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Caminhada pela Vida encerra campanha de doação de órgãos

domingo, 29 de setembro de 2013 - 14:35 - Fotos:  Secom-PB/Ricardo Puppe

A Central de Transplante da Paraíba encerrou, neste domingo (29), à XIII Campanha para Doação de Órgãos e Tecidos, com a Caminhada pela Vida. O evento aconteceu na praia de Tambaú, em João Pessoa. Participaram da caminhada, funcionários da Central, transplantados e parentes, além da banda da Polícia Militar e as crianças da Banda Marcial da Escola Professor Agostinho Fonseca Neto.

De acordo com a gerente de Ações Estratégicas da Central de Transplante, Miriam Carneiro, a caminhada teve o objetivo de sensibilizar as famílias sobre a doação de órgãos. “Queremos trazer para as famílias a discussão da doação de órgãos, pois somente quando a família já conversou sobre o assunto ela tem uma maior possibilidade de autorizar a doação. No momento que acontecer um óbito, a família vai lembrar que aquela pessoa, um dia, disse que queria ser doador. O importante, hoje em dia, para ser um doador de órgãos é só comunicar seu desejo à família, pois só ela pode autorizar a doação”, explicou.

Marizete Lacerda de Araújo perdeu o filho de 39 anos, em abril deste ano, em um acidente na ciclovia. A bicicleta se chocou com outra que vinha na contramão e ele sofreu um traumatismo craniano. Como já havia comunicado o desejo de ser doador, a família doou todos os órgãos.

Para Marizete, saber que seu filho ajudou tantas pessoas é gratificante. “Meu filho foi cremado, todos os órgãos que foram doados teriam virado cinzas e hoje estão ajudando seis pessoas. Doamos as duas córneas, o coração, o fígado e os dois rins. Então, seis vidas foram beneficiadas, graças a ele. O que eu achei mais lindo nessa campanha é a frase, “Não deixe só saudades, deixe vida, doe órgãos. Hoje eu sei que meu filho deixou vida em seis pessoas, e isso é gratificante”, observou.

Já Carlos Roberto Lucas, 36 anos, foi transplantado há 11 meses e deseja que as pessoas percam o medo da doação. “Eu descobri que era hipertenso, em 2005, e continuei sem me cuidar, sem tomar os medicamentos indicados pelo cardiologista, e fui surpreendido, em 2011, com angina. Fui encaminhado ao hospital com sintomas de infarto, quando, na verdade eu já estava com os rins paralisados. Fiquei 18 dias na UTI, e já saí fazendo diálise. A partir daí, o médico já disse que eu era crônico renal e a saída era o transplante. Minha irmã doou um rim e hoje eu estou muito bem, recuperado, levando uma vida totalmente normal. E por isso estou aqui, para chamar a atenção da população para que não tenham medo de doar. A doação não atrapalhou a vida da minha irmã em nada, e ela salvou a minha vida”, disse.

Ainda segundo Mirian, a equipe de fígado e coração da Central de Transplante da Paraíba espera que, a partir dessa campanha, mais pessoas doem estes órgãos para atender aos pacientes.  “O transplante de rins também está sendo bem desenvolvido, nós já estamos com 42 transplantes de rins só neste ano, e esperamos que agora, depois da campanha, aumente esse número. Queremos chegar ao fim do ano com pelo menos 60 transplantes de rins realizados aqui na Paraíba”, concluiu.

A Campanha – A XIII Campanha Estadual para Doação de Órgãos e Tecidos foi aberta dia 26 de setembro, na Estação da Companhia de Trens Urbanos de João Pessoa (CBTU), com o tema: “Sinal Verde para a Vida. Diga Sim à Doação de Órgãos!”.

Qualquer pessoa com idade entre dois e 80 anos e que não apresente doença comprometedora no órgão ou tecido doado pode ser doadora. Após o óbito, a família do doador deve informar ao hospital ou à Central de Transplante o seu desejo de doar. Os órgãos e tecidos que podem ser doados são: cartilagens, coração, córnea, fígado, intestino, medula óssea, ossos, pâncreas, pele, pulmão, rim e válvula. Após a retirada dos órgãos, o corpo é recomposto.

Para ser doador não precisa registrar em documento oficial, basta manifestar o desejo de ser doador à família. Só ela decide sobre a doação. Qualquer dúvida sobre a doação de órgãos e tecidos pode ser esclarecida pelos telefones da Central de Transplante: (083) 3244-6192 – 3225-6409 e 8845-3516.