João Pessoa
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Avanços e desafios das Mulheres Negras são discutidos em seminário na Capital

quarta-feira, 27 de julho de 2011 - 19:10 - Fotos: 

“Luta Antiracista e Antisexista – realizações, avanços e perspectivas” foi o tema do seminário realizado na tarde desta quarta-feira (27), no Solar do Conselheiro, na Rua Duque de Caxias, no Centro da Capital. O evento marca as comemorações ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado no dia 25 de julho, e os dez anos de fundação da Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba, que tem atuado em campos importantes para a formulação e consolidação de políticas públicas para a população negra, em especial, as mulheres. Saúde, educação, sexualidade, política de cotas nas universidades e o combate ao racismo e ao sexismo têm sido bandeiras de luta da Bamidelê.

O seminário reuniu representantes do Movimento Negro, de Articulação da Juventude Negra, dos Cultos africanos e da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana. “A Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana parabeniza a Bamidelê pelos 10 anos de inserção na sociedade paraibana denunciando o sexismo, o racismo e trabalhando a afirmação da identidade negra. Para nós que fazemos a Gerência de Equidade Racial esse evento marca a luta e resistência das mulheres negras e viemos reafirmar o compromisso do Governo do Estado na implementação das políticas de promoção de equidade racial”, disse a Gerente da Equidade Racial, Regina Alves.

Segundo uma das coordenadoras da Bamidelê, Terlúcia Silva, o objetivo do seminário é discutir os avanços, as realizações da organização nesses dez anos e chamar a atenção quanto aos desafios. “Ainda tem muito a ser conquistado. No ponto de vista da autoestima, por exemplo, existe ainda muita dificuldade das pessoas em se autodefinirem negras. Um dos avanços que eu poderia destacar é que estamos tendo mais diálogo com órgãos governamentais, o que não existia há dez anos. Um passo importante”, ressaltou.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Paraíba foi um dos estados que identificou que a cor tem influência nas relações cotidianas.  Segundo o estudo, o trabalho, citado por 71% dos entrevistados, é a situação cotidiana que mais sofre influência da cor e da raça. Em seguida, aparecem as relações com a polícia/justiça (68,3%) e no convívio social (65%).

A estudante de história, Glauciê Pereira, disse que perdeu as contas das vezes que a cor influenciou no processo de seleção de emprego. Em um dos processos, cerca de 10 candidatas foram chamadas. Destas apenas duas eram negras. A estudante revelou que ela passou por todos os testes, mas quando chegou na hora da entrevista, a cor dela teria impedido de ser aprovada para o cargo, que uma loja de confecções no centro de João Pessoa estava oferecendo. “Por eu ser negra não fui escolhida para o cargo. Eu atendia a todos os requisitos, mas a minha aparência eles não aprovaram. Por causa disso, eu desisti de colocar currículo no comércio. O preconceito é explícito. Hoje eu sei lidar mais com isso. Mas, antes era muito difícil para mim,” afirmou.