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18 de maio de 2012

Casa do Artista Popular encerra Semana Nacional de Museus com show de bonecos



O Museu Casa do Artista Popular, em João Pessoa, finalizou, na manhã desta sexta-feira (18), a programação alusiva à Semana Nacional de Museus. O encerramento das atividades foi marcado por apresentações dos irmãos Mestre Clóvis e Clébio, que deram vida a personagens de babau – bonecos típicos da cultura paraibana, que são manuseados com as mãos, a exemplo de mamulengos.

A programação na Casa do Artista teve início na última quarta-feira (16), com a palestra “A moda exposta como arte e história nos museus”, ministrada pelo coordenador da Fundação Tecnológica e Cultural da Paraíba (Funetec), Léo Mendonça. Já nesta sexta, o museu recebeu a visita de estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Albuquerque Burity. Os alunos contemplaram as peças em exposição nos salões e, em seguida, assistiram às apresentações de babau.

A primeira delas foi do babauzeiro Clóvis Martins Bezerra – mais conhecido com o Mestre Clóvis -, que utilizando mais de 20 bonecos, entreteve o público presente contando a história da cultura do babau e da importância do museu. “Foi a primeira vez que me apresentei num museu e achei uma experiência incrível. Com a interação do público num lugar como esse, a gente acaba informando e sendo informado. Tudo isso precisa ser valorizado pelo povo paraibano”, destacou.

Em seguida, foi a vez do ventríloquo Clébio Martins Bezerra fazer seu show com os bonecos Cassimiro, Birino e Dona Rosa. A apresentação levou os expectadores a darem várias gargalhadas. Para a diretora do museu, Maria Luísa Barreto, as atividades da Semana Nacional de Museus, no Casa do Artista, foram um sucesso. “Houve uma interação muito grande do público que nos visitou. A participação e a resposta dos estudantes foram fantásticas. Esperamos valorizar cada vez mais nossa arte e cultura”, frisou.

A Semana Nacional de Museus é organizada, anualmente, pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), tomando como referência o Dia Internacional de Museus, comemorado em 18 de maio. Este ano, o evento chega a décima edição com o tema “Museus em um Mundo em Transformação – novos desafios, novas inspirações”. Por todo o País, as instituições se mobilizam e promovem atividades para marcar a data.

Conhecimento – As atividades aproximaram do museu pessoas que nunca tinham entrado em um antes, como a estudante Fernanda Morena, uma das integrantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Luiz Gonzaga Albuquerque Burity. “Para mim, foi tudo uma grande surpresa. Fiquei encantada e sequer consigo indicar o que mais me agradou. Com certeza, espero retornar outras vezes”, disse.

A aluna Cristiana Laurindo, que já havia visitado o Museu Casa do Artista Popular, se surpreendeu com a apresentação dos babaus. “Muito mais do que conhecer os bonecos, pude saber a história deles, de onde vieram. Achei as apresentações bastante engraçadas e me diverti demais, juntamente com meus colegas”, revelou.

O babau – A data que os babaus ganharam vida na Paraíba é incerta. Segundo o Mestre Clóvis, existem relatos da origem dos bonecos ainda nos tempos em que o País era dividido em capitanias hereditárias. Na prática, a cultura do babau, típica da Paraíba, em muito se aproxima dos tradicionais mamulengos, de Pernambuco, e do João Redondo, do Rio Grande do Norte. “Cada um tem suas particularidades, principalmente por serem originados de localidades diferentes e, com isso, recebem influências distintas da cultura”, explicou Clóvis.

Inicialmente, os babaus eram tradicionais em festas religiosas. Hoje, a cultura dos bonecos já se expande por todos os locais, inclusive museus e escolas. Os babaus, geralmente, são feitos de mulungu, raiz de tambor e imburana. O figurino utilizado por eles é produzido com chita, característico do Nordeste brasileiro. “Mas também podemos fazê-los com papel machê bem como com garrafas pet, para evitar a queda de árvores em troca de bonecos” acrescentou.

A casa – O Museu Casa do Artista Popular foi inaugurado em 2006 com o objetivo de reunir o que há de mais representativo do artesanato e da arte popular paraibana, no intuito de preservar atividades artesanais desde sua história, crenças e costumes. No local, é possível encontrar um acervo de mais de 1,5 mil peças, provenientes de artesãos de 54 municípios paraibanos.

A instituição está localizada na Praça da Independência, 56, no Centro, em João Pessoa. O museu está aberto para visitas de terça à sexta, das 9h às 17h, e sábado, domingo e feriados, das 10h às 18h. A entrada é franca. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (83) 3221-2267.