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30 de novembro de 2010

Castro Pinto e Hildeberto Barbosa encerram palestras no Salão do Livro



 

Jornalistas, escritores, alunos e professores universitários participaram na noite de sábado (27) do último debate literário do Iº Salão Internacional do Livro.  O  evento ocorreu no Espaço Cultural desde o último dia 20 e foi encerrado neste domingo (28). Os escritores Hildeberto Barbosa Filho e Sérgio de Castro Pinto se apresentaram no teatro de arena. Eles abordaram assuntos ligados à criação das obras, censura e influência dos autores sobre a vida do leitor. Os dois participaram do quadro ‘Café com Letras’, apresentado pelo poeta e jornalista, Linaldo Guedes.

O escritor e crítico literário Hildeberto Barbosa Filho começou a sua apresentação destacando as curiosidades encontradas pelos colecionadores de livros, os chamados bibliófilos. Ele disse que a qualidade e magia de muitas obras podem ser percebidas na riqueza dos detalhes. “A bibliofilia tem curiosidades pitorescas. Às vezes, elas estão no prefácio, na dedicatória e mostram  elementos com a função de inquietar e comover o eleitor”, afirmou.

Considerado um dos maiores estudiosos da relação do livro com a sociedade, Hildeberto observou ainda que as novas tecnologias, à exemplo da internet, não ameaçam a existência das obras impressas. “Acho difícil que a chegada da internet acabe com o livro. A tecnologia não tem amedrontado. Pelo contrário. A indústria de livros nunca produziu tanto como agora”, declarou.

“A menos que se crie nova pedagogia, acho difícil alguém ler um livro inteiro na tela do computador. Acho até que isso causará implicações para a saúde. O livro impresso já impôs um hábito, permite que seja lido em qualquer circunstâncias e conforto, o que não ocorre com o computador”, completou.  

O escritor Sérgio de Castro Pinto fez uma viagem ao passado e relembrou a origem do grupo   “Sanhauá”. Formado por jovens escritores e estudantes, o grupo existiu entre os anos de 1963 a 1970 e foi responsável pela criação de poesias, poemas e trabalhos no teatro. Apesar do talento literário de seus integrantes ser considerado à frente de seu tempo, com o passar dos anos, o grupo    deixou de existir. “Os integrantes se dispersaram. Alguns deixaram a poesia; outros, a poesia os deixou. E ainda há outros que viajaram para outros Estados”, recordou.

Castro Pinto também participou da fundação da União Paraibana de Poetas (UPE), que nasceu a partir de uma divergência com a União Brasileira de Poetas. Com a vida dedicada à literatura, ele explicou que a poesia e o poema nem sempre andam juntos. “A poesia vem antes do poema. Há poemas que perderam a poesia, porque perderam a emoção e a capacidade de emocionar o leitor”, observou.

Os autores também comentaram sobre uma possível ameaça de censura literária. Citando a obra “Caçadas de Pedrinho”, publicada em 1933 por Monteiro Lobato, Hildeberto afirmou que a literatura não é uma ciência exata, com sentido concreto, mas flexível. “Cada vez mais, a literatura está se tornando ausente dos cursos das academias e está sendo reduzida a uma expressão folclórica. Mas ela não se propõe a saber de coisa alguma. Acho que fazer censura nesse momento é cometer um excesso de zelo”, comentou Hildeberto.

 

Nathielle Ferreira, com fotos de Ernane Gomes, da Secom