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Bope-RJ participa de simulação de resgate complexo na Capital

quarta-feira, 17 de março de 2010 - 18:00 - Fotos: 

A Polícia Militar da Paraíba encerrou na manhã desta quarta-feira (17), o Curso de Gerenciamento de Crises. Durante duas semanas, 22 policiais (militares, civis e patrulheiros rodoviários), sendo dez paraibanos e 12 de outros Estados (incluindo homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais – Bope, do Rio de Janeiro) assistiram a 60 horas de aulas e encerraram as atividades com a simulação de um resgate complexo. O treinamento ocorreu no Centro de Ensino da PM, no Bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

As aulas capacitaram os policiais a agir em situações de grande tensão, onde qualquer erro pode resultar na morte de pessoas. Técnicas de gerenciamento de crises, habilidades para negociar com sequestradores e conhecimentos básicos sobre psicologia do criminoso foram alguns dos temas abordados. Os policiais participaram também de simulações e foram informados em que situação cada técnica deve ser aplicada.

Calma nessa hora – De acordo com o instrutor do curso, o major Onivan Elias de Oliveira, sequestros, bloqueio de estradas e rebeliões são alguns exemplos de situações de crise. Ele garante que manter a calma é a orientação essencial para o policial obter sucesso nessas circunstâncias. “Toda intervenção policial precisa ser feita com calma. O policial deve estudar o caso, fazer uma radiografia da situação e aplicar a técnica correta”, explica.

Os casos em que envolvem reféns são os mais delicados e, consequentemente, os que exigem atenção redobrada. Qualquer passo em falso da polícia pode levar a vítima à morte. Por isso, o major alerta que a negociação deve se estender pelo tempo que for preciso. Mas destaca que o diálogo acaba no momento em que o criminoso começar a violentar a vítima. “A negociação pode durar horas, dias, semanas e até meses. O que vai decidir a duração é a conduta do sequestrador. Se ele não demonstrar violência, a negociação deve durar por tempo indefinido”, observa.

Ação de sucesso – Na noite da última quinta-feira (11), as técnicas do Curso de Gerenciamento de Crise foram decisivas para frustrar com sucesso uma tentativa de assalto a um ônibus da empresa Reunidas. O coletivo de prefixo 8121 da linha 5101, que faz o percurso entre Cabedelo e João Pessoa, seguia pela Avenida Epitácio Pessoa, na Capital, quando foi interceptado por viaturas da polícia. Os militares foram acionados por uma ligação anônima que partiu do interior do coletivo. No veículo estavam dois homens armados que planejavam assaltar e sequestrar quase 30 passageiros. Após uma troca de tiros e 45 minutos de tensão, a dupla foi presa e os reféns libertados.

No sequestro frustrado pela polícia ao ônibus da linha de Cabedelo, quem estava no comando da operação era o major José Rodrigues Souza Neto. “Assim que recebemos o chamado pelo rádio, fomos localizar o ônibus. E, no momento oportuno, fizemos o cerco ao veículo. Isolamos a área, fizemos um confinamento, seguindo as práticas do Gerenciamento de Crise. Então, começamos a negociação. Primeiro, eles libertaram velhos, em seguida, foram mulheres, gestantes e crianças”, detalhou.

“Após um tempo, um dos elementos se rendeu e eu o algemei. Alguns passageiros nos confidenciaram que havia outra pessoa no ônibus, escondida com uma arma. Subimos no ônibus e fizemos uma revista. Achamos a pessoa e um revólver com uma bala deflagrada”, completa.

Os dois homens suspeitos foram levados para a delegacia. Um deles é o menor de idade, de iniciais L.T.S, de apenas 15 anos. O outro, de 20 anos, é Edson Ricardo da Silva Lourenço, residente na comunidade Nova Esperança, no conjunto Renascer II. Já o adolescente é morador no bairro Renascer IV, ambos em Cabedelo. Os dois foram autuados por sequestro, cárcere privado e tentativa de homicídio.

Se não fosse a intervenção da polícia, este seria o 31º assalto a ônibus cometido apenas este ano em João Pessoa. As maiores vítimas da ação dos marginais vem sendo as empresas Reunidas e Transnacional. De acordo com a Associação de Empresas de Transportes Coletivos de João Pessoa (AETC-JP), cerca de 80% da frota têm câmeras instaladas para inibir a ocorrência de assaltos. 

Outro caso – No dia 28 de outubro de 2009, as técnicas do curso ajudaram a polícia a evitar outro assalto a ônibus. Dessa vez, o caso ocorreu na Ilha do Bispo, em João Pessoa. Por coincidência, o major José Rodrigues Souza Neto também comandou a operação. Ele estava fazendo a segurança durante uma festividade no local e percebeu que um ônibus da linha Sesi, que circula entre João Pessoa e Bayeux, estava trafegando num lugar diferente do percurso programado.

“Havia uma dupla de assaltantes no ônibus. Os dois já tinham rendido o motorista e o obrigado a sair da rota para facilitar a fuga dos bandidos. Quando percebemos, abordamos o ônibus. Houve troca de tiros e quase uma hora de negociação”, lembra o major. 

Existiam quase 30 pessoas no ônibus. Para evitar ferimentos ou mortes, o oficial, que já fez o curso, precisou aplicar os conhecimentos que aprendeu em sala de aula. “A primeira coisa que aprendemos é manter a calma. E negociar. Invadir o ônibus ou dar o tiro no bandido são os últimos recursos que usamos”, afirma.

A operação tomou grandes proporções. Pelo menos, 60 policiais foram empregados no trabalho. Entre eles estavam atiradores de elite, tropas do Choque, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e homens posicionados para invadir o ônibus a qualquer momento. Mas nada disso foi preciso. “Estávamos prontos para agir com violência, com todos os postos dominados, mas, graças a Deus, não foi preciso. Apenas com negociação e calma, conseguimos prender os assaltantes e libertar os reféns”, conta o major.

O Curso de Gerenciamento de Crise terminou nesta quarta-feira (17). Nova turma será formada até o segundo semestre deste ano. Esse tipo de treinamento vem sendo oferecido aos militares desde 1996, quando foi criado o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. A modalidade é empregada em situações de alto risco, como rebeliões e sequestros.

Nathielle Ferreira, da Secom-PB