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Banguê volta a exibir filmes e estreia será com A Festa da Menina Morta

quarta-feira, 28 de outubro de 2009 - 09:48 - Fotos: 

Com uma pomposa premiére do filme ‘A Festa da Menina Morta’, estreia na direção do ator Matheus Nachtergaele, de ‘O Auto da Compadecida’ (2000) e ‘Baixio das Bestas’ (2007), a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) retoma, nesta quinta-feira (29), a programação de cinema do Bangüê. A iniciativa integra um cronograma de reestruturação que o atual presidente da Funesc, Maurício Burity, junto com o Governo do Estado, vem imprimindo com vigor desde que assumiu a fundação, em maio deste ano.
 
O evento, que irá reunir cinéfilos, formadores de opinião, jornalistas e autoridades, além do próprio Matheus Nachtergaele, que desembarca na tarde desta quinta, está marcado para às 19 horas, com uma exposição, no hall do cine-teatro Bangüê, de equipamentos e cartazes antigos de filmes. Antes da exibição de ‘A Festa da Menina Morta’, o cinema projeta, em película, o "Tempo de Ira", da também atriz e diretora Marcélia Cartaxo.

Cinema de uma importância única para a sétima arte na Paraíba e hoje o mais antigo de João Pessoa, o cine Banguê do Espaço Cultural volta a exibir filmes com a estreia, na Paraíba, do premiado ‘A Festa da Menina Morta’, lançado mundialmente em maio de 2008, dentro da respeitada mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), do Festival de Cannes.

A trajetória do longa-metragem de Matheus Nachtergaele, até aqui, coleciona uma série de prêmios em festivais no Rio de Janeiro, Chicago, Havana e Los Angeles, além de arrebatar nada menos que seis estatuetas no Festival de Gramado do ano passado – o mais importante do Brasil -, entre eles Melhor Ator (Daniel de Oliveira), Prêmio da Crítica, Prêmio do Júri Popular e Prêmio Especial do Júri.

Festa no interior da Paraíba inspirou o filme

Quando esteve no Sertão da Paraíba, em 1999, filmando ‘O Auto da Compadecida’ com o diretor Guel Arraes, o ator Matheus Nachtergaele foi a uma festa na qual as pessoas adoravam o pedaço de um vestido de uma menina morta, encontrado em um mandacaru. Este foi o ponto de partida para o drama ‘A Festa da Menina Morta’.

“Por algum motivo, a família considerou isso um milagre e passou a louvar esses trapinhos como se fosse uma coisa muito preciosa, como se fosse alguma coisa da menina que tivesse restado”, conta Nachtergaele. “Eu fiquei muito comovido com isso e pensei que daria um filme bonito, comovente, ao mostrar essa capacidade do homem de ter fé”.

O longa de Matheus Nachtergaele narra a história de uma população ribeirinha do alto Amazonas que comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida.
 
A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A festa cresceu indiferente à dor do irmão da menina morta, Tadeu. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as "revelações" da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimônia.

No elenco estão Daniel de Oliveira (‘Cazuza’), Jackson Antunes (astro da novela ‘A Favorita’), Dira Paes (‘Baixio das Bestas’) e Cássia Kiss (a juíza de ‘Meu Nome Não é Johnny’).

O filme entra em cartaz já nesta sexta-feira (30), com sessões às sextas, sábados e domingos, às 18h30 e 20h30, com ingressos bastante em conta: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (estudante).

Peças raras e câmera de 1914 compõe exposição

Uma exposição de equipamentos antigos usados no cinema estará à mostra no hall do Cine teatro Banguê, nessa quinta e sexta-feira. A mostra é parte da programação de reabertura da programação do cinema. Mais de 30 objetos farão parte da exposição, que está sendo organizada pelo fotógrafo, historiador e membro da Academia Paraibana de Cinema, Arion Farias. “São peças raras que fazem parte da memória do nosso Estado. É importante que as pessoas vejam o resgate dessa parte da história”, comentou.

Os objetos remetem ao passado da produção cinematográfica, a tempos em que ainda não era possível gravar o som. “Vou expor uma câmera francesa usada na época do cinema mudo, da época em que, para gravar, era preciso acionar uma manivela, e para obter o movimento e a velocidade correta da imagem, o cinegrafista da época tinha que cantarolar uma composição de compasso binário para que a gravação fosse feita no tempo certo,” explicou Farias, cujas lembranças fazem dele uma memória de vários fatos s importantes do legado paraibano.
 
Nessa exposição também estarão equipamentos usados no cinema de 1914 à 1960. São vários modelos de câmeras e aparelhos usados nas edições de imagens, projetores de cinema 8 e 16 milímetros, câmera super 8, entre outras relíquias. Parte das peças que ficarão expostas são do acervo da família do ex-prefeito de João Pessoa, Damásio Franca, e do cineasta Machado Bittencourt. 

Cinema terá programação de qualidade, garante Maurício

“O cine-teatro Banguê terá uma programação focada em um cinema de qualidade, seja pelo víeis artístico, comercial ou educativo”, anuncia o presidente da Funesc, Maurício Burity, que explica a nova proposta: “Pela manhã e à tarde serão exibidos filmes para estudantes, com o objetivo de educar e de formar um público de cinema. À noite, nos fins de semana, serão exibidos longa metragens e também curtas. Queremos prestigiar a produção paraibana e dar aos paraibanos uma programação interessante e atrativa”.

Mostras temáticas, com produções francesas, suecas ou alemães, estão cotadas para integrar a nova programação do Banguê. Também os filmes que ficam de fora das franquias de salas de cinema da cidade. Inaugurado em dezembro de 1982, o Bangüê fez história nos últimos 25 anos com mostras temáticas, lançamentos de filmes e uma programação voltada ao cinema brasileiro, europeu e asiático, assim como a produção alternativa norte-americana.

Palco do projeto Quintas Musicais e de apresentações de teatro e dança, o Bangüê também terá uma programação permanente de cinema a partir da sexta-feira. “As exibições serão às sextas, sábados e domingos, em duas sessões: 18h30 e 20h30, podendo variar um pouco dependendo da duração do filme”, informa o diretor do Bangüê, Heleno Bernardo.

Assessoria de Imprensa da Funesc