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22 de julho de 2009

Banco de Olhos aumenta captações de córneas na Paraíba



A implantação do Banco de Olhos da Paraíba, em abril deste ano, mais que dobrou o número de doações de córneas no Estado. No ano passado, a média de captações do tecido não chegava a 15 por mês. Nos últimos dois meses, essa média mensal subiu para 33.

O estudante Lusielson Pereira do Nascimento, 18 anos, é um dos 54 paraibanos beneficiados com um transplante de córnea, nos últimos três meses. O paciente, que mora em Mari, disse que esperou mais de dois anos pela cirurgia.

“Nem acreditei quando recebi a notícia porque eu já tinha ficado na fila dois anos. Mudei de oftalmologista numa quarta-feira e na segunda-feira eu estava sendo operado. Antes de descobrir a doença tinha uma vida normal. Doar um órgão é um ato de amor, porque vai ajudar a salvar a vida de outras pessoas”, disse Lusielson.

O Banco de Olhos recebe as córneas captadas, analisa, conserva e distribui para as equipes médicas transplantadoras (são 15, no Estado). A córnea sai numerada e com o nome do paciente. Existem quatro núcleos de captação na Paraíba, que funcionam em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira e Patos.

Segundo a Central de Transplante da Paraíba, até a segunda-feira (20), havia 11 córneas na geladeira do Banco de Olhos e 37 pessoas aguardavam por um transplante. Myriam Carneiro, gerente para Ações Estratégicas da Central de Transplante, informou que quase todos os dias o banco recebe doações, mas nem sempre as pessoas inscritas na fila obedecem aos critérios estabelecidos pelo médico.

“Quando envia o nome do paciente para a central, o médico especifica o tipo de doença que acomete a córnea da pessoa, bem como a faixa etária em que ela se encaixa. Isso é uma exigência do Sistema Nacional de Transplante e nem sempre o paciente se encaixa nesse perfil.

A prioridade é para os pacientes da Paraíba, mas quando nenhum deles se encaixa nos critérios ou não é localizado em tempo hábil, enviamos as córneas para outros estados”, disse Myriam.

Espera – O programa prioriza as crianças menores de sete anos e pessoas que perderam a visão dos dois olhos. O tempo na fila é só um critério de desempate.

O estudante José Alberto Fábio Badu, 22 anos, de Piancó, estava na fila desde abril do ano passado e, em maio deste ano, fez o transplante no olho esquerdo. “Tive que abandonar os estudos e não podia mais fazer as atividades físicas que tanto gosto, porque não conseguia enxergar direito. Fiquei muito feliz quando soube que ia fazer o transplante porque era uma coisa que eu queria muito. As pessoas precisam entender a importância da doação”, comentou.

A córnea pode ser retirada até seis horas depois que o coração parar de funcionar e dura até 15 dias após a preservação no Banco de Olhos. O doador pode ter até 80 anos de idade e a retirada dos tecidos é feita não apenas em casos de morte encefálica, mas em qualquer tipo de morte, inclusive por câncer. A exceção fica para as doenças infectocontagiosas, como Aids, hepatite e meningite.

O transplante – Como se trata de um tecido e não de um órgão, o transplante de córnea é um procedimento simples. As cirurgias são realizadas em ambulatórios e o paciente recebe alta no mesmo dia. O intervalo entre o transplante de uma córnea e outra, é de um ano.
Este é o tempo médio de recuperação do paciente, que precisa ser submetido a avaliações médicas nesse período. O transplante é recomendado em casos de ceratocone (quando a córnea tem um formato cônico), perfurações oculares e distrofia corneana.

Para doar – Para ser um doador de órgãos e tecidos, a pessoa deve expressar esse desejo aos familiares ainda em vida. Atualmente, 37 pacientes esperam por córneas no Estado, três por coração, 382 por rim e nove por fígado. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone da Central de Transplante: 3216-5746.

 

Da Assessoria de Imprensa da SES-PB