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Casa Cassiano Ribeiro Coutinho será recuperada em 2010

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 - 11:58 - Fotos: 

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, como um significativo exemplar da arquitetura modernista em João Pessoa, a “Casa Cassiano Ribeiro Coutinho” será recuperada em 2010. O acordo foi firmado durante uma reunião, na sede do patrimônio estadual, entre o diretor do IPHAEP, Damião Ramos Cavalcanti, o proprietário Aldenor Mendes e os familiares e representantes de Acácio Gil Borsoi, já falecido e autor do projeto do imóvel: os arquitetos Vera Pires e Roberto Ghione, da VPRG Arquitetos; e o diretor da Alliance,  Raul Henrique Lins.

“Este é um momento importante, em que o poder público e a iniciativa privada se juntam para salvaguardar um bem de valor altamente significativo para a história da arquitetura modernista: não apenas da Paraíba, mas também do Brasil”, ressaltou Damião Cavalcanti. “Estamos muito felizes com o encaminhamento do projeto”, disse o proprietário Aldenor Mendes. “Nossa idéia é construir um empreendimento comercial, mas também vamos preservar a estrutura original e reconstruir áreas internas, que já sido modificadas, além do jardim projetado por Burle Max”.

O projeto de Borsoi – A arquiteta Vera Pires explicou que o bem será recuperado dentro dos parâmetros descritos pelo arquiteto Gil Borsoi, que morreu em outubro deste ano. Um pouco antes, ele visitou a casa, a convite do IAB/PB, e concedeu entrevista exclusiva à repórter Nana Garcez, da revista “Edificar”, onde se mostrou maravilhado com o tombamento e as possibilidades de recuperação, para que o imóvel voltasse ao esplendor da época da construção.

Alguns dias depois, em Recife, Borsoi escreveu uma “carta testamento”, onde especificava todos os detalhes da intervenção, no sentido de restaurar a edificação da Epitácio Pessoa. “O projeto para valorização e efetiva incorporação da casa de Cassiano Ribeiro Coutinho ao acervo cultural de João Pessoa deve contemplar uma série de considerações que compreendem aspectos culturais, arquitetônicos, urbanísticos, comerciais e imobiliários”, dizia o arquiteto.

A partir dessas argumentações, propunha um programa destinado a uma efetiva valorização do imóvel e seu entorno, com uma superfície útil de aproximadamente 15.000 metros quadrados. Segundo ele, cinco usos devem ser efetivados no projeto: os comerciais na própria casa e em construções novas, em torno do jardim que será reconstruído e aberto para a Avenida Epitácio Pessoa; o empresarial, o estacionamento, o recreativo e o residencial. “Uso residencial integrado com o empresarial, no conceito de “home office”, ressaltava o autor. “Esta proposta é novidade no mercado imobiliário de João Pessoa e procura racionalizar produtividade e tempo”.

Bem modernista – A “Casa Cassiano Ribeiro Coutinho” foi concebida na década de 1950, época de surgimento e efervescência do movimento modernista na arquitetura brasileira. O imóvel foi edificado no momento de expansão de João Pessoa, quando as famílias mais ricas, que moravam na parte central da cidade, deslocaram-se em direção à praia. O projeto é do arquiteto Acácio Gil Borsoi e os jardins foram projetados por Roberto Burle Marx.
 
Em 10 de agosto de 2009, o Conselho de Proteção dos Bens Históricos Culturais do IPHAEP aprovou, por unanimidade, o pedido de tombamento do imóvel. O parecer foi escrito pelo conselheiro Raglan Gondim, coordenador de Arquitetura e Ecologia do Instituto, onde ele detalhava todos os elementos do processo: desde o pedido de tombamento, encaminhado ao patrimônio estadual através de um documento assinado por André Cabral Honor e outros 100 signatários, até os trâmites de apreciação e visita ao imóvel, para comprovar, in loco, os resquícios modernistas da edificação.

Na Ficha de Inventário, a “Casa Cassiano Ribeiro Coutinho” foi classificada como um bem de “conservação parcial”. Segundo Raglan Gondim, “isto garante a sua perfeita adaptação às mais diversas funções contemporâneas, além de permitir que, ao longo das intervenções futuras, os danos sejam plenamente revertidos, conforme projetos previamente aprovados no IPHAEP”.

Thamara Duarte, da Assessoria do Iphaep, com fotos de Gilberto Stuckert