João Pessoa
Feed de Notícias

Banco de Leite Humano Anita Cabral explica como é processado o leite coletado

segunda-feira, 18 de setembro de 2017 - 11:53 - Fotos:  Ricardo Puppe

O leite materno é o alimento mais completo e indicado para o desenvolvimento do bebê porque é rico em todos os nutrientes. Porém, nos primeiros meses de vida, algumas mães têm dificuldades de amamentar o filho.

É nesse ponto que entra em cena o trabalho da equipe do Banco de Leite Humano Anita Cabral, com o objetivo de oferecer assistência à mãe e ao recém-nascido, promovendo o aleitamento materno, fazendo a coleta domiciliar do leite doado, além do seu processamento e controle de qualidade. Esse leite é distribuído para os recém-nascidos que não conseguem mamar.

O leite humano é comparado ao sangue, tal a importância que tem para o organismo, e por isso é denominado de ‘sangue branco’. O alimento salva vidas, mas também pode transmitir doenças, por isso requer cuidados na manipulação. No tocante aos cuidados, o Anita Cabral explica como funciona o processo de pasteurização do leite coletado.

De acordo com a diretora do Banco de Leite Anita Cabral, Thaise Ribeiro, o primeiro teste feito é o visual, quando os especialistas verificam se há algum resíduo, como cabelos e fiapos que possam ter entrado no vidro na hora da ordenha. Além disso é observada a coloração e características organolépticas do leite. Se estiver no padrão de conformidade, o leite segue para o processo de pasteurização.

Além disso, exames como os que detectam doença de chagas, hepatite e HIV, e outros, devem ser apresentados pelas doadoras.

“A equipe do serviço adota todos os cuidados desde a obtenção do alimento até o consumo, a exemplo, da pasteurização que consiste basicamente no aquecimento do alimento a uma determinada temperatura, por determinado tempo e depois resfria-lo a uma temperatura inferior à de antes, de forma a eliminar micro-organismos. Durante o procedimento, a temperatura do leite humano é monitorada a cada cinco minutos”, explica a diretora.

Segundo Thaise, o ambiente onde ocorre a pasteurização deve ser limpo e desinfetado imediatamente antes do início de cada ciclo e ao término das atividades, ou sempre que necessário.

“O processo visa à inativação térmica de 100% das bactérias patogênicas e 90% de sua flora saprófita, usando o processo que soma temperatura e tempo.

É importante destacar que, mesmo depois de pasteurizado, o leite humano é submetido a exames, dentre eles o de presença de coliformes e o de acidez, para verificar se o mesmo pode ser distribuído e consumido”, detalhou Thaise Ribeiro.

Após a pasteurização é retirado em tubo de ensaio quatro ml do alimento, que é enviado ao laboratório para avaliar o crescimento microbiológico, em meio a uma cultura, além de observada o nível de gordura. O resultado sai em 48 horas e se estiver negativo será liberado para consumo.

Antes de ir para o freezer, que é também monitorado, o alimento é etiquetado com dia e hora da pasteurização, informando qual dia e até quando pode ser usado.

“Vale salientar que, o leite processado tem duração de seis meses, enquanto que, o leite cru congelado, sem o processo de pasteurização, dura apenas 15 dias em perfeitas condições”, finalizou a diretora.

Reconhecimento internacional – Os laboratórios dos seis bancos de leite do estado são reconhecidos internacionalmente pela sua excelência em padrão de qualidade e participam anualmente do Programa Ibero-Americano de credenciamento dos bancos de leite humano, que concedeu, em 2012, certificação ao Centro Estadual de Referência e, a partir de 2013, a todas as seis unidades estaduais.

Balanço – No total mais de 11 mil visitas domiciliares foram realizadas, sendo atendidas mais de 90 mil mulheres em toda a Paraíba. Em 2016 foram coletados em todo o estado mais de sete mil litros de leite e distribuídos 7,2 mil litros, com a contribuição de seis mil doadoras cadastradas, beneficiando quase oito mil bebês internos nos leitos neonatais do estado.

Por mês, só o Anita Cabral é responsável por pasteurizar em média 200 litros de leite e abastecer aproximadamente sete unidades hospitalares, na Grande João Pessoa. No estado são em média 20 unidades que coletam e utilizam leite humano.

Doação de frascos – Os utensílios são parte fundamental para o processo de doação do leite humano e consequentemente da redução da mortalidade infantil. Os bancos e postos de coleta necessitam de frascos de vidro de maionese ou café solúvel, com tampa rosqueável, para a coleta do leite humano ordenhado.

Uma média de 1000 frascos de vidros são utilizados por mês, para os processos de ordenha, coleta, processamento, armazenamento e administração do leite humano.

Para ser doadora de leite – É só procurar o banco ou posto de coleta de leite humano mais próximo, estar amamentando o filho, estar saudável e ter excesso de produção de leite.

O serviço de Rota Domiciliar irá até a residência da doadora e entregará o Kit Doação (frascos de vidro esterilizado, luvas, gorro e máscara).

Além disso, a equipe prestará todas as orientações para o correto armazenamento e ainda vai semanalmente ao domicílio da mãe para coletar a doação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 3215-6047.