Paraíba, que reconhece os mestres da cultura popular paraibana e lhes concede a ajuda de custo de dois salários mínimos. Entre os contemplados estava o rabequeiro paraibano, Zé Hermínio.

Ele é membro do Cavalo Marinho de Mestre Messias, rabequeiro dos grupos de Cavalo Marinho do Mestre Gasosa, Mestre Zequinha, Mestre Paulo e Mestre Jovelino. É também artesão, criador e membro do grupo de forró “Zé Hermínio e Seu Conjunto”. Já participou do CD “Música de Rabequeiros”, coletânea que reúne os mais importantes músicos dessa área no Brasil, tais como: Antônio Nóbrega, Siba, Cego Oliveira, Nélson da Rabeca e Maciel Salustiano.

A ideia da caravana dos solistas rabequeiros surgiu de Cláudio Rabeca, realizador do disco Rabequeiros de Pernambuco, que reuniu, em 2011, o registro sonoro de 24 instrumentistas do Estado. Durante a turnê os rabequeiros são acompanhados na percussão por Gilú Amaral (Orquestra Contemporânea de Olinda) e Guga Amorim (Quarteto de Olinda); e nas cordas por Rodrigo Samico (Saracotia) e Hugo Lins que também realizou a direção musical do espetáculo.

Em João Pessoa, o grupo fez dupla apresentação, sendo à tarde no Cearte e, à noite, na Sala Digital Vladimir Carvalho, na Usina Cultural Energisa.

História da rabeca – Pesquisas apontam a origem da rabeca na cultura árabe, assim como o alaúde e outros instrumentos de corda. Depois, passou a designar qualquer instrumento folclórico parecido com o violino de cultura popular. De tom mais baixo que o do violino, tem um timbre fanhoso e percebido, geralmente, como tristonho. Existem rabecas de três, quatro, e mais raramente de cinco cordas. Podem ser de tripa ou aproveitadas de outros instrumentos como o cavaquinho, bandolim ou violão. Suas afinações variam de acordo com o estilo de cada rabequeiro.