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Caprinovinocultura se desenvolve com alta tecnologia na Paraíba

sábado, 31 de março de 2012 - 12:43 - Fotos: 

Fotos: João Francisco/Secom-PB

No interior da Paraíba, a caprinovinocultura é uma atividade tradicional que desempenha importante papel social na fixação do homem na terra. Segundo o estudo “Mercado de carne, leite e derivados de caprinos e ovinos”, do Sebrae-PB, a Paraíba possui mais de um milhão de cabeças, o que representa 6% dos rebanhos nordestinos. O Estado é o 5º no ranking regional, ficando atrás da Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí.

Na região da Borborema, é onde se concentra o maior rebanho caprino, sendo o município de Monteiro o que tem mais cabeças entre os locais que desenvolvem esse tipo de cultura na Paraíba. Dados do IBGE mostram que, em oito anos, a cultura teve um salto de 21%. As duas regiões onde o crescimento foi mais impactante nestes últimos anos foram a Mata Paraibana (70%) e o Sertão (18%).

Para impulsionar ainda mais esse crescimento, o Governo da Paraíba investe em tecnologias que favoreçam uma cultura mais eficiente, rentável e de alta produtividade. Além disso, por meio da difusão, está repassando ao produtor familiar tudo o que é gerado pela pesquisa para o fortalecimento da cadeia produtiva do setor.

Estações experimentais – A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (Emepa) é responsável pelas pesquisas avançadas que, ao longo dos anos, têm contribuído para o negócio da caprinovinocultura paraibana. Todo o trabalho é desenvolvido na Estação Experimental de Pendência, localizada na microrregião do Curimataú Ocidental, no município de Soledade, distante 210 quilômetros de João Pessoa. A área ocupada é de 727 hectares, com capim, palma forrageira, açudes e vegetação nativa.

Bem equipada, a estação possui instalações como: Centro de Manejo Animal; laboratório de biotecnologia; míni-usina de processamento de leite; fábrica de queijos e derivados; Centro de Treinamento, com sala de aula, refeitório e dormitório; casa de hóspedes para pesquisadores e instrutores; casa de colonos; e salas para técnicos e pessoal administrativo.
As linhas de pesquisa da estação incluem sistema de produção, melhoramento animal, inseminação artificial, transferência de embriões, sanidade animal, alimentação e nutrição de caprinos das raças Anglo Nubiana, British Alpine, Pardo Alemã, Savana (especializada para produção de carne) e a nativa Canindé. Ações de pesquisas também são desenvolvidas com ovinocultura de corte, especialmente com as raças Santa Inês e Dorper.

Outra estação experimental onde são desenvolvidos experimentos com caprinos é a Benjamim Maranhão, no município de Campo de Santana, também no Cariri paraibano. As duas estações são consideradas ilhas de excelência no Brasil, em trabalhos nas áreas de inseminação artificial, transferência de embriões, capacitação de produtores, manejo e aperfeiçoamento das raças por meio de cruzamentos.

Avaliação – De acordo com Wandrick Hauss, doutor em Melhoramento Genético, a Emepa oferece treinamentos a criadores nas diversas etapas da cadeia produtiva, como forma de difundir os conhecimentos gerados. Ele explica que, em parceria com o Ministério da Agricultura e associações de criadores de ovinos Santa Inês, a empresa faz uma avaliação com animais dessa raça para selecioná-los como reprodutores.

“A técnica é um avanço para o criador. Agora eles têm um instrumento de melhoramento com base científica, pois a única ferramenta que havia para a seleção dos seus animais era a intuição e informações auxiliares, dadas por juízes durante as exposições”, disse Wandrick.

Segundo ele, a avaliação é simples. Os animais são submetidos a um estudo de desempenho em que são analisadas as suas características de reprodução, ganho de peso, características de carcaça e, na sequencia, uma avaliação subjetiva feita com três juízes credenciados pela Associação de Criadores. Só então é estabelecido um índice de classificação que indica os melhores reprodutores.

Tecnologia – Outro trabalho de grande avanço tecnológico na área é um software adquirido pela Emepa para avaliar as características de carcaça do animal ainda vivo. O software, após a captura de imagens via ultrassom, permite uma análise mais segura da predição da quantidade de carne e da gordura na carcaça do animal antes do abate.

O pesquisador também citou o abate precoce de animais (com a finalidade de se obter uma carne menos gordurosa, saborosa e mais saudável) como uma ação impulsionadora da caprinovinocultura paraibana. “Atualmente, temos o cordeiro super-precoce, cujo abate ocorre em apenas 77 dias de vida do animal, com carcaça entre nove e 13 quilos de carne, fruto do cruzamento das raças Dorper e Santa Inês”, contou.

Alimentação animal – Entre as inovações na área de alimentação animal estão os blocos multinutricionais, desenvolvidos a  partir da mistura de melaço, uréia pecuária, sal, minerais e bagaço de cana ou folhas encontradas na propriedade rural. O produtor mistura tudo, coloca em prensas ou formas de fazer tijolos e deixa secar. “O resultado são blocos endurecidos, feito rapaduras, prontos para serem oferecidos aos animais”, explica a zootecnista Maria das Graças Gomes Cunha, uma das responsáveis pela pesquisa.

De acordo com ela, se o animal não tiver à sua disposição reservas naturais de minerais, como o sódio e o zinco, por exemplo, precisa da reposição diária desses elementos – daí a necessidade da suplementação. “A utilização dos blocos multinutricionais é uma alternativa eficiente e promissora, que fornece nutrientes essenciais durante o período em que as forrageiras estão com baixa qualidade”, explicou.

Segundo a zootecnista, o tablete nutricional substitui o sal oferecido nos cochos e tem a vantagem de ser mais completo, porque, além dos minerais, tem ingredientes energéticos. Utilizada em animais da região do semiárido, como caprinos e ovinos, a nutrição mineral apropriada contribui para a produção e a melhora da relação custo/benefício do sistema de produção de carne e leite.

Outras alternativas de alimentação para os animais que sofrem em épocas de estiagem vêm sendo testadas por técnicos e pesquisadores. Forragens e fenos feitos à base de plantas nativas (marmeleiro, mata-pasto, jureminha) já estão sendo repassadas aos pequenos e médios criadores como forma de garantir a alimentação dos rebanhos no Cariri paraibano.

Melhoria genética – A Emepa finalizou, no mês passado, um processo de transferência de 638 embriões importados da África do Sul a matrizes receptoras de ovinos e caprinos. Ao todo, 288 ovelhas e 350 cabras de corte (das raças Boer e Savana) e leiteiras (Saanen e Alpina Britânica) foram inseminadas artificialmente.

Para a importação dos 910 embriões, o Funcep repassou à Emepa recursos da ordem de R$ 1,5 milhão. “Com a inovação tecnológica,, que é nossa marca, multiplicaremos esse apoio aos produtores do Estado ao reproduzir animais de alta carga genética” declarou o presidente da Emepa, Manoel Duré.

Ele ressaltou a importância de melhorar o padrão genético dos rebanhos paraibanos e disse que a determinação do governador Ricardo Coutinho é transferir toda a tecnologia dessa nova genética para os produtores rurais que praticam a agricultura familiar na Paraíba. “A meta é fazer com que essas famílias aumentem a renda a partir de animais que tenham maior produtividade de carne e leite”, disse. O projeto, de acordo com ele, visa o beneficiamento do Programa do Leite na Paraíba.