João Pessoa
Feed de Notícias

Biblioteca da UEPB tem universo de encantamento e raridades

quarta-feira, 19 de maio de 2010 - 10:04 - Fotos: 
Adquirida pelo Governo do Estado em 2003 e, posteriormente, doada à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Biblioteca, que pertenceu ao professor Átila Almeida, também é detentora da maior coleção de cordel da América. Assim, a Biblioteca Átila Almeida configura-se como uma valiosa opção aos pesquisadores e interessados em consultar obras raríssimas, cordéis, periódicos e jornais. Todos os volumes integravam a coleção do professor Átila, que nutria verdadeira paixão pela literatura popular.
 
Em 2003, o acervo foi comprado à senhora Ruth Almeida, viúva de Átila, 12 anos após sua morte. Em 2004, a UEPB passou a ter total responsabilidade pelo material, com sua guarda, conservação e manutenção. Em meio aos volumes doados, foram encontradas caixas com documentos pessoais de Átila Almeida, que no futuro serão disponibilizados para possíveis pesquisas.
 
Desde 2007, a UEPB intensificou a política de melhorias estruturais de ordem física da Biblioteca e adquiriu equipamentos e materiais específicos para a melhoria das condições climáticas e ambientais. O local ainda conta com espaço para estudo coletivo e individual.
 
 
Bibliofilia: raridades e curiosidades
 
O acervo Átila Almeida é um mundo encantador e precioso em pleno interior nordestino. Inigualável e genuíno, conta com materiais impressos em suportes diferenciados, que retratam tanto a cultura universal quanto às peculiaridades da cultura nordestina.
 
Bibliófilo confesso, Átila Almeida colecionou 17.560 títulos de obras, muitas de caráter raro, devido ao seu valor histórico e a sua singularidade; jornais que datam do século XIX, retratando a memória do Estado da Paraíba, e 10.283 títulos de cordéis.
 
A diretora da Biblioteca Central da UEPB, professora Manuela Maia, contou que numa visita à viúva de Átila Almeida descobriu que este havia se correspondido com o famoso bibliófilo José Mindlin, falecido em fevereiro deste ano. Mindlin era dono da considerada maior biblioteca privada do Brasil e doou boa parte de sua coleção à Universidade de São Paulo (USP).
 
Bibliófilo vem do grego “biblion” (livro) e “philia” (amor). O bibliófilo é aquele que coleciona livros pelo simples prazer. Assim era Átila, que como seu colega Mindlin, acabou tendo sua coleção conservada por uma instituição pública de ensino superior, ficando, deste modo aberta à população e servindo a diversos apreciadores.
 
Na Biblioteca, o cordel ganha destaque por sua forma peculiar de retratar o ideário do homem simples do Nordeste acerca de sua cultura e leitura de mundo. O acervo de cordéis, no momento, está sendo digitalizado por estudantes bolsistas de Arquivologia, advindos do campus V da UEPB, em João Pessoa, num projeto de Iniciação Científica coordenado pela professora Manuela Maia.
 
Outros valiosos acervos são os de jornais e os de folhetos. O acervo de jornal é formado por diversos documentos compreendidos entre os anos de 1878 a 1971, quando foram publicados Leis e Decretos sobre a província da Paraíba. Os folhetos tratam de inúmeros documentos que informam sobre o Estado, porém de caráter não administrativo. Assim, podemos perceber, diante da grandiosidade do material, a importância de sua preservação para a população paraibana, a nordestina e a brasileira, tendo em vista o seu inegável valor histórico-cultural, a sua antiguidade e o seu custo, condizendo com os critérios de raridade.
 
A Biblioteca Átila Almeida funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (83) 3315-3424.

 
 
Mais sobre Átila Almeida

Átila Augusto Freitas de Almeida (1923-1991) nasceu na cidade de Areia – PB. Graduado em Matemática, foi professor de Física no campus II da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atual Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Além do encanto pelos números, conseguiu constituir, ao longo de sua vida, um dos maiores e mais raros acervos do Nordeste, composto de sete grandes coleções: livros, dicionários, cordéis, folhetos, catálogos, jornais, xilogravuras. Na realidade, o acervo, reconhecido como biblioteca, era um projeto familiar que teve seus primórdios com o seu pai, o famoso historiador paraibano Horácio de Almeida.
 
Além de professor da área de Ciências Exatas, Átila Almeida era jornalista, pesquisador da cultura popular, folclorista e um verdadeiro apaixonado pela literatura popular em verso, publicando diversos livros na área de Folclore, entre os quais o Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada (1978) e, em parceria com José Alves Sobrinho, “Romanceiro popular nordestino – marcos e vantagens” (1981) e “Notas sobre a poesia popular” (1984), além de outros ensaios e artigos em revistas e jornais.

                                   Da Assessoria de Imprensa da UEPB