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Bate-papo descontraído Marina Colasanti e Galeno Amorim no Teatro de Arena

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 - 12:04 - Fotos: 
Os escritores Galeno Amorim e Marina Colasanti participaram nessa quarta-feira (24) do I Salão Internacional do Livro, que ocorre no Espaço Cultural até próximo domingo (28). Durante um bate-papo descontraído no Teatro de Arena, conduzido pelo jornalista Linaldo Guedes, os autores responderam perguntas do público e abordaram assuntos ligados à carreira e à vida pessoal. Em seguida, eles concederam uma sessão de autógrafos aos fãs.

Marina Colasanti foi a primeira a se apresentar no quadro ‘Poética da Palavra’. Em clima de informalidade, ela lembrou aspectos de sua infância e contou que a inspiração para a literatura veio da infância vivida em meio a três nacionalidades. “Eu nasci na África, mas me mudei para a Itália aos quatro anos. Depois, vim para o Brasil”, afirmou.
    
Nascida numa região da África que vivia em constante conflito, a escritora se refugiou na Itália e cresceu vendo os sacrifícios impostos pela segunda guerra mundial. Parte dessa experiência foi traduzida no livro ‘Minha Guerra Alheia’, que foi lançado neste ano. “Essa obra é uma autobiografia. Nela, eu falo aspectos de minha vida, mas em forma de reportagem”, conta a escritora, que também é jornalista.
    
Autora de vários contos infantis, Marina também está lançando outro livro de literatura para crianças. Com o título ‘Classificados e nem tanto’, a obra é composta por contos curtos e objetivos, mas cercados de poesia. A escritora também possui vasta experiência em ilustrações e foi a responsável pelas imagens encontradas em boa parte de suas obras. Dominando as duas funções, ela declarou que autor e ilustrador atuam de maneiras diferentes no livro. “O autor está presente no livro, sem corpo, mas com sentimentos e procurando as palavras. Já o ilustrador está presente fisicamente no livro, com seu olhar e suas mãos. Ele visualiza a situação para colher o que há de melhor na obra”, observou.
 
Galeno Amorim

Editor, escritor e especialista em políticas públicas, Galeno Amorim também foi recebido pelo público no Teatro de Arena. Com a experiência de quem assumiu a Secretaria de Cultura de Ribeirão Preto, em São Paulo, anos atrás, ele declarou que o Brasil é o oitavo maior produtor de livros do mundo. Produz cerca de 400 milhões de exemplares por ano e já atraiu a atenção de editoras francesas, portuguesas e italianas, que começaram a instalar filiais brasileiras.
    
No entanto, apesar disso, o acesso à leitura ainda é limitado no país. Os principais motivos são baixa escolaridade, índice de analfabetismo,  falta de habilidade com a leitura e o preço das obras. “É difícil vende livro no Brasil. O problema não é o preço em si, mas a tiragem. O livro fica caro porque a tiragem é pequena. E a tiragem é pequena porque as pessoas não costumam ler”, explicou.
    
Mesmo o governo Federal concedendo incentivo fiscal e isentando os livros da cobrança de imposto, o hábito de leitura continua sendo algo distante da maioria dos brasileiros. “Isso só será resolvido quando o acesso à leitura for facilitado. O Brasil tem poucas bibliotecas. São cerca de sei mil. A maioria fica nas regiões Sul e Sudeste. Muitas não abrem à noite nem aos fins de semana e estão há quase dez anos sem receber obras atuais. Isso precisa ser mudado”, salientou.
    
“Com mais acesso à biblioteca, maior será a proximidade com a leitura. Com isso, se aumenta a quantidade da tiragem, que faz o custo da produção diminuir e o preço do livro despencar”, acrescentou.
    
Galeno e Marina estão entre os escritores renomados convidados para se apresentar durante o Salão Internacional do Livro. O evento está sendo realizado no Espaço Cultural e reúne obras de artistas consagrados nacionalmente, além de livros das principais editoras do Brasil e de mais oito países. O salão começou no último dia 20 e será encerrado no próximo domingo (28). A entrada é franca.